Desvantagem


Partidos com pouca visibilidade podem não conseguir lugar neste pleito

Partidos com pouca força nas eleições, além de terem grande chance de não conseguir eleger candidatos, podem sofrer para se manter ativos no cenário político

Com a impossibilidade de formar coligações, algumas siglas não devem conseguir espaço na CMM
Com a impossibilidade de formar coligações, algumas siglas não devem conseguir espaço na CMM | Foto: Divulgação

Manaus - Na corrida eleitoral pelas 41 vagas na Câmara Municipal de Manaus (CMM) deste ano, chama a atenção um grupo de partidos que, por não conseguirem se destacar, principalmente pelas mudanças eleitorais, provavelmente serão enfraquecidos e não conseguirão garantir uma cadeira na Câmara. Diante deste cenário, alguns devem lutar para continuarem ativos no meio político.

Em Manaus, 30 partidos concorrerão às eleições deste ano, com 1.411 candidatos a vereador. Deste total, os que possuem menos candidatos e que, possivelmente, não conseguirão eleger ao menos um, são o Partido Social Democrático (PSD) com 20, o Rede Sustentabilidade (Rede) com 12, Partido Novo (Novo) com seis, Partido Socialismo e Liberdade (Psol) com cinco e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) com um candidato. As informações são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O presidente do Diretório Municipal do Rede, Luis Cláudio, afirmou que mesmo que o partido não eleja nenhum candidato, irá continuar atuando para disseminar suas ideias e se manter ativo no cenário político. 

"A Rede tem uma estratégia que não se acaba nessa eleição, que é de construção da legenda, de divulgação das nossas ideias para o futuro não só da cidade, como do estado e nós vamos continuar marchando", afirmou. Luis Cláudio também disse que, mesmo que não elejam nenhum candidato para a CMM, irão se mobilizar para apoiar um dos candidatos à Prefeitura em um possível segundo turno.

Para Jonas Araújo, presidente do Diretório Municipal do Psol, mesmo que o partido seja desfavorecido nas urnas, a luta por igualdade social continuará. "O PSOL é socialista, entendemos que a disputa eleitoral é importante para a consolidação do sistema democrático, mas temos clareza de que as mudanças estruturais passam pela organização popular. Por isso, independente do resultado das urnas, iremos continuar organizando a sociedade manauara para reduzir as desigualdades em Manaus", declarou.

Jucicleide Massulo, presidente do Diretório Municipal do PSTU, explicou que o trabalho do partido é contínuo, diante das causas sociais e sindicais. Para ela, a atuação dos partidos pequenos é um impulso para que os maiores se elejam, o que mostra a disparidade entre os partidos.

"Nós sempre estamos atuando, seja no sindicato ou em associações de bairro. A eleição é mais uma área de atuação nossa, se nós ganharmos será ótimo. Nós vamos continuar na luta e nas próximas eleições estaremos lá de novo, se o partido decidir", relatou. 

Já o presidente do Diretório Municipal do Novo, André Teles, afirmou que é fundamental que se continue agindo, seguindo os princípios do partido, que se distinguem de outros que já são antigos atuantes na cena política manauara.

"Reconhecemos que enfrentar o sistema não é fácil, porque todos os nossos concorrentes possuem recall, são populistas, abusam do dinheiro do pagador de impostos para fazer campanha e formam coalizões por interesse pessoal. Tudo isso nos motiva ainda mais, tendo como convicção que esse trabalho é de longo prazo e não vamos tomar atalhos para chegar lá", destacou.

Análise do cenário

Diversas mudanças no sistema eleitoral, realizadas em 2017, também influenciam para que partidos menores sofram desvantagens. Um exemplo é a proibição da formação de coligações proporcionais, o que permite que um candidato de alguma sigla só seja eleito se alcançar o coeficiente eleitoral. Para Tiago Jacauna, analista político, além desse fator, a distribuição do fundo eleitoral também gera desvantagem aos partidos menores.

"Os partidos tendem a ganhar menos recursos quando eles não têm deputados nem senadores representantes no Congresso Nacional. Então, os partidos menores, com certeza, terão desvantagens nesse cenário principalmente diante de um sistema pluripartidário, que é o nosso, com muitos partidos. Com essa nova regra, a tendência é que alguns partidos pequenos tenham dificuldade em se manter ao longo do tempo", afirmou. 

Helso Ribeiro, cientista político, também analisou a possibilidade de siglas que podem não conseguir representantes na CMM. Para ele, a melhor estratégia que os partidos podem seguir para se manterem ativos é estimular a militância. "Tem partidos que fazem isso muito bem. Promover cursos, tentar sempre filiar novos participantes. Os partidos pequenos sempre tentam promover mais filiados e mantê-los ativos no partido", finalizou. 

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