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    Gestão compartilhada


    Caso eleitos, vices podem atuar como prefeitos em Manaus

    David Almeida e Amazonino Mendes apostam em vices com capacidade e experiência para atuar como prefeitos. No entanto, s motivações para a escolha, são distintas

     

    Wilker Barreto e Marcos Rotta são apresentados como vices que irão além da imagem representativa do cargo
    Wilker Barreto e Marcos Rotta são apresentados como vices que irão além da imagem representativa do cargo | Foto: Divulgação

    Manaus - O casamento ideal entre os candidatos a prefeito e vice é uma escolha que pode ser decisiva para o resultado das urnas. No pleito deste ano, é possível notar o protagonismo de alguns vices que, se eleitos, terão um espaço de atuação abrangente, um cenário pouco visto em gestões anteriores. A estratégia pode causar dois efeitos opostos: a promoção de uma gestão que atenda Manaus de forma mais ampla, conforme já visto em gestões anteriores, ou um conflito pela titularidade do poder.

    Durante esta campanha eleitoral, os vices Wilker Barreto (Podemos) e Marcos Rotta (DEM) ganham destaque de seus respectivos candidatos a prefeito David Almeida (Avante) e Amazonino Mendes (Podemos). Enquanto Rotta e Almeida propõem uma gestão compartilhada, Mendes já afirmou, publicamente, que "dará serviço" ao vice, Barreto. A estratégia, no entanto, pode não fortalecer algumas campanhas, conforme observado nas últimas pesquisas eleitorais.

    "Muitas vezes ocorre que as composições acabam não gerando uma boa música. Talvez, Marcos Rotta tenha agregado algo à campanha de David Almeida e pode ser, são apenas suposições, que Wilker Barreto não tenha agregado tanto à campanha de Amazonino. Isso teremos que fazer várias imagens ainda", afirmou o cientista político Helso do Carmo.

    "Dois prefeitos"

    Rotta afirmou que, com a sua experiência e o apoio de David Almeida, poderá estender a sua atuação e mostrar seu trabalho, o que não conseguiu fazer em outras gestões. Além disso, após cogitar a candidatura para prefeito durante a pré-campanha, o candidato a vice garantiu que não se sente diminuído pela escolha. 

    "Ao lado de David Almeida, que muito gentilmente tem dito por toda Manaus que a cidade terá dois prefeitos com nossa eleição, eu pretendo poder ampliar minha atuação, estando nas ruas, conferindo bem de perto e todos os dias a situação dos manauaras, conhecendo seus problemas in loco e não de um gabinete. Escolhi estar com David por ver nele e em suas propostas, muito do que eu mesmo quero para Manaus. Não me sinto diminuído em ser candidato a vice, uma vez que componho uma chapa criada da vontade de fazer de Manaus uma cidade melhor", contou.

    Rotta afirmou que está preparado para mostrar serviço durante possível gestão
    Rotta afirmou que está preparado para mostrar serviço durante possível gestão | Foto: Divulgação

    Um dos motivos desta proposta para a gestão é a necessidade que Manaus tem de uma atenção redobrada em todas as áreas, segundo David Almeida, que também defendeu a capacidade de ambos conseguirem promover um bom trabalho na capital, se eleitos, já que possuem experiências adquiridas em administrações anteriores. 

    "A ideia de dois prefeitos é essencial para que possamos dar a celeridade nos trabalhos que a nossa cidade precisa. Se eventualmente formos eleitos neste ano, em 2021, enquanto eu estarei de um lado da cidade, o Marcos Rotta estará do outro, ambos entendendo os problemas para juntos encaminharmos as melhores soluções, com planejamento, sempre prezando pela eficiência", defendeu. 

    Um de lá, outro de cá

    A proposta da chapa de Amazonino Mendes e Wilker Barreto, que têm sido alvo de diversas críticas, é que o vice trabalhe nos pontos em que o candidato a prefeito não puder, devido à idade, como o contato direto com a população. A estratégia promove uma gestão em que Mendes administraria do gabinete, enquanto Barreto estaria na atividade. O candidato a vice afirmou que se sente preparado para atuar desta forma, com proatividade, que vai além da imagem representativa comumente exercida pelos vices.

    Wilker confia em Amazonino para uma gestão dividida, capaz de promover um serviço abrangente
    Wilker confia em Amazonino para uma gestão dividida, capaz de promover um serviço abrangente | Foto: Divulgação

    "Encaro a posição de vice com muita responsabilidade e não como figurativa. Tenho 22 anos de vida política e acredito estar no momento certo e com a pessoa certa para cooperar com Manaus. Sou proativo e assim atuarei, irei visitar escolas, unidades de saúde, estarei nas ruas, conversando com o povo, e vendo de perto a realidade. Farei questão de indicar ao prefeito o que precisa melhorar, mudar, ser revisto, levar os anseios das pessoas em todas as áreas", argumentou.

    Além disso, o candidato a vice disse que apesar de ter conhecimento e experiência, ainda tem o que aprender com o titular da chapa. "Amazonino é um técnico, aquele que fica na beira do campo. Não é ele quem vai correr, mas direcionar o time. Por isso, sei que tenho muito conhecimento, mas que irei aprender com ele também". 

    Gestões conflituosas

    Discussões entre vices e prefeitos ilustram diversas gestões municipais há, pelo menos, 30 anos. Alguns exemplos em que a imagem de união, divulgada durante as campanhas eleitorais, se desfez, são durante o mandato de Serafim Corrêa (PSB) e Mário Frota (PSDB) em 2004, que se desentenderam um ano após eleitos; Amazonino Mendes (Podemos) e Carlos Souza (sem partido) em 2008, que foi preso durante o caso Wallace e, depois de solto, eleito deputado federal, abdicando do cargo de vice-prefeito.

    Entre os casos mais recentes de desentendimentos entre as composições estão os de Arthur Neto (PSDB) e Hissa Abrahão (PDT) (2012), que não duraram um ano juntos após eleitos, e Neto com o vice Rotta, que hoje se candidata à reeleição ao lado de Almeida.

    Escolha minuciosa

    A escolha dos candidatos a vice-prefeitos para a composição de uma chapa forte é um fator de grande influência para garantir, além de uma boa imagem pública, uma gestão com o mínimo de excelência. De acordo com o analista político Carlos Santiago, a busca pelo vice ideal para compor uma chapa envolve duas características principais, durante a pré e a pós-campanha: afinidade ideológica e respeito à legislação e ao seu cargo. Mas, encontrar um vice para montar chapa eleitoral, com todos esses valores morais e eleitorais não é uma tarefa fácil.

    "Sempre se busca um vice que tenha duas condutas ideais em dois momentos diferentes: na campanha é aquele que tem afinidade ideológica com o colega de chapa, que tenha voto e apoio social, que seja filiado a um partido político detentor de um bom tempo de rádio, de televisão e de uma boa cota do recurso do fundo de campanha, além de nenhum envolvimento em escândalos de corrupção; depois de eleito, que ele respeite a legislação e busque substituição do titular somente em caso de viagens, de doenças e por decisão judicial", relatou. 

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