Fonte: OpenWeather

    Histórico manchado


    Vereador preso em esquema de propina tenta reeleição em Iranduba

    Ele foi flagrado tentando destruir prova, ao jogar o aparelho celular no vaso sanitário. O caso teve grande repercussão popular devido à quebra de ordem pública

    Após encerramento do processo, o candidato teve candidatura deferida para concorrer à reeleição neste pleito
    Após encerramento do processo, o candidato teve candidatura deferida para concorrer à reeleição neste pleito | Foto: Divulgação

    Manaus - Um ano após ser investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de propina na Câmara Municipal de Iranduba, o vereador Jakson Pinheiro (PV) se candidata à reeleição nas eleições municipais deste ano.

    O caso é apenas um exemplo de muitos escândalos ocorridos no cenário político brasileiro que promovem a falta de credibilidade aos políticos, frente à população, e o desgaste da democracia representativa. 

    Jakson Pinheiro teve a prisão preventiva decretada em agosto do ano passado, durante a Operação Avaritia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado do Amazonas (Gaeco/MPAM) e promotorias de Justiça de Iranduba, com apoio da Polícia Civil (PC).

    Ele foi flagrado tentando destruir prova, ao jogar o aparelho celular no vaso sanitário. O caso teve grande repercussão popular devido à quebra de ordem pública. 

    Na ocasião, Jakson foi preso junto a outro vereador, Kelison Dieb (PMDB), mas soltos quase um mês depois, por decisão judicial da 1ª Vara da Comarca de Iranduba com decisão favorável do Ministério Público. Ainda de acordo com o MP-AM, os parlamentares chegavam a cobrar R$ 5 mil para aprovação de Projetos de Lei de interesse coletivo. O dinheiro arrecadado com a atividade ilícita teria chegado a R$ 80 mil.

    O processo foi encerrado e a candidatura de Jakson para concorrer no pleito deste ano foi deferida. A equipe de reportagem entrou em contato com o vereador, mas até o fechamento desta edição não houve pronunciamento sobre o caso. 

    Para o cientista político Helso Ribeiro, a população pode ser influenciada por casos de corrupção e propina, especialmente os que são amplamente divulgados pela mídia. Além disso, o cientista afirmou que apesar de casos de corrupção serem comuns no Brasil, não ocorrem apenas aqui e que devem ser combatidos, apesar da dificuldade para realizá-lo. 

    Helso explica que a soberania do povo lhe dá o direito de julgar acreditar ou não em casos que não tiverem sido julgados
    Helso explica que a soberania do povo lhe dá o direito de julgar acreditar ou não em casos que não tiverem sido julgados | Foto: Divulgação

    "É claro que, uma acusação de recebimento de propina, principalmente quando ela é coberta pelos meios de comunicação, influência na decisão do eleitorado. O Brasil não é o dono da corrupção, diversos países também têm esse problema. Sempre vou achar que a corrupção é um mal a ser combatido, mas é muito complicado de combater ao mesmo tempo", explicou.

    O cientista político também afirmou que é preciso haver uma preocupação com casos publicamente expostos, que não possuem encerramento processual.

    "É claro que a população, cansada com os desmandos e com as falcatruas observadas na política, gostaria de ver um atalho, de ver pessoas que foram acusadas já serem execradas e condenadas. Eu acredito que a população é soberana, o voto do povo é soberano no sentido de poder verificar se vale a pena acreditar ou não na acusação daquela pessoa". 

    A estudante e moradora do município de Iranduba, Juliana Xavier, 20, afirmou que os casos de corrupção, especialmente os que ganham comoção popular, sujam a imagem da política local, principalmente de vereadores que, realmente, trabalham para promover melhorias no município. 

    "Casos assim com certeza sujam a imagem dos políticos limpos. Queremos uma boa imagem de candidato para votarmos. Queremos alguém digno, e com uma notícia dessa ficamos receosos e pensativos se estamos fazendo uma boa escolha. Como eleitora, avalio se as propostas são boas, se tem um histórico limpo, se tem caráter e é humilde", afirmou a eleitora.

    Vídeo

    No último fim de semana um vídeo de uma moradora do Cacau Pirêra viralizou nas redes sociais. Indignada, ela filma a carreata do candidato Jackson Pinheiro e fala que o vereador não fez nada pela população durante os quatro anos, que esteve na câmara e que agora tenta reeleição.  

    Leia Mais:

    Com histórico manchado, candidatos perdem espaço no pleito municipal

    Eleitores jovens podem decidir resultado do pleito municipal de 2020

    Justificativa virtual pode aumentar abstenções no pleito municipal