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    Com a palavra


    'Precisamos preparar escolas e famílias contra Covid', diz Dione

    Em entrevista ao Em Tempo, Dione discorreu sobre suas principais bandeiras: educação, saúde e direitos das crianças cardiopatas

     

    Eleito ao cargo de vereador de Manaus com 3.919 votos, Dione Carvalho (Patriota) é assistente social e fundador da Associação das Crianças Cardiopatas do Amazonas
    Eleito ao cargo de vereador de Manaus com 3.919 votos, Dione Carvalho (Patriota) é assistente social e fundador da Associação das Crianças Cardiopatas do Amazonas | Foto: Brayan Riker

    Eleito ao cargo de vereador de Manaus com 3.919 votos, Dione Carvalho (Patriota) é assistente social e fundador da Associação das Crianças Cardiopatas do Amazonas (APAC), onde ocupou a presidência da Associação por 17 anos. Em seu primeiro mandato, o parlamentar é filiado ao Patriota e membro da Comissão de Saúde na Câmara Municipal de Manaus.

    Em entrevista ao Em Tempo, Dione discorreu sobre suas principais bandeiras: educação, saúde, direitos da criança e segurança pública.

    EM TEMPO - Como parlamentar de primeiro mandato, quais foram os principais desafios enfrentados nesses primeiros meses na Câmara?

    Dione Carvalho: Foi um período muito difícil que nós vivemos, e agora graças a Deus está começando a melhorar. Confesso que foi muito difícil. assumimos no meio do pico da pandemia, segunda onda. Como sou assistente social e paramédico tive que ficar na linha de frente

    Os pacientes solicitavam medicação e oxigênio, e corríamos atrás disso em órgãos e secretarias juntamente com o presidente da associação dos pais de crianças cardiopatas Lucas Mendes pedidos de homecare (tratamento em casa), e conseguimos tratar em torno de 250 pacientes com equipes multidisciplinar médico, enfermeiro, fisioterapeuta

    Em casos mais complexos, implementamos enfermarias dentro da própria residência dos pacientes. Essa foi uma medida que encontramos para auxiliar indivíduos que lutavam por leitos nos hospitais de Manaus.

     

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    ET - O vereador foi eleito pela campanha em prol de pacientes cardiopatas. Como surgiu seu desejo de lutar pela causa?

    DC: É uma pergunta que mexe muito comigo. A história começou 17 anos atrás, quando minha filha foi a primeira criança cardiopata a ser tratada – por ordem judicial. Na época, ela ficou em coma por 8 meses. Naquele tempo não havia tantos recursos quanto hoje em dia, como é o caso de eco-cardiogramas.

    Minha filha ficou muito tempo internada e entubada, e fiz uma promessa a Deus naquele momento: se ele trouxesse minha filha de volta, eu montaria uma instituição para ajudar outras crianças que não tiveram o mesmo privilégio que minha filha. Das cinco crianças que se encontravam no hospital, apenas ela sobreviveu.

      Sei que é muito pouco o que venho fazendo diante do que Deus me deu, mas estou tentado retribuir. A vida de minha filha e de outras crianças não tem preço. Assim, tive a vontade de abraçar a causa e viajei para outros estados para me guiar em projetos e centros de cirurgia de ponta. Em 2007, conseguimos implantar o primeiro Centro de Cirurgias Cardíacas no Amazonas, por meio do Governo do Estado e Susam, no Hospital Santa Júlia. A partir daí, montamos a Associação dos Pais de Crianças Cardiopatas do Amazonas (APAC-AM).  

    ET- Na Câmara, quais seus principais projetos voltados às pessoas cardiopatas?

    DC: Sou o único vereador com mais indicações e projetos aprovados em apenas quatro meses. O primeiro projeto foi a instituição de uma Casa Militar dentro da Câmara Municipal de Manaus, pois antes disso não havia segurança alguma no local. Fiz um levantamento, e descobri que duas mulheres entraram na Câmara e assaltaram o banco local há poucos anos.

    Conseguimos conversar com o presidente da Câmara, alinhamos alguns aspectos e nossa indicação foi aceita. A partir de então, temos segurança armada dentro da Câmara Municipal. O segundo projeto foi a vacinação para crianças cardiopatas. No pico da pandemia, a vacina que o governo federal liberou era apenas para idosos acima de 60 anos. As pessoas abaixo dessa idade, como crianças e adultos cardiopatas, no entanto, ficaram de fora.

    Então, fiz uma indicação ao prefeito David Almeida, que acolheu a ideia e conseguimos aprovar a compra de vacinas para esse grupo, incluindo pessoas com deficiência, autistas e pacientes com comorbidades.

      Já o terceiro projeto diz respeito à criação de um Centro de Imagens municipal. Tive essa ideia por conta do período de pandemia.  

    ET - Quais seus projetos para o transporte público de Manaus?

    DC: Estou realizando um levantamento para um projeto voltado aos portadores de necessidades especiais, como autistas e cardiopatas. Uma das ideias é promover a criação de transportes voltado a esse grupo, pois precisam de cuidados especiais. Existem cardiopatas que não podem dispor de momentos de muita raiva ou estresse, por exemplo.

    Além disso, existem cobradores e motoristas que não estão preparados para lidar com esse tipo de situação, justamente por não entender estas patologias. Não aceito isso de forma alguma, então pretendo implementar linhas de ônibus exclusivas, com veículos novos e adaptados a esses grupos. 

     

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    Há também a má vontade dos empresários no tratamento de nossa população. Se os funcionários não estão habilitados para lidar com pessoas, que saia a concessionária responsável e outra seja contratada. De preferência, uma empresa amazonense que gere emprego para nosso povo. Temos que levar em consideração que estamos lidando com o público.

      Nesse sentido, uma das coisas que me deixa muito preocupado é a segurança. Diariamente, mais de 50 ônibus na cidade de Manaus são assaltados, e é preciso adotar medidas que aumentem a punição para os criminosos. Além disso, existe a situação de falta de manutenção dos veículos, e muitos transitam em condições precárias. Isso coloca em risco os que fazem uso desse transporte. Não podemos permitir que isso aconteça. Pretendo explanar isso no Plenário, e isso depende da maioria dos vereadores.  

    ET - Nessa semana, o senhor e outros vereadores criticaram o plano nacional de imunização que inclui presidiários. Por que motivo o senhor teve esse posicionamento?

    DC: Em nossa sociedade, vivemos em várias classes e categorias de representatividade. Ao meu ver, a prioridade deve ser respeitada. Em primeiro lugar, temos que levar em consideração os profissionais de serviços essenciais, como é o caso de professores, médicos, garis e pessoas que trabalham com transporte público.

    Os detentos, ao meu ver, deveriam estar na última categoria.  Ninguém pediu para os presos cometerem crimes. Cada um planta e colhe o que achar melhor para sua vida, e eles plantaram coisas ruins. Por isso, estão presos e pagando por isso. Não é justo que o trabalhador, que gera economia para nossa cidade e estado, fique de fora. Entre o cidadão de bem e o que está preso, é claro que a prioridade é para o primeiro grupo.

    É uma inversão de valores e princípios morais. Estaremos fazendo apologia à criminalidade, caso a inclusão de presidiários no plano de imunização ocorra.

    ET - Na tribuna da Câmara, o senhor falou sobre o desaparecimento de crianças. Que propostas o senhor tem a esses respeito?

    DC: Chegou ao meu conhecimento a demanda de pais que pedem ajuda para encontrar seus filhos. Nossos assistentes sociais fizeram levantamento, e por meio da investigação, conseguimos resgatar duas crianças.

    Não é uma questão apenas de exploração sexual, mas também de tráfico humano. É preciso de provas materiais para uma manifestação contundente à prefeitura e devida cobrança. Pretendo dialogar com o presidente da Câmara para a criação de uma CPI para investigarmos estes casos.

     

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    Isso me gera uma grande revolta, e uma questão que me deixa preocupado, como pai e parlamentar, é saber porque as autoridades não deram a atenção devida ao caso de crianças sumidas, pois parlamentares de outras esferas não têm interesse em resolver ou buscar saber quem está se beneficiando com essa prática, e quais são os envolvidos.  

    É inadmissível uma criança sumir e ninguém saber seu paradeiro. Se for o caso, vamos acionar até mesmo a Polícia Federal. Estes criminosos, que estão roubando nossos filhos na porta de nossas casas e escolas, devem ser punidos. A maioria dos casos de sequestro acontecem durante o trajeto à escola. Planejamos instalar câmeras de segurança em instituições de ensino, bem como empregar profissionais de segurança nestes locais.

    ET - Qual sua proposta para melhorar as ruas e avenidas de Manaus?

    DC: É um desafio muito grande, mas como vereador e parlamentar preciso mostrar uma solução. A medida que vou indicar ao plenário da Câmara, ao Secretário de Obras e ao prefeito David Almeida é que seja realizado um levantamento das ruas esburacadas, e em cima desta demanda façamos uma ação conjunta para sanar esse problema de vários bairros de Manaus, que se encontram em esquecimento.

    Sabemos que o prefeito não consegue fazer tudo, e algumas ruas acabam sendo esquecidas. Nós, vereadores, estamos aqui para levar essas demandas ao conhecimento de órgãos de controle e prefeitura de Manaus.

    ET - O senhor esteve reunido com o prefeito David Almeida para solicitar a criação de um Centro Municipal de Imagem. Quantas pessoas seriam atendidas, caso essa medida seja aceita pelo Executivo?

    DC: Como assistente social e paramédico, me deparo com muitas demandas, e como vereador isso apenas aumentou. É o caso de pessoas solicitando exames, pois a fila do sistema público de saúde é muito grande. Uma pessoa acometida pela Covid-19, por exemplo, precisa realizar procedimentos como teste rápido, PCR e, principalmente, tomografia do tórax. Muitos pacientes não tiveram esse privilégio.

    Assim, tive a ideia de instituir um projeto que beneficiasse a população no diagnóstico de imagens rápidas. Isso reduziria em 50% a fila do Sistema Único de Saúde estadual. Segundo nossos estudos e levantamentos, seria possível realizar cerca de 150 procedimentos por dia.

    ET - Sabemos que a educação do Brasil passa por diversas dificuldades, e Manaus não é diferente. Como a Câmara pode mudar essa situação?

    DC: A educação na esfera municipal é uma política que devemos dar muita atenção. Temos que melhorar muito, treinar e dar suporte a nossos educadores. Assim, poderemos proporcionar uma educação de qualidade.

      Em uma de nossas reuniões, o prefeito David Almeida demonstrou sua preocupação com a merenda escolar. Eu mesmo, quando criança, ia para a escola apenas para comer. Até hoje temos um índice muito grande de famílias desempregadas pela pandemia da Covid-19, e a economia ficou parada por mais de um ano. Isso trouxe vulnerabilidade para as pessoas que já eram carentes.  

    Uma ação que gostaria de citar é a do Fundo Manaus Solitário, que está implementando um projeto de doação de cestas básicas para famílias carentes. São medidas, que ao meu ver, sabemos que não vai resolver a situação, mas podem aliviar.

    É preciso um olhar mais atento, principalmente, à merenda das crianças. Além disso, precisamos nos preparar para a terceira onda da Covid-19. O fato da diminuição de quedas de óbitos não significa o fim da transmissão. Por isso, devemos preparar escolas, famílias e professores.

    ET - O que a população pode esperar de sua atuação na atuação na Câmara? O senhor pretende tentar uma cadeira no Congresso ou na Assembleia Legislativa do Amazonas?

    DC: Não pretendo, pois quero trabalhar muito na cidade de Manaus, elaborando leis com a participação popular dos cidadãos e famílias de crianças cardiopatas, assim como qualquer pessoa que queira colaborar com ideias.

    Costumo dizer que o mandato não é meu, e sim do povo de Manaus. Sou apenas um trabalhador, e quem paga meu salário é o povo. Estou à disposição para todo e qualquer cidadão, por meio de meu gabinete. Espero realizar um mandato à altura do que a população possa cobrar de mim. Contem comigo para elaborar políticas públicas que façam diferença. Nosso foco é o saneamento básico, educação, saúde e questões sociais.

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