Fonte: OpenWeather

    Operação Sangria


    ‘Tenho convicção da minha inocência’, diz Wilson Lima

    Em nota, o Governo informou que é de total interesse do Estado que os fatos relacionados às investigações em curso na área da saúde sejam esclarecidos.

     

    De acordo com a PF, a operação foi deflagrada com intuito de apurar fraudes e superfaturamento em contratos para instalação da do Hospital de Campanha Nilton Lins.
    De acordo com a PF, a operação foi deflagrada com intuito de apurar fraudes e superfaturamento em contratos para instalação da do Hospital de Campanha Nilton Lins. | Foto: Divulgação

    Manaus - O governador do Amazonas Wilson Lima (PSC) utilizou as redes sociais, nesta quarta-feira (2), para afirmar que é o principal interessado no desdobramento das investigações da Polícia Federal e negou envolvimento em práticas ilícitas envolvendo contratos da Saúde. A declaração foi dada após o cumprimento de mandados de busca e apreensão durante a quarta fase da Operação Sangria. 

      "Não há nenhuma prova contra mim, de que pratiquei qualquer ato de ilegalidade ou de que me beneficiei de recursos públicos. Tenho plena convicção da minha inocência, confio no trabalho da Justiça e tenho certeza que no final das investigações o trabalho vai acontecer", disse o governador.  

    Em nota, o Governo informou que é de total interesse do Estado que os fatos relacionados às investigações em curso na área da saúde sejam esclarecidos.

    O governador Wilson Lima também reitera que, desde o início da pandemia de Covid-19, sua gestão está voltada a preservar a saúde do povo do Amazonas e a salvar vidas, tendo determinado aos gestores estaduais que empreguem todos os esforços possíveis com esse objetivo, sempre pautando as ações públicas pelos princípios da legalidade e da transparência.

    “Desta forma, todos os investimentos feitos pelo Estado no enfrentamento da pandemia têm obedecido os trâmites legais de contratação de bens e serviços, sendo acompanhados de perto inclusive pelos órgãos de controle e também com prestação de contas sobre os gastos rigorosamente detalhados no Portal da Transparência”, finalizou o Governo em nota.

    De acordo com a PF, a operação foi deflagrada com intuito de apurar fraudes e superfaturamento em contratos para instalação da do Hospital de Campanha Nilton Lins. 

    Durante a ação, um secretário de estado, além de empresários foram alvos de mandados judiciais de busca e apreensão e de prisão. A polícia também compareceu à casa do Governador Wilson Lima, em busca de materiais, que pudessem auxiliar nas investigações.

    No AM e RS

    Empresários também foram alvos da Operação. De acordo com a PF, são: Sérgio José da Silva Chalub, Rafael Garcia da Silveira, Frank Andrey Gomes de Abreu, Carlos Henrique Alecrim John e Nilton Costa Lins Júnior,

    As diligências foram deflagradas em locais distintos de Manaus. Além da casa do governador, as buscas também foram realizadas em pontos como a sede da Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM), e casa da família Lins, na frente de onde está situado o Hospital de Campanha de Combate à Covid-19, no conjunto Parque das Laranjeiras, na Zona Centro-Sul. Durante a Operação, também foram deflagradas ações em Porto Alegre (RS). 

    O delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado (DRCOR),  Henrique Albergaria informou que foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, sendo 17 em Manaus e dois em Porto Alegre. Uma pessoa foi presa em Porto Alegre e outras quatro em Manaus. 

    Conforme o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Leandro Almada, durante a operação houve uma intercorrência. Um dos alvos chegou a efetuar disparos de arma de fogo contra os policiais. O local do fato não foi divulgado oficialmente pelo órgão, mas a reportagem apurou que a situação ocorreu na casa do empresário Nilton Lins Júnior, no conjunto Parque das Laranjeiras. Não houve feridos. 

      "A coordenação da Operação recebeu informação dessa interferência na casa de um dos objetos da investigação. Foi realizada perícia no local e tanto os policiais quanto os cidadãos envolvidos estão sendo oitivados. A autoridade policial vai adotar as medidas judiciárias cabíveis. No local foram apreendidas duas armas de fogo, além de demais objetos que ainda estão sob análise", destacou o superintendente.  

    Defesa de Nilton Lins

    Os advogados do empresário Nilton Lins Júnior informaram que por conta de um assalto sofrido anteriormente em sua residência, o empresário Nilton Lins Júnior pensou se tratar de uma nova ocorrência semelhante e disparou dois tiros de alerta dentro de casa. Segundo a nota emitida pelos advogados, não houve feridos e a situação foi prontamente esclarecida diante das autoridades presentes.

    A nota esclarece ainda que o empresário não se dirigiu a nenhum local e permaneceu em sua casa durante toda a manhã acompanhando o desdobramento dos fatos. 

    Os advogados finalizaram informando que o Grupo Nilton Lins segue firme na disposição em colaborar para o esclarecimento dos fatos perante os órgãos e entidades competentes.

    Controladoria Geral da União

    A Controladoria Geral da União (CGU) também deu apoio na quarta fase da Operação Sangria. A superintendente do órgão no Amazonas, Mona Liza Prado Benevides Ruffeil destacou que as irregularidades correram desde a montagem dos processos licitatórios que também contou com superfaturamento de valores.

    "Há serviços básicos pré-contratuais que foram assinados depois da formalização dos contratos. Identificamos direcionamento do contrato ao referido hospital e além de tudo, que as instalações não estavam adequadas para receber de retaguarda pacientes daquele momento na pandemia", declarou Mona Liza.

    Os valores apurados na investigação alcançam a quantia de R$ 22.837.552, somando os contratos. Os indiciados poderão responder na medida das suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato e pertencimento à organização criminosa. Se condenados, poderão cumprir pena de até 24 anos de reclusão.

    Leia mais:

    Senadores do AM são contra a realização da Copa América no Brasil

    Deputados criticam serviços de telecomunicações no Amazonas

    Deputados do AM cobram a tramitação da PEC do fim do foro privilegiado