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    Investigação policial


    Investigado pela PF, vice-governador do AM nega crimes

    Durante coletiva com a imprensa, o vice-governador do AM, Carlos Almeida alegou que sempre agiu com transparência e não realizou qualquer tipo de atividade ilícita, como recebimento de propina

    O vice-governador se negou a responder os jornalistas presentes na coletiva
    O vice-governador se negou a responder os jornalistas presentes na coletiva | Foto: Adriano Santos

    Manaus - Após ser alvo da segunda fase da "Operação Sangria" e ter equipamentos pessoais apreendidos pela Polícia Federal, o vice-governador do Estado do Amazonas Carlos Almeida Filho (PTB), negou seu envolvimento em condutas ilícitas investigadas durante a operação policial em pronunciamento realizado na quarta-feira (28). Apesar de considerar falsas as provas divulgadas contra sua conduta, Almeida se negou a responder os questionamentos da imprensa, em coletiva convocada por ele mesmo. 

    Durante o pronunciamento, que durou apenas 15 minutos, Almeida limitou-se a dar explicações sobre as denúncias envolvendo seu nome, por meio da leitura de um texto previamente escrito. Ele disse ainda que algumas informações seguem em sigilo, devido à natureza do processo.

    "Registro que não me manifestarei sobre os pontos que a Justiça demandam reserva, tendo em vista o caráter sigiloso dos procedimentos, mas não posso deixar de abordar aqueles que se tornaram públicos pela imprensa ou pela opinião pública, em regra distorcidos e injustos comigo. Esclareço que as imagens exibidas no "Jornal do Amazonas" e no "Jornal Nacional" estão nitidamente editadas e montadas, para insinuar que se referem ao mesmo dia, apesar de serem imagens de dias diferentes", relatou. 

    As imagens de maio deste ano, divulgadas nacionalmente entre os dias 17 e 19 deste mês, mostram o vice-governador em supostas reuniões com parlamentares, empresários e integrantes do Governo, em um escritório de advocacia no prédio Fórum Business, localizado no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

    De acordo com inquérito da PF, o vice-governador usava as dependências do escritório para combinar valores de propina, com empresários. De abril de 2019 até maio deste ano, Almeida atuava como Secretário da Casa Civil e alegou que após sua exoneração não se dirigiu mais ao gabinete do Governo, passando a usar uma sala extraoficial. 

    "O local em questão fica em uma das zonas mais movimentadas da cidade, em frente, inclusive, à Justiça Federal, contando com câmeras e registros de entrada de veículos e pessoas. Para lá me desloquei com carros oficiais e acompanhado da equipe de segurança institucional, sempre de forma pública e transparente. Ao contrário do que se insinua, nunca utilizei o escritório localizado no edifício Fórum Business Center para reuniões ou fins ilícitos, e jamais, em tempo algum, recebi dinheiro em espécie", defendeu Almeida.

    Almeida foi visto saindo das reuniões com uma bolsa, supostamente com dinheiro de propina
    Almeida foi visto saindo das reuniões com uma bolsa, supostamente com dinheiro de propina | Foto: Divulgação

    Ainda nas imagens, gravadas pelas câmeras de segurança, é possível vê-lo saindo com uma bolsa. Apesar das gravações, o vice-governador afirmou que a referida bolsa era uma lancheira, na qual ele carrega há anos devido à mudanças em sua alimentação e que não tinha dinheiro, como foi divulgado.

    "Há pelo menos 8 anos controlo minha alimentação e ando com uma lancheira diariamente. A mesma lancheira aparece em imagens relativas a diversos outros momentos da minha atuação profissional, dando conta que é usual a sua presença e que em várias ocasiões eu mesmo seguro a referida lancheira", afirmou.

    Após a leitura do pronunciamento, Almeida se negou a responder perguntas da imprensa, alegando que a ocasião não era para uma "coletiva de imprensa", mas para um "pronunciamento".

    A resistência do vice-governador em responder as perguntas dos jornalistas deu origem a uma confusão generalizada entre a equipe dele e profissionais da imprensa. Uma jornalista chegou a sofrer agressão de um segurança, que foi afastado por determinação do Governo do Estado até a conclusão do procedimento administrativo para averiguar as circunstâncias da ocorrência.

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    Momento em que jornalistas entram em conflito com assessores e seguranças de Carlos Almeida Filho | Autor: Divulgação
     

    Segunda fase da Operação Sangria

    No dia 8 deste mês, durante a segunda fase da operação, ocorrida após análise do material coletado na primeira fase, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão no gabinete e na casa do vice-governador, onde foram apreendidos documentos e computadores relacionados à investigação.

    A operação policial investiga suspeitas de práticas ilícitas como peculato, lavagem de dinheiro e também de promoção de dispensa de licitação fora das hipóteses previstas em lei.

    No mesmo dia, cinco pessoas suspeitas de superfaturamento na compra de respiradores, foram presas temporariamente: O empresário e médico Luiz Carlos Avelino Junior, marido da ex-secretária de Comunicação do Amazonas, Daniela Assayag; o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias; a ex-subsecretária de Atenção Básica à Saúde, Dayana Priscila Mejia de Souza; o engenheiro clínico Ronald Gonçalo de Caldas Santos, e o empresário Gutemberg Leão Alencar. Os suspeitos já se encontram em liberdade. 

    De acordo com as investigações, em abril deste ano a Distribuidora Sonoar adquiriu 28 respiradores pulmonares a R$ 1 milhão, à vista e os revendeu a uma empresa fornecedora da Secretaria de Saúde do Amazonas, com um superfaturamento de 172%, ou seja, R$ 2,97 milhões. Segundo a PF, há indícios de que a compra dos respiradores seria apenas o início de outros esquemas de aquisição de equipamentos, a serem realizados durante o período de pandemia. 

    Dinheiro enviado para o exterior

    Após cooperação entre agentes brasileiros e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), foi descoberto que o lucro recebido pelos envolvidos nos desvios de verbas públicas, na compra de respiradores durante a pandemia, foi destinado a uma empresa, supostamente de fachada, no exterior. Os valores e o país de destino, no entanto, não foram divulgados.

    Em nota, o Governo do Amazonas afirmou estar aberto a prestar esclarecimentos aos órgãos que conduzem a investigação e reafirmou que preza pela transparência e correta utilização dos recursos públicos.

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