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    Saúde


    Legislativo estuda punição para "sommeliers" de vacina

    Em Manaus, 25% da população completou o ciclo vacinal, de acordo com dados da Prefeitura. No entanto, diversos casos de desistência da aplicação foram relatados em pontos de vacinação.

     

     

    Neste mês, começou a tramitar na Assembleia Legislativa do Amazonas um projeto de lei que visa punir quem recusar receber a dose disponível no momento.
    Neste mês, começou a tramitar na Assembleia Legislativa do Amazonas um projeto de lei que visa punir quem recusar receber a dose disponível no momento. | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - Desde o início da divulgação de pesquisas envolvendo vacinas contra a Covid-19, as polêmicas relacionadas à segurança dos imunizantes causaram preferência por fabricantes de imunizantes em parte da população - os chamados "sommeliers" de vacinas. E por isso, neste mês, começou a tramitar na Assembleia Legislativa do Amazonas um projeto de lei que visa punir quem recusar receber a dose disponível no momento. Pelo texto do PL 357/21, estes indivíduos poderiam ser vacinados somente após a conclusão do Plano Nacional de Imunização (PNI) ou repescagem. 

    Em Manaus, 25% da população completou o ciclo vacinal, de acordo com dados da Prefeitura. No entanto, diversos casos de desistência da aplicação foram relatados em pontos de vacinação. Em reportagem realizada pelo EM TEMPO, no início deste mês, diversas declarações de "sommeliers" contra a Coronavac foram registrados, assim como a preferência pela Janssen (vacina de dose única). Assim, a autora da proposta, deputada estadual Joana Darc (PL),  explica a importância da medida de punição ao grupo.

     
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    Ao longo da história da humanidade, a vacinação sempre se demostrou ser a maneira mais eficaz de se proteger contra diversas doenças e de diminuir a intensidade dos sintomas. Tornou-se rotineira a divulgação nos diversos meios de mídias de situações de pessoas que se recusam a tomar a dose da vacina contra a Covid-19, conforme o cronograma de vacinação estabelecido por essa Prefeitura Municipal, em razão da marca do imunizante. Neste cenário em que se corre contra o tempo para agilizar a vacinação da população contra a Covid-19, com as doses dos imunizantes ainda limitadas, a recusa da vacinação em razão da marca do imunizante causa prejuízo a toda sociedade "

    , afirmou.

    Alguns municípios brasileiros já aplicam punição em indivíduos que tentam escolher qual marca de imunizante receberão. É o caso, por exemplo, da cidade de São Paulo e outros municípios de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Segundo a Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa), todas as vacinas aprovadas pelo órgão são totalmente seguras. Para o infectologista Nelson Barbosa, a atitude de recusar vacina é extremamente nociva à sociedade. 

    "Agindo desta forma, os 'sommeliers' estão colocando em risco a própria vida, também dos familiares e grupos de convivência. Estão atrasando a imunização, o que pode acarretar mais infecções. O uso de vacina por laboratórios diferentes não está autorizado pela Organização Mundial da Saúde e também pelo Ministério da Saúde, com única exceção do caso das mulheres grávidas, que podem tomar Pfizer independentemente da primeira dose tomada. É muito cedo pra gente tomar certas medidas, pois essa doença vai fazer dois anos. São muitas questões a serem respondidas", disse. 

    Divergências no parlamento

     
    Autora do projeto de lei que pune os "sommeliers", a deputada estadual Joana Darc definiu que estes indivíduos poderiam ser vacinados somente após a conclusão do Plano Nacional de Imunização (PNI) ou repescagem.
    Autora do projeto de lei que pune os "sommeliers", a deputada estadual Joana Darc definiu que estes indivíduos poderiam ser vacinados somente após a conclusão do Plano Nacional de Imunização (PNI) ou repescagem. | Foto: (Divulgação)


    Apesar disso, os movimentos contrários à aprovação do PL partem de vários lados, principalmente pelo fato da punição "interferir no livre arbítrio", conforme os parlamentares que não são favoráveis explicam. Para Sinésio Campos (PT), a iniciativa não seria eficaz e outras medidas podem fortalecer a campanha de vacinação. 

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    Ninguém é obrigado a tomar vacina. Temos nossa liberdade, mas também nossa responsabilidade social. Sou defensor intransigente da vacinação, porém punir dessa forma não é solução. Não levaria a lugar nenhum. Punidos devem ser aqueles que fazem campanha contra a vacina, que espalham notícias falsas e fazem o povo de vítima da desinformação. Estes são os verdadeiros criminosos. Eu, como educador, penso que quem ama, educa. Temos que ampliar nossas ações de conscientização "

    , agurmentou.

     

    A Confederação Nacional de Municípios (CMN) divulgou pesquisa, no início deste mês, revelando que 75,5% das cidades brasileiras registram casos de pessoas escolhendo imunizantes. O levantamento ouviu 5,5 mil prefeitos. Para o deputado Serafim Corrêa (PSD), os números podem ser ainda maiores, porque as pessoas não precisam necessariamente ir aos postos para negar receber uma determinada marca de imunizante. 

    "Ele sabe qual está sendo aplicada, e aí acaba não indo. É difícil dizer qual seria a melhor solução para esse tipo de acontecimento, mas não creio que punir assim seja a maneira adequada. O processo de vacinação precisa ser rápido e sem incidentes. Parar a cada caso só atrapalha. Entendo que é melhor seguir o andamento da fila sem maiores confusões", afirmou. 

    Posição de autoridades

      A Prefeitura de Manaus, através da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), informou por nota que "trabalha com orientações e ações de conscientização, por meio dos canais oficiais de comunicação e redes sociais, esclarecendo sobre a eficácia de todos os imunobiológicos, independentemente de farmacêutica. A Semsa acredita no bom senso da população e, até o momento, não considera a adoção desse tipo de medidas".  

    No Amazonas são mais de 2 milhões de doses aplicadas na população, com cerca de 24% de ciclos vacinais completos no estado. O governador Wilson Lima reforça a segurança dos imunizantes. 

    "Eu faço um apelo às pessoas que se vacinem, independente da vacina que está disponível no mercado. A gente precisa se proteger. Nós não podemos nos dar ao luxo de ficar escolhendo vacina A, B ou C. A gente tem que se vacinar", declarou. 

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