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    Eleições de 2022


    "Serei o candidato de Bolsonaro no Amazonas", diz Coronel Menezes

    EXCLUSIVO: Com foco nas eleições para o Governo do Estado em 2022, Menezes teve o apoio do presidente da República quando foi candidato à Prefeitura de Manaus em 2020

     

     

    À exemplo das eleições para prefeitura de Manaus em 2020, a direita deve entrar em novo embate pelo apoio de Bolsonaro no pleito para governo do Amazonas
    À exemplo das eleições para prefeitura de Manaus em 2020, a direita deve entrar em novo embate pelo apoio de Bolsonaro no pleito para governo do Amazonas | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus (AM) - Entrando em momentos decisivos às vésperas das eleições de 2022, as articulações políticas para ocupar os cargos que estarão em jogo no pleito nacional já são amplamente discutidas. No Amazonas, a disputa pela prefeitura de Manaus em 2020 pode ter dado pistas do que está por vir na região. Em contato exclusivo com a reportagem do EM TEMPO, Coronel Menezes afirmou que será o candidato majoritário do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o Governo do Estado. 

    No cenário atual, a direita amazonense divide-se pelo apoio do Planalto, a exemplo das manifestações bolsonaristas que ocorrerão em localizações diferentes no dia 7 de setembro em Manaus: Romero Reis e outros políticos organizam evento na Ponta Negra, zona Oeste, enquanto Coronel Menezes comanda ato no Centro de Manaus, zona Sul. Porém, mesmo em meio a possíveis desavenças, o chefe do Executivo tem demonstrado suas preferências no Estado, conforme o ex-candidato a prefeito de Manaus, Menezes, explica. 

    "

    Em dezembro e na última vinda do presidente a Manaus, conversamos sobre isso, como sempre fazemos. Ele me disse que eu seria o candidato majoritário dele em 2022 no Amazonas. Ainda não existem conversas avançadas com nenhum partido, mas dou a certeza de que estarei no partido que o presidente Bolsonaro filiar-se "

    , declarou.

     

    Disputa antiga

    Em 2020, Menezes foi candidato à Prefeitura de Manaus pelo Patriotas, ficando em quinto lugar no pleito com 110 mil e 805 votos, tendo apoio declarado de Jair Bolsonaro. À época, Romero Reis (sem partido), que ainda estava filiado ao partido Novo, também aliado do presidente, disputou as atenções do Planalto durante a eleição. Desde então, os dois protagonizaram discussões acaloradas nas redes sociais e 'racharam' a direita manauara - por conseguinte no Amazonas. Ainda assim, Menezes descarta qualquer desentendimento em prol da aliança com Jair Bolsonaro.

     
    O deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos) acredita que ainda é cedo para falar do pleito em 2022
    O deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos) acredita que ainda é cedo para falar do pleito em 2022 | Foto: Divulgação

    Já no âmbito nacional, o vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal, deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos), disse ainda não pensar no pleito para 2022, mas coloca-se prontamente disponível aos interesses do presidente e da população amazonense para cumprir os anseios da sociedade no atual mandato. 

    "

    Ainda está cedo para falar de eleições. O partido ainda está em tratativas, mas neste momento não temos informações para divulgar. Na hora certa vamos repassar todos os detalhes. Hoje estou totalmente focado no mandato, em buscar benefícios para população amazonense. Vou apoiar o nosso presidente e ajudar da melhor maneira possível "

    , disse.

     

    Questionado pela equipe de reportagem do EM TEMPO, o parlamentar não quis comentar a fala de Menezes sobre a escolha do Coronel como candidato majoritário pelo presidente: "Não tenho nada a declarar sobre isso", completou. 

    "Racha" na direita manauara

    Como destacado pela equipe de reportagem na última semana, os dois atos em favor do presidente Jair Bolsonaro, que ocorrerão no dia 7 de setembro em Manaus, não conversam entre si.  Segundo os líderes, o ato reivindicará, principalmente, a "liberdade" que, segundo os apoiadores do presidente, está em perigo devido às ações recentes do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Para Menezes, os eventos na capital deveriam 'conversar', porém os responsáveis pelo ato na Ponta Negra não se dispuseram ao diálogo.

    "Não sei exatamente de quem partiu a decisão para que os eventos não se unissem. Certamente de alguém que não tem luz e deseja aparecer. A ideia principal era juntar os dois eventos, para mostrarmos o maior apoio possível ao presidente. A nossa liberdade está em xeque, temos que fazer algo" ,disse, afirmando que sua proposta sempre foi de unir as manifestações.

    A postura de separação dos conservadores em Manaus pode dar indícios de clara divisão de votos nas eleições de 2022. Segundo Sérgio Kruke, líder do Movimento Conservador Amazonas, os participantes do ato realizado na Ponta Negra usarão a data simbólica como mero 'trampolim' político visando o pleito futuro. 

     
    Líder do Movimento Conservador do Amazonas, Sérgio Kruke acredita em motivações políticas no ato da Ponta Negra
    Líder do Movimento Conservador do Amazonas, Sérgio Kruke acredita em motivações políticas no ato da Ponta Negra | Foto: Divulgação

    "Somos totalmente independentes da outra manifestação. Nós descobrimos que os políticos aqui de Manaus querem usar o ato para palanque. Quem está se mobilizando para esse evento da Ponta Negra é o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos), Capitão Carpê (Republicanos), Chico Preto (sem partido) e outros. Eles não estão com intuito de fazer o melhor para o Brasil, e sim para o lado pessoal político. As pessoas que vão para a Ponta Negra verão um palanque político armado para fortalecer o nome desses políticos que estão indo para lá. Conosco, eles não tem espaço", afirmou. 

    União momentânea

    Em visita a Manaus na última semana, o presidente Jair Bolsonaro cumpriu agenda ao lado do prefeito David Almeida (Avante) na inauguração de 500 moradias populares no Condomínio Manauara 2, no bairro Santa Etelvina, zona Norte de Manaus. Apesar do "racha" na direita amazonense, ele estava acompanhado, simultaneamente, por Capitão Alberto Neto e por Coronel Menezes, que participaram do evento desde a chegada de Bolsonaro ao Aeroporto Eduardo Gomes.

    Na ocasião, os desentendimentos a respeito das manifestações ainda não estavam expostos. Porém, Coronel Menezes já deixava claro que era o escolhido pelo presidente para realizar articulações no Amazonas. 

    "Vou deixar bem claro que esse evento do presidente foi uma articulação política minha com o prefeito. A agenda é minha! Quem está trazendo o presidente sou eu, por uma solicitação minha. Eu que articulei essa visita a Manaus, com o prefeito David Almeida. O importante é que o presidente está aí. Mas se nós não tivéssemos articulado, o presidente não teria vindo", declarou, à época.

    Conforme explica o cientista político Carlos Santiago, os interesses pessoais ainda falam mais alto que os projetos partidários no país e isso inclui o cenário da direita amazonense. 

    "

    A política no Brasil e no Amazonas se faz via personalismo, tanto faz ser no campo da direita, esquerda ou centro. Tudo envolve interesses pessoais, muito mais do que os interesses ideológicos e partidários. Tanto é verdade que no Amazonas mesmo um grupo de pessoas e partidos se declarando de direita, eles estão divididos e separados. Se Romero Reis estivesse realmente do lado de Bolsonaro, ele teria apoiado Coronel Menezes em 2020 e aberto mão de sua candidatura, pois o presidente já havia declarado apoio a Menezes "

    , analisou.

     

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