Fonte: OpenWeather

    Igualdade


    Representatividade feminina dá voz as mulheres na política amazonense

    A presença de mulheres nas esferas políticas, mesmo que sub-representada, é fundamental para garantir propostas voltadas à defesa dos direitos da mulher

     

    Para as parlamentares, a presença feminina nos parlamentos é considerada uma grande conquista
    Para as parlamentares, a presença feminina nos parlamentos é considerada uma grande conquista | Foto: Divulgação

    Manaus - Com cada vez mais mulheres conquistando espaço nos parlamentos municipais, estaduais e federais, a bancada feminina tem levantado pautas sociais voltadas à defesa dos direitos das mulheres, que além de beneficiarem a maior parcela da população, buscam ampliar a rede de apoio para mulheres vítimas de violência doméstica.

    No Amazonas, quatro parlamentares compõem a bancada feminina na Câmara Municipal de Manaus (CMM), entre 41 vereadores, e cinco na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), entre 24 deputados. Para as parlamentares, a representatividade feminina nestes espaços, mesmo que baixa, é considerada uma importante conquista, especialmente para que haja discussão de pautas voltadas às mulheres nas casas parlamentares. 

     

    A parlamentar afirmou ainda que a presença de cinco deputadas na Aleam é um número histórico
    A parlamentar afirmou ainda que a presença de cinco deputadas na Aleam é um número histórico | Foto: Divulgação

    Para Alesssandra Campêlo (MDB), a presença feminina é fundamental para garantir que haja propostas voltadas à defesa dos direitos da mulher, como equiparação salarial e defesa contra violência doméstica. A parlamentar afirmou ainda que a presença de cinco deputadas na Aleam é um número histórico, considerando que já houve mandatos sem nenhuma, e que ainda há muito a se conquistar. 

    "Eu sou muito feliz pelo povo do Amazonas ter me escolhido como representante pelo segundo mandato. Como mulher, a gente sabe que é cada vez mais difícil alcançar esse espaço, uma prova disso é que nós temos hoje cinco mulheres no parlamento, o que já é um grande avanço, porque no mandato anterior eu era a única mulher no parlamento. Mas a gente ainda tem muito a conquistar, as mulheres precisam de mais espaço na política, porque a mulher traz a pauta feminina, da família e da igualdade, queremos garantir dentro da sociedade um direito humano, que é de poder exercer nosso trabalho, poder andar nas ruas, poder receber salários em pé de igualdade com os homens, é por isso que nós lutamos", afirmou. 

    Boas representantes

    Também representante do eleitorado feminino, a deputada Mayara Pinheiro (PP) destacou que mesmo com as bancadas femininas crescendo Brasil afora, ainda é necessário que se continue a luta para que os números cresçam, não diminuam. Para a parlamentar, o eleitorado amazonense tem feito boas escolhas.

    "Sem dúvidas estamos vivendo um momento político histórico no Brasil quando se trata da participação feminina. No Estado do Amazonas, a bancada feminina tem mostrado o valor destas guerreiras com uma legislatura propositiva e atuante. Entendo que temos avançado bem na representatividade feminina na política, mas ainda há muito a ser feito. Os bons exemplos de mulheres na gestão pública tem que ser enaltecidos e precisam ser levados em consideração nas urnas. Considero que o Amazonas tem feito sua parte, a ponto de termos quase um quinto da Casa Legislativa composta por mulheres a partir de fevereiro", defendeu a parlamentar.

     

     Para a parlamentar, o eleitorado amazonense tem feito boas escolhas
    Para a parlamentar, o eleitorado amazonense tem feito boas escolhas | Foto: Divulgação

    Para a deputada Therezinha Ruiz (DEM), o grande desafio enfrentado pelas mulheres que almejam conquistar uma vaga no parlamento é a desigualdade em relação à figura masculina, quando se fala em recursos e tratamento diferenciado. 

    "Os homens ainda têm uma abertura maior no partido, mais recursos, nos partidos, essa equiparação, na prática, não existe. Para conquistar é preciso que a gente enfrente, procurando cada vez mais atingir um trabalho integrado. É importante que a gente estude a questão política, partidária, mas não é difícil. É importante que a gente tenha coragem, disposição, pra enfrentar os diferentes quadros que se apresentam", ressaltou a deputada.

    Recém-chegada à Aleam, Nejmi Aziz (PSD) afirmou que mesmo com as barreiras impostas às mulheres, em diferentes cenários, espera que, sua atuação no legislativo estadual possa inspirar mais mulheres, para que façam valer a voz feminina para a mudança cultural e formação igualitária. Aziz explicou que é um trabalho conjunto, entre eleitoras e parlamentares.

    "Acredito que as mulheres possuem tudo para conquistar cargos políticos, mas precisam se sentir motivadas e vocacionadas para construir carreira na política e, principalmente, com vontade de servir a população na construção positiva do seu município, estado e país. A vida política ainda é restrita às mulheres e isso é uma realidade brasileira. Há muitas barreiras, mas nada que impeça o fortalecimento e construção da participação da mulher no cenário político. Porém quando juntamos mulheres fortes em um trabalho coletivo, revelamos uma força espetacular para fazer acontecer, sem desprezar o trabalho masculino essencial na política. Acredito no equilíbrio destas forças", afirmou a parlamentar. 

    Direitos

    Nos últimos anos no parlamento estadual, as deputadas já consagraram leis que atendem os direitos das mulheres, como a Lei nº 5.185/2020, que garante a igualdade salarial entre homens e mulheres nas empresas que contratarem com o Poder Público Estadual, da deputada Alessandra Campêlo. Também é de autoria da deputada, a Lei nº 5.010/2019, que obriga hospitais públicos e privados a comunicarem às delegacias de polícia quando atenderem casos de idosos, mulheres, crianças e adolescentes vítimas de agressões físicas e sexuais.

    Destacam-se ainda as leis nº 5.285/2020, que prevê a disponibilização na internet da lista de pessoas condenadas por crime de violência contra a mulher e a nº 5.343, que obriga condomínios residenciais, conjuntos habitacionais e congêneres a comunicar à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher sobre casos de agressões domésticas contra mulheres, ambas da deputada Mayara Pinheiro.  

    CMM estancada

    Há pelo menos dois pleitos, apenas quatro vereadoras conseguiram ser eleitas. Há quase 20 anos no meio político, a vereadora Glória Carrate (PL) relacionou a baixa representatividade à visão, ainda preconceituosa, de muitas eleitoras. A parlamentar destacou que chegar a um cargo político ainda é difícil, porém não impossível.  

     

    Carrate destacou que chegar a um cargo político ainda é difícil, porém não impossível
    Carrate destacou que chegar a um cargo político ainda é difícil, porém não impossível | Foto: Divulgação

    "Mesmo sendo um apanhado muito pequeno, é um incentivo muito grande, acho muito válido a mulher ser uma representante. Eu falo hoje, quando eu chego nos bairros, comunidades, que eu fui vendedora e hoje sou uma representante do povo, que sirva de exemplo para muitas mulheres, jovens, que têm essa força de vontade. As dificuldades são muitas quando a gente chega ao poder. No parlamento eu sou muito respeitada pelos meus colegas, mas ali na Câmara não tem sexo frágil, a disputa é acirrada. Nossa representatividade é pequena porque a própria mulher eleitora ainda tem um preconceito para votar em mulher, é muito difícil isso, já fizemos várias pesquisas", destacou Carrate.

     

    Lippy defendeu que só há conquista, quando há luta
    Lippy defendeu que só há conquista, quando há luta | Foto: Divulgação

    A vereadora Thaysa Lippy (Progressistas), em seu primeiro mandato, defendeu que só há conquista, quando há luta, se referindo à visão que muitos ainda têm de que o lugar da mulher não é na política. Lippy afirmou que a defesa de políticas públicas voltadas às mulheres só é defendida quando se há uma ampliação do quantitativo de mulheres nas casas parlamentares.

    "Muitas mulheres não se interessam pela política por vários motivos: primeiro porque é cultura a mulher ter o perfil de cuidar de casa, dos filhos, dos afazeres domésticos e o homem assumir comandos no Poder. E essa falta de interesse acarreta na falta de mulheres na política. Claro, precisamos incentivar a mudar esse cenário. As conquistas só existem, se tivermos uma luta. E o interesse por políticas públicas voltadas para as mulheres só será ampliado se tivermos mais mulheres participando dentro das casas legislativas e até no Poder Executivo. Esse debate ainda se encontra muito distante do desejado", defendeu.

    Eleitorado representado

    As mulheres representam mais da metade cerca de 51,%, dos 2,5 milhões de eleitores aptos a votar em 2020, no Amazonas. A médica Eliza Souza, 52, afirmou que acompanha a atuação das representantes políticas no Amazonas e acredita que elas têm exercido bons mandatos nos últimos anos. Além disso, a eleitora também afirmou que no período de eleições, a população tende a desconsiderar bons nomes que chegam a concorrer aos cargos.

    "É inegável que nós, mulheres, não temos a representação que deveríamos ter, em nenhum campo. O crescimento desse número na política, quando há, tem sido ínfimo e não apenas no Brasil, mas em muitos outros países. Considerando as [parlamentares] que temos aqui no estado e em Manaus, acredito que temos boas opções, quem acompanha pode perceber isso, as ações e projetos propostos. Não são as melhores do mundo, mas é o melhor que conseguimos, e isso a população tem uma parcela de culpa porque temos muitas opções boas que não são levadas em consideração pelos cidadãos", afirmou.

    Leia Mais:

    Deputadas federais defendem reserva de vagas no Legislativo

    Bancada feminina cresce na Aleam e deputadas alinham pautas

    Candidaturas femininas crescem, mas ainda não representam o eleitorado