Fonte: OpenWeather

    Eleições 2022


    Em Manaus, base governista convoca atos em favor do voto impresso

    Defensores da pauta argumentam que, desta forma, a lisura do processo será mais "visível" e segura.

     

    | Foto:


    Manaus (AM) -  O movimento conservador no Amazonas, juntamente com outros representantes de partidos de direita, vem articulando, para este fim de semana, atos no estado a favor do voto impresso e auditável, amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde o início de sua campanha eleitoral, ainda em 2018.

    A manifestação se dará em conjunto com uma mobilização nacional do movimento conservador pelo país, que articulou os atos para o dia 1º de agosto. Em Manaus, a reunião será realizada na Avenida das Torres, às 15h, e contará com o apoio de parlamentares favoráveis ao presidente da República. É o caso, por exemplo, do deputado federal Delegado Pablo (PSL), que defende a proposta.

    "

    Já convidei pelas redes sociais a população a participar dos eventos, ou então manifestando-se nas suas páginas e perfis pessoais. Somente o voto impresso permite que seja auditável o processo eleitoral, com transparência dos votos e possibilidade de contagem. Independente de fraudes, aumentar a segurança da democracia é questão fundamental para fortalecer a soberana vontade popular "

    , disse, em entrevista ao Em Tempo.

     

    Além do deputado, o evento também conta com apoio do vereador Capitão Carpê (Republicanos). Segundo ele, a proposta não visa eliminação da urna eletrônica por completo, mas um aprimoramento do sistema.

    "A conferência pública é um direito do povo brasileiro. O sistema de urna eletrônico é moderno, e seguro, mas com a adoção da impressão dos comprovantes de voto, o sistema se tornará melhor auditável, sem que o voto perca seu caráter sigiloso. Haverá uma exigência de que nenhuma informação que identifique o cidadão seja incluída no documento que grava o voto, e sem facilitar fraudes, visto que os dados da urna eletrônica continuarão protegidos", argumentou.

    Entenda o projeto

      De autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), o texto da Proposta de Emenda à Constituição, que tramita na Câmara dos Deputados, explica que as impressões serão conferidas pelo eleitor logo após expedidas para, em seguida, serem depositadas numa urna indevassável para fins de auditoria manual. Defensores da pauta argumentam que, desta forma, a lisura do processo será mais "visível" e segura.  

    Ainda nesta quinta-feira (29), Kicis compareceu a Manaus para a participação em um evento na Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM), onde assinou uma carta de intenções no 2º Fórum Social da Torá Judaico Cristã. O documento, entre outros pontos, defende a implementação do voto impresso.

    "É por nossa liberdade expressão, a nossa liberdade de ir e vir e de ser. Nós estamos vivendo esse momento da história, e nossa maior arma agora é o voto transparente e auditável. Pela paz social e do povo brasileiro, queremos transparência nas eleições. E que Deus nos guie nesse processo", disse, na ocasião.

    Presente no evento, o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos) argumenta que a população brasileira quer garantir a defesa da democracia.

    "Desta forma, não haverá dúvidas. É uma segurança a mais. Será uma medida que garantirá que o Brasil tenha eleições totalmente confiáveis. Com o voto impresso será possível garantir a segurança da votação e a defesa da democracia", afirmou.

    A repercussão da proposta teve origem após supostos indícios, pelo presidente Jair Bolsonaro, a respeito de fraudes no sistema eleitoral brasileiro. Recorrentes, as declarações do chefe de estado foram destaque na última transmissão ao vivo disponibilizada por Bolsonaro nas redes sociais, nesta quinta-feira (29). Na ocasião, ele divulgou vídeos da internet, alegando que serviriam de indícios do mau funcionamento das urnas eletrônicas. No entanto, ao final, ele admitiu não ter provas concretas sobre as fraudes.

    Posicionamento contrário

    Ganhando destaque nos últimos meses, o tema é rechaçado por alguns membros amazonenses que compõem a oposição na Câmara. O deputado José Ricardo (PT), por sua vez, acredita que os esforços do governo não deveriam basear-se numa logística que potencializa gastos, e sim nas soluções para a pandemia.

    "

    Não creio que essa pauta seja importante no momento. É um retrocesso, temos um voto seguro e nunca tivemos problemas. Se existem parlamentares que desconfiam, qual motivo de nunca apresentarem provas? A impressão que dá é que já sabem da derrota na eleição do ano que vem e estão criando uma cortina de fumaça "

    , pontuou.

     

    Alvo de críticas pelo chefe de Estado, o presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, vem rebatendo o discurso em favor do voto impresso. Nesta quinta-feira, Barroso destacou os problemas da contagem de votos em épocas anteriores à implementação da urna eletrônica.

    "Toda eleição no Brasil tinha a suspeição da fraude: naquelas mesas apuradoras com contagem manual de votos, os votos apareciam e desapareciam. Desde 1996, jamais se documentou, na vida brasileira, um episódio de fraude", apontou.

    Leia mais:

    MPF exige estudos de licenciamento ambiental para a BR-319

    Ministério da Saúde lança campanha pelo aleitamento materno

    Legislativo estuda punição para "sommeliers" de vacina