Antigos problemas


Com histórico manchado, candidatos perdem espaço no pleito municipal

Alguns candidatos podem sofrer com a rejeição causada por antigos mandatos, já os que ainda estão em exercício, podem sair em vantagem no pleito

Propostas que não foram cumpridas em outros mandatos de alguns candidatos são relembradas pela população
Propostas que não foram cumpridas em outros mandatos de alguns candidatos são relembradas pela população | Foto: Alexandre Sanches

Manaus - Entre os 11 candidatos que disputam o cargo de chefe do Executivo municipal, sete possuem trajetória política composta por cargos municipais, estaduais e federais. Apesar do histórico ser usado como estratégia para ganhar a confiança dos eleitores, ter o nome vinculado a gestões conturbadas e promessas não cumpridas no passado, deve ser um empecilho na campanha daqueles que, novamente, buscam o poder. 

Amazonino Mendes (Podemos) e Alfredo Nascimento (PL) são dois antigos personagens do cenário político que voltam a disputar o cargo no pleito municipal deste ano em Manaus. Ambos apostam na tentativa de retomar a confiança de eleitores após conquistarem alto índice de rejeição em seus mandatos, com estratégias similares. Amazonino tenta contornar seu histórico negativo, discursando que a experiência proporcionará uma nova gestão. Já Alfredo não dá atenção às propostas descumpridas, mas promete retomar as que deram certo.

"Os mais antigos são os que têm maior rejeição. O próprio governo deles gera essa rejeição, ainda que um esteja em primeiro lugar. Por enquanto, as pesquisas que nós temos, a princípio, teria um segundo turno entre dois candidatos que não estão com mandatos atuais e já tiveram no poder. Os estreantes estão ainda patinando nos últimos lugares", afirmou o cientista político, Helso Ribeiro.

Rastros negativos

Com quase 40 anos de trajetória política, Amazonino retorna à disputa pela Prefeitura de Manaus, após passar pelo Governo do Estado e Senado Federal, entre 1986 e 1990. O candidato voltou ao executivo municipal em 1992 e em 2008, quando apresentou uma das propostas que mais gerou comoção pública,  a construção de mais de creches municipais. Após o fim do seu governo, ele não conseguiu cumprir com o prometido e, junto a outros fatores, resultou na alta rejeição popular, de 23,4% que se faz presente até o momento. 

 Amazonino tenta contornar seu histórico negativo, discursando que a experiência proporcionará uma nova gestão
Amazonino tenta contornar seu histórico negativo, discursando que a experiência proporcionará uma nova gestão | Foto: Aguilar Abecassis

Com o histórico manchado e um plano de gestão menos audacioso, o candidato propõe agora apenas a oferta de mais vagas, nas creches municipais já existentes. Amazonino explica que o projeto, que têm sido comentado durante esta campanha, foi distorcido e era outra proposta, Mães Sociais, que não chegou a ser aprovada pela Câmara Municipal de Manaus (CMM). 

“Mais famílias ficarão sem condições de pagar por esse serviço e precisão de creches públicas para deixar seus filhos em segurança, enquanto trabalham”, afirmou. O entendimento do candidato é de que os problemas não se esgotam, as cidades estão sempre em crescimento. E que tem um legado importante nos 40 anos de vida pública, do qual se orgulha. 

Alfredo Nascimento também idealizou uma Manaus diferente durante sua gestão, o que não foi alcançado. Chegou a ser eleito vice-governador da chapa de Amazonino, em 1995, e em 1997 conquistou o cargo de Prefeito de Manaus. Entre suas principais promessas no período de campanha esteve a implantação do projeto Nova Veneza, que pretendia tirar as famílias que viviam às margens de igarapés, limpando-os e promovendo o turismo na via fluvial, como pode ser visto na cidade italiana.

Alfredo não dá atenção às propostas descumpridas, mas promete retomar as que deram certo
Alfredo não dá atenção às propostas descumpridas, mas promete retomar as que deram certo | Foto: Divulgação

Outra proposta que não rendeu resultados foi o metrô de superfície, que agilizaria o transporte público na capital. Alfredo passou ainda pelo governo Lula e Dilma como Ministro do Transporte. Hoje, após a mancha negativa em sua gestão, o candidato enfrenta um dos mais altos índices de rejeição, com 22% de acordo com as últimas pesquisas políticas.

Na campanha, o candidato destaca apenas as concretizações que conseguiu alcançar durante sua gestão, como o Programa Mãe Social. A equipe de reportagem entrou em contato com a assessoria do candidato, mas até o fechamento desta edição, não obteve resposta.

Trampolim entre mandatos

Outros candidatos que também possuem histórico político são Chico Preto (DC), que já foi deputado estadual e está em seu 4º mandato como vereador, David Almeida (Avante), também já foi deputado e pôde assumir o cargo de governador interino em 2018, Ricardo Nicolau (PSD), eleito deputado estadual em 2018, e os deputados federais Alberto Neto (Democratas) e José Ricardo (PT), que foram eleitos em 2018 e garantem o exercício até 2022.

Mesmo eleitos, alguns candidatos ainda investiram na disputa pela Prefeitura de Manaus. O cientista político Helso Ribeiro, explicou que a aposta pode ser audaciosa, mas que pode garantir vantagem aos candidatos que já estão em ação.

"A nossa legislação eleitoral permite que um portador de mandato legislativo possa concorrer a um outro cargo mesmo na constância do seu mandato. Só acho que é pouco claro, na hora que eles concorrem a este cargo e não comentam isso com a população. Nesta eleição, de forma particular, elas levam até certa vantagem, pois elas utilizam a máquina do seu mandato para fomentar a sua candidatura. Quem é deputado estadual, federal, já têm uma estrutura, já estão trabalhando ali no cotidiano", destacou Helso.

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