Inelegível


Justiça eleitoral do Rio decide tornar Crivella inelegível

Julgamento foi retomado no início desta quinta-feira. Prefeito do Rio ainda pode entrar com recurso no TSE

A defesa de Crivella deve entrar com recurso para reverter a decisão no TSE
A defesa de Crivella deve entrar com recurso para reverter a decisão no TSE | Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil

O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) decidiu nesta quinta-feira (24 set) tornar Marcelo Crivella inelegível já nas eleições de 2020. O atual prefeito da capital fluminense pretende tentar a reeleição no pleito de novembro.

A decisão foi por unanimidade. No início do julgamento, o placar estava em 6 a zero contra Crivella, faltando apenas o voto do desembargador Vitor Marcelo Rodrigues, que havia pedido vistas do processo --ou seja, mais tempo para analisar o caso-- na última terça-feira (22 set). Rodrigues apresentou seu voto nesta quinta e seguiu a tendência dos outros integrantes.

O processo acusa Crivella de abuso do poder público e refere-se a um evento na Estácio de Sá onde Marcello Hodge Crivella, filho do prefeito, foi apresentado como pré-candidato a deputado.

A defesa de Crivella deve entrar com recurso para reverter a decisão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Outro lado

A Prefeitura do Rio divulgou nota oficial depois do julgamento informando que Crivella vai recorrer da decisão. Também diz que um dos desembargadores apresenta conflito de interesses. Leia abaixo na íntegra:

"NOTA DA PREFEITURA DO RIO SOBRE RESULTADO DA VOTAÇÃO NO TRE em 24/09/2020

[inelegibilidade do prefeito]

O prefeito Marcelo Crivella vai recorrer da decisão, e estuda um pedido de anulação da votação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), visto que um dos desembargadores, Gustavo Alves Pinto Teixeira, votou, mas é, ao mesmo tempo, advogado da Lamsa ? a concessionária contra a qual o prefeito luta na Justiça para pôr fim ao preço exorbitante do pedágio na Linha Amarela. 

O advogado Gustavo Teixeira havia se declarado impedido de votar, mas mudou de posição, apesar do conflito de interesses entre a sua cliente, Lamsa, e o prefeito.

Note-se ainda que, após decisão judicial, Crivella abriu as cancelas do pedágio na Linha Amarela, tornando-o gratuito durante a pandemia. Isso, enquanto, por dia, a Lamsa faturava R$ 1 milhão com a cobrança abusiva.

É notória, portanto, a contaminação da votação.

_Cabe destacar que o prefeito Crivella não está, de forma alguma, impedido de disputar as eleições, e vai concorrer à reeleição."