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    Minério


    AM tem potássio para abastecer o mundo de fertilizantes, diz deputado

    “A solução para o desabastecimento do Brasil e até do mundo, em relação a produção de fertilizantes, está no Amazonas”, afirma Fausto Jr.

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - A agricultura brasileira vive um impasse devido à falta de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa 96,5% do cloreto de potássio que utiliza para fertilização do solo. Também ostenta o título de maior importador mundial de potássio, com 10,45 milhões de toneladas adquiridas em 2019, de acordo com dados do Ministério da Economia.

    O Amazonas voltou a ser lembrado na última sexta-feira pelo deputado Fausto Júnior. (MDB). “A solução para o desabastecimento do Brasil e até do mundo, em relação à produção de fertilizantes, está no Amazonas”, afirma Fausto Jr, em referência as enormes jazidas de potássio encontradas no Estado. 

     

    O Brasil é o maior importador de potássio do mundo
    O Brasil é o maior importador de potássio do mundo | Foto: Divulgação

    Para o deputado o Amazonas tem capacidade de extrair potássio — que é o maior componente do fertilizante — para todo mercado brasileiro nos próximos 50 anos. "Proponho uma força tarefa para destravar essa cadeia que precisa ser desenvolvida urgentemente. Vamos lutar para desburocratizar e aumentar os incentivos para essas indústrias.

    A alternativa, além de salvar o Brasil do desabastecimento, do aumento no valor dos alimentos e da inflação, vai gerar emprego, renda para o interior do Amazonas e garantir comida no prato dos brasileiros”, publicou o deputado estadual Fausto Jr. em suas redes sociais.

    Agricultura depende de fertilizantes

    No ano passado, em meio à pandemia, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor agrícola cresceu 2%. Segundo estimativas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP), o agribusiness poderá responder por mais de 30% do PIB em 2021. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima uma safra recorde de grãos, cereais e sementes oleaginosas para 2021. Mas o resultado do setor na balança comercial do país seria bem mais favorável se a dependência de insumos importados para a produção de fertilizantes diminuísse. Com o novo boom das commodities, o Brasil se vê na urgência de aumentar a produção nacional de insumos agrícolas

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    Mineral abundante no Amazonas

    O Serviço Geológico do Brasil, empresa pública ligada ao Ministério de Minas e Energia, já identificou na Bacia do Amazonas novas ocorrências e ampliou em 70% a potencialidade sobre depósitos de sais de potássio, ou silvinita, como é denominado o mineral cloreto de potássio, do qual se extrai o potássio (K).

    Essencial para qualquer tipo de cultivo, o potássio é um dos minérios mais importantes para a indústria de fertilizantes. O mineral é largamente utilizado para aumentar a produtividade no campo e, juntamente com o nitrogênio e o fósforo, forma a tríade presente nas formulações NPK.

    De acordo com o Informe Avaliação do Potencial de Potássio no Brasil - Área Bacia do Amazonas, setor Centro ­Oeste, Estado do Amazonas e Pará, até o momento, pode-se afirmar a existência de depósitos em Nova Olinda do Norte, Autazes e Itacoatiara, com reservas em torno de 3,2 bilhões de toneladas de minério, além de ocorrências em Silves, São Sebastião do Uatumã, Itapiranga, Faro, Nhamundá e Juruti.

    Na região de Autazes, o minério pode ser encontrado a profundidades entre 650m a 850m, com teor de 30,7% KCl. Em Nova Olinda, a profundidade varia em torno de 980m e até 1200m, com teor médio de 32,59% KCl.

    Impacto para o setor agrícola

    De acordo com o diretor de Geologia e Recursos Minerais, do Serviço Geológico do Brasil, Marcio Remédio, caso esses depósitos já identificados entrem em produção, o impacto para o setor agrícola e para produção de fertilizantes no Brasil pode ser imediato. “A expectativa é que, ao reduzir a importação de fertilizantes, o insumo torne-se mais barato e acessível, eliminando custos de transporte e logística”, explicou.

    O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ressaltou a importância do trabalho que o Serviço Geológico do Brasil tem prestado para viabilizar insumos tão necessários para o desenvolvimento do país. “O Brasil é conhecido mundialmente por ser uma potência agroambiental, atendendo parte significativa da demanda mundial e crescente de alimentos. A pesquisa voltada a minimizar a dependência de agrominerais importados é uma ação estratégica e uma meta do Programa Mineração e Desenvolvimento, recentemente lançado.”

    Neste ano, o mercado do potássio entrou em alerta devido à crise política em Belarus, maior fornecedor mundial da commodity, levando à elevação de preços e preocupação com o fornecimento do insumo. 

    O secretário de Geologia e Transformação Mineral, Alexandre Vidigal, lembrou dos benefícios, além do agronegócio e da economia do país, que a atividade mineral pode gerar em âmbito regional, como a criação de novos empregos, melhoria na renda da comunidade local e mais arrecadação nos municípios produtores, que passam a receber a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).



    Veja o vídeo do deputado Fausto Júnior: 

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