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    Pronunciamento


    Bolsonaro critica governadores e diz que povo quer voltar a trabalhar

    Bolsonaro completou dizendo que, como presidente da República, seu dever é "olhar o todo, e não apenas uma parte", tomando decisões "de forma ampla"

    Bolsonaro afirmou que o compromisso do Governo Federal sempre foi com o combate ao desemprego
    Bolsonaro afirmou que o compromisso do Governo Federal sempre foi com o combate ao desemprego | Foto: Reprodução

    Em pronunciamento na TV e no rádio, na noite desta quarta-feira (08), o presidente Jair Bolsonaro voltou a atribuir a crise financeira, provocada pelo novo coronavírus, às medidas de isolamento decretadas por governadores e prefeitos, para conter o avanço da doença. Bolsonaro afirmou que o compromisso do Governo Federal sempre foi com o combate ao desemprego e disse que não foi consultado por estados e municípios.

    "Sempre afirmei que tínhamos dois problemas a resolver, o vírus e o desemprego, que deveriam ser tratados simultaneamente. Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O Governo Federal não foi consultado sobre sua amplitude ou duração", declarou Bolsonaro.

    O presidente ressaltou que, em sintonia com o posicionamento que vem defendendo, a maior parte da população também apoia o fim das medidas restritivas e a retomada das atividades: "Tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros quer voltar a trabalhar. Esta sempre foi a minha orientação a todos os ministros, observadas as normas do Ministério da Saúde".

    Como no último pronunciamento, no dia 31 de março, Jair Bolsonaro citou trechos do discurso do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, para reforçar o argumento de que os mais pobres sofreriam mais com o desemprego provocado pelas quarentenas do que com a própria Covid-19. "Os mais humildes não podem deixar de se locomover para buscar o seu pão de cada dia. As consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença. O desemprego também leva à pobreza, à fome, à miséria, enfim, à própria morte", alegou.

    Bolsonaro completou dizendo que, como presidente da República, seu dever é "olhar o todo, e não apenas uma parte", tomando decisões "de forma ampla" e que, da mesma forma, tem instruído a equipe de ministros do Governo. E alertou: "Todos [os ministros] devem estar sintonizados comigo".

    O presidente também voltou a defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com a Covid-19, e parabenizou o médico do Hospital Sírio-Libanês, Roberto Kalil, por ter admitido o uso do medicamento na fase de recuperação da doença. "Após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos 40 dias, a possibilidade de tratamento da doença desde sua fase inicial. Há pouco, conversei com o doutor Roberto Kalil. Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o Juramento de Hipócrates, ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina, bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos. Nossos parabéns ao doutor Kalil", expôs.

    Além disso, Bolsonaro anunciou uma parceria com a Índia para a produção do medicamento. Segundo ele, após conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi, o governo indiano teria concordado em enviar ao Brasil, ainda nesta semana, insumos para a fabricação da hidroxicloroquina. "Fruto de minha conversa direta com o primeiro-ministro da Índia, receberemos, até sábado, matéria-prima para continuarmos produzindo a hidroxicloroquina, de modo a podermos tratar pacientes da Covid-19, bem como malária, lúpus e atrite. Agradeço ao primeiro-ministro, Narendra Modi, e ao povo indiano, por essa ajuda tão oportuna ao povo brasileiro", informou.

    O presidente ainda destacou as medidas econômicas do Governo Federal implementadas nos últimos dias, como o auxílio emergencial, no valor de 600 reais, para trabalhadores sem renda; a liberação de crédito para micro e pequenas empresas; e os novos saques do Fundo de Garantia, no valor de até R$ 1.045: "A partir de amanhã, começaremos a pagar os 600 reais de auxílio emergencial para apoiar trabalhadores informais, desempregados e microempreendedores, durante três meses. Concedemos, também, a isenção do pagamento da conta de energia elétrica aos beneficiários da tarifa social. Disponibilizamos 60 bilhões de reais, via Caixa Econômica Federal, para capital de giro destinados a micro, pequenas e médias empresas e à construção civil. Autorizamos ainda, para junho, um saque de até R$ 1.045 ao que têm conta vinculado ao FGTS".

    Jair Bolsonaro encerrou o pronunciamento afirmando que pretende deixar ao sucessor dele um "Brasil muito melhor" do que aquele que encontrou no início do mandato e, por fim, recitou um versículo da bíblia: "Sigamos João 8:23, `E conhecerei a verdade, e a verdade vos libertará`!".

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