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    Corrupção


    Família Pinheiro é denunciada por desvio de verba na saúde de Coari

    Suposto esquema da Prefeitura de Coari com empresa de farmacêuticos teria desviado cerca de R$ 28 milhões, e envolve assessora da deputada estadual Mayara Pinheiro.

     


     

    Eleita a deputada estadual mais votada no Amazonas em 2018, Mayara Pinheiro é filha do ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e sobrinha da atual prefeita do município.
    Eleita a deputada estadual mais votada no Amazonas em 2018, Mayara Pinheiro é filha do ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e sobrinha da atual prefeita do município. | Foto: Reprodução

    Manaus (AM) - Em meio a diversas polêmicas, a família Pinheiro conta com uma nova denúncia, dessa vez a respeito de um suposto esquema milionário de corrupção envolvendo uma empresa de farmacêuticos que teria recebido cerca de R$ 28 milhões da Prefeitura de Coari. A representação da notícia-fato foi apresentada ao Ministério Público do Amazonas nesta sexta-feira (20) pelo principal líder de oposição ao Executivo Municipal, Robson Tiradentes Jr (PSC).

    Segundo ele, além do Hospital Regional de Coari reclamar da falta de médicos e medicamentos, o grupo que recebeu a verba pertence à família da assessora da deputada Mayara Pinheiro (Progressistas). A RD Comércios de Produtos Farmacêuticos Ltda, conforme documento apresentado por Tiradentes e apurado pelo portal EM TEMPO, recebeu a quantia milionária de R$ 28.477.229, 80 (vinte e oito milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e vinte e nove reais e oitenta centavos) da Prefeitura de Coari em menos de um ano de contrato para fornecer medicamentos e materiais hospitalares ao município.

    A empresa consta no nome de Dulce Gisella Barroso, filha de Giselle Barroso, que é assessora da deputada estadual Mayara Pinheiro (Progressistas). A parlamentar, por sua vez, é filha do ex-prefeito Adail Pinheiro e sobrinha da atual prefeita de Coari, Dulce Menezes (MDB). O advogado da equipe jurídica de Robson Tiradentes, Raione Cabral, elucida parte do imbróglio. 

    "

    Além de filha da assessora da Mayara Pinheiro, [a denunciada] também é filha de Raimundinho, um dos laranjas conhecidos de Adail Pinheiro, o pai. Soubemos disso tudo por fontes que trabalhavam com estas pessoas e, a partir daí, fomos para investigação. Além do Ministério Público, entramos com uma representação juntamente ao Tribunal de Contas do Estado "

    , disse.

     

    Além de todos os entraves, Dulce Gisella é médica lotada em Coari, mas segundo registros do DataSus - serviço de informática do Sistema Único de Saúde -, também é contratada no município de Anori e ainda realiza residência médica em São Paulo.

    Rachadinha

    A gestão Pinheiro no município acumula diversas denúncias de corrupção, em especial com relação ao patriarca Adail, condenado penalmente pela prática de pedofilia e principal líder do "Império de Coari", conforme exposto em reportagem do EM TEMPO. No âmbito da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Mayara Pinheiro também desperta a atenção do Ministério Público, que apontou "fortes indícios" de funcionários fantasmas no gabinete da deputada, além da prática de rachadinha.


     

    | Foto: Reprodução

    Eleita a deputada estadual mais votada do Amazonas em 2018, com mais de 50 mil votos, Mayara Pinheiro defendeu-se das acusações através de nota, na última semana. 

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    Sobre a notícia-fato apresentada ao Ministério Público por nossos opositores em Coari sobre acusação de fantasmas e rachadinha em meu gabinete, informo não se passar de mais uma tentativa fraudulenta de por dúvida ao trabalho firme que realizo em favor do Amazonas "

    , declarou.

     

    As conexões da família Pinheiro à esquemas de corrupção somam-se aos montes, tanto que o Ministério Público (MP) decidiu por agrupar tal denúncia a cerca de mais oito em processo único. O objetivo é investigar Mayara e outros membros do grupo. 

    Desde maio, o MP recebeu denúncias que apontam um esquema que envolve pelo menos 12 familiares e parentes de Mayara. Entre eles, há até moradores em países estrangeiros, como no Canadá e Portugal. Diante do material que tem em mãos, a promotora Cley Barbosa Martins, responsável pelo caso, disse ser “altamente provável a existência de uma organização criminosa” no gabinete da deputada.

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