ESTRATÉGIA DIGITAIS


Campanhas virtuais não devem definir próximo Prefeito de Manaus

Mesmo sendo uma aposta estratégica para conquistar o eleitorado, as redes sociais não serão suficientes para garantir vaga no segundo turno

Apesar de apostarem nas campanhas virtuais, candidatos não estão conseguido emplacar seus nomes nas pesquisas
Apesar de apostarem nas campanhas virtuais, candidatos não estão conseguido emplacar seus nomes nas pesquisas | Foto: Divulgação

 

Manaus - Com o início da campanha eleitoral, os comícios, bandeiraços e a distribuição de panfletos se tornam práticas constantes na capital amazonense. Em tempos de pandemia, em que a conquista corpo a corpo deve ser evitada, a alternativa dos candidatos à Prefeitura de Manaus é migrar para as campanhas virtuais e, por mais que pareça uma estratégia simples, os prefeituráveis podem destinar milhões para conquistar o eleitorado on-line e não garantir uma vaga no pleito.

O avanço da pandemia no Brasil impede que as campanhas eleitorais deste ano sejam realizadas em seu formato de origem, o que ocasionou um aumento no número de internautas fazendo com que os candidatos ao pleito municipal investissem o fundo eleitoral em campanhas digitais.

No cenário manauara, os candidatos Alberto Neto (Republicanos) e Alfredo Nascimento (PL), que decidiram investir nas campanhas das mídias digitais, podem não conquistar a intenção de votos necessária para disputar o segundo turno do pleito municipal

Apesar de o investimento nas redes sociais estar incluso no orçamento de campanha, o especialista em marketing digital, Gabriel Aquino, afirmou que a conquista por eleitores virtuais pode ter variação no valor dependendo da estratégia utilizada na campanha.

“O custo das campanhas digitais está dentro do orçamento do marketing e não possui um valor padrão, pois os posts são impulsionados dependendo da campanha. No entanto, todas seguem o mesmo objetivo, conquistar o maior número de eleitores nas redes e levá-los as urnas”, explicou.

Aquino ressaltou ainda que, mesmo com uma boa eficácia, a campanha virtual não garante que o candidato avance para o segundo turno, uma vez que a conquista do eleitorado não se resume apenas à construção da imagem nas mídias sociais. “Afirmar que as redes sociais garantem vaga no segundo turno não é algo absoluto, uma vez que o eleitor não está interessado no perfil virtual e sim na competência do candidato”, destacou.

De acordo com um levantamento feito nas contas digitais do prefeituráveis, os candidatos mais presentes nas redes sociais não correspondem às intenções de votos divulgadas nas pesquisas eleitorais.

A comparação pode ser feita com o candidato Alberto Neto que, apesar de possuir o maior número de seguidores no Instagram, Facebook e Twitter, comparado aos demais candidatos, com 961.864 internautas, ainda não conseguiu emplacar seu nome entre os três primeiros nas pesquisas. A última pesquisa divulgada pela Perspectiva Mercado de Opinião, na terça-feira (29), apontou o candidato com 6,3%.

Neto afirmou que deve continuar apostando nas mídias como estratégia para subir nas pesquisas e destacou que a ferramenta foi fundamental para sua última eleição. “Na campanha passada, a atuação nas mídias digitais foi fundamental para minha vitória com mais de 107 mil votos.

É bom lembrar, ainda, que o presidente Jair Bolsonaro caminhou rumo à presidência da República com forte apoio nas mídias digitais, vencendo até mesmo adversários que apostaram nos meios até então convencionais”, afirmou.

Já o candidato com mais distribuição de presença nas redes sociais é o ex-prefeito Alfredo Nascimento (PL) que aparece em quinta posição nas pesquisas com 5,5%. Para o candidato, a presença nas mídias sociais possibilita que o eleitorado tenha um alcance maior das propostas feitas para os próximos quatro anos.

“As redes sociais se tornaram ferramenta para que possamos marcar, de forma constante, nossa presença, conversando virtualmente com os eleitores e alinhando temáticas que contribuem para o nosso plano de governo”, comentou. 

Alternativa

Apesar do recurso virtual não garantir a vaga das eleições, o analista político Carlos Santiago afirmou que as mídias sociais podem se tornar uma saída para os postulantes que não possuem experiências em veículos de comunicação mais tradicionais.

“Não podemos esquecer que campanhas se fazem com diálogos, conversas e interações. No entanto, as redes sociais são um campo fértil para promoção de debate, principalmente para aqueles que estão fora do poder ou aqueles que não têm mandato”, disse.

Nesse cenário, os candidatos não devem seguir uma fórmula para divulgação de suas campanhas, como explica o cientista político Jack Serafim.

“Todos os políticos devem buscar votos onde as pessoas estão, e atualmente as pessoas estão em sua grande maioria nas redes sociais. Então, é necessário que alguns candidatos estejam nesse âmbito para converter seguidores em votos e alcançar um bom percentual no fim do pleito”, analisou.

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