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    CMM


    População reprova "puxadinho" de R$ 32 milhões na Câmara de Manaus

    A justificativa para a construção de um novo prédio anexo, segundo o presidente da Câmara, é o espaço reduzido nos gabinetes para a devida realização de atividades dos vereadores


     

    O presidente da Casa, vereador David Reis, toma a dianteira do movimento a favor da obra, enquanto Rodrigo Guedes (PSC) critica publicamente o orçamento do novo espaço
    O presidente da Casa, vereador David Reis, toma a dianteira do movimento a favor da obra, enquanto Rodrigo Guedes (PSC) critica publicamente o orçamento do novo espaço | Foto: Divulgação


    Manaus (AM) -  As discussões sobre a construção de prédio anexo no âmbito da Câmara Municipal de Manaus (CMM), anunciada recentemente pelo presidente da Casa, vereador David Reis (Avante), ganham proporções cada vez mais acaloradas. A equipe do EM TEMPO foi às ruas para questionar a população sobre o debate das obras avaliadas em cerca de R$ 30 milhões, que sairiam diretamente dos cofres públicos. A reprovação dos entrevistados em relação ao novo espaço foi unânime.

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    Isso é muito dinheiro. Os vereadores deveriam pegar essa verba e fazer uma obra para a população. Eu sou totalmente contra, pois a população está precisando de espaço público. Para gastar dinheiro do povo é muito fácil. Se falta espaço para gabinete, quais os motivos de não repararem isso antes? "

    , disse Ademir Costa, profissional autônomo.

     

    Em seguida, a autônoma Vanda Lopes também criticou a proposta presidente da Câmara do vereador David Reis e apontou setores que merecem mais investimentos por parte do poder público municipal. 

    "É uma vergonha. A Câmara Municipal tem mais é que incentivar o povo. O trabalho informal aqui no Centro da cidade está largado. Os vereadores deveriam vir para rua, socorrer o comércio, pois nós estamos gritando por ajuda. O valor está altíssimo! Com tantos prédios públicos abandonados, bastava reformar ou fazer uma adaptação", declarou. 

    Polêmica, a proposta também é rechaçada por internautas nas redes sociais.


    Justificativa

    O presidente da Casa, vereador David Reis, toma a dianteira do movimento a favor da obra, enquanto Rodrigo Guedes (PSC) critica publicamente o orçamento do novo espaço. Nesta terça-feira (14) o EM TEMPO entrou em contato com os dois vereadores para entender o entrave. 

    Ainda em agosto, Reis publicou autorização de contrato com empresa especializada em construção civil no Diário Oficial da CMM, para que a obra fosse realizada. Durante recesso parlamentar de 11 dias, o presidente da Casa abriu processo licitatório da construção que ainda está em curso. Ele explica as motivações para defender o novo prédio.

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    "Não existe equidade na ocupação dos gabinetes parlamentares. Alguns vereadores ocupam gabinetes com, em média, 30 metros quadrados. Mas existem outros, cujo espaço do local de trabalho é de pouco mais de 25 metros quadrados. A maioria deles precisa manter estruturas externas para abrigar suas equipes e realizar atendimento. Também falta espaço para abrigar as comissões permanentes. Atualmente apenas duas possuem espaço para o público, enquanto as demais não possuem sequer espaço para se reunir semanalmente "

    , declarou.

     

    O presidente da Câmara ainda minimizou as críticas sofridas por parlamentares como Rodrigo Guedes e  Amom Mandel (sem partido), contrários à obra. No entendimento de David Reis, o apoio da CMM é amplo no tema e o pregão deve acontecer ainda neste mês. 

    "No universo de 41 vereadores, oficialmente e em plenário, até agora, apenas um vereador se manifestou contrário ao projeto (Rodrigo Guedes). Outros por rede social (Amom Mandel). A maioria apoia a construção do novo prédio do parlamento municipal", completou. 

    Oposição

    Crítico ferrenho à proposta, Rodrigo Guedes argumenta que os valores da obra chegariam a cerca de R$ 30 milhões e "não importam para a população manauara". Nesta quinta-feira (16), durante entrevista coletiva concedida à imprensa, o vereador declarou publicamente que protocolará, até esta sexta-feira (17), Ação Popular na Vara da Fazenda Pública Municipal da Justiça do Estado do Amazonas  contra a construção da obra.

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    Não há nenhuma necessidade da construção de novo prédio para gabinetes de vereadores, no meu ponto de vista. Chega a ser um escárnio com a população! Acho que todos deveriam ouvir o povo manauara, que certamente não admite isso. Enquanto isso, temos diversos pontos públicos abandonados que precisam de investimento "

    , pontuou.

     

    A ação judicial do parlamentar também conta com apoio e assinatura do vereador Amom Mandel, que considera não existirem explicações plausíveis para uma construção com valor tão alto, oito vezes maior que o custo total do primeiro anexo da CMM.

    "Sou contra qualquer tipo de gasto exorbitante nesse momento econômico pelo qual Manaus e o Brasil passam. Assino a ação de consciência limpa, por entender que uma obra de R$ 32 milhões enquanto ainda lutamos contra uma pandemia, contra a fome e desemprego que atingem mais de 14 milhões de brasileiros é inconcebível nesse momento”, disse. 

    Além da construção do prédio anexo, o vereador David Reis autorizou o aluguel de 41 carros, modelo picape, na última sexta-feira (10). A empresa contratada para prestar o serviço também será definida através de pregão presencial no próximo dia 20 de setembro e os valores só serão conhecidos após o resultado.

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