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    Eleições 2020


    Sete partidos reúnem 58% do número de eleitores filiados

    Ao menos 9,6 milhões de brasileiros que irão às urnas em novembro estão ligados a alguma sigla, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral

    Dos partidos com números de eleitores filiados que ultrapassa um milhão de inscritos, o MDB reúne a maior parte deles, com 2,1 milhões
    Dos partidos com números de eleitores filiados que ultrapassa um milhão de inscritos, o MDB reúne a maior parte deles, com 2,1 milhões | Foto: Divulgação

    Cerca de 16,4 milhões de eleitores que vão às urnas no próximo 15 de novembro são filiados a partidos políticos. Do total, 58% são ligados a sete siglas que disputam as eleições municipais, ou seja, 9,6 milhões. Entre as legendas estão MDB, PT, PSDB, PP, PDT, PTB e DEM. 

    O número é inferior ao registrado em setembro de 2016, segundo a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No último pleito municipal, foram contabilizados 16,5 milhões. Em 2012, por sua vez, foram 15,1 milhões de filiados no mesmo mês. 

    Dos partidos com números de eleitores filiados que ultrapassa um milhão de inscritos, o MDB reúne a maior parte deles, com 2,1 milhões. Assim como na eleição passada, a sigla foi a que mais emplacou candidatos nas cidades, com 8% dos registros totais. Na Câmara, foi a legenda que mais perdeu cadeiras de 2014 a 2018: de 66 eleitos, caiu para 34. 

    Em segundo lugar, o PT detém 1,5 milhões de eleitores associados. A sigla do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a maior bancada da Casa, com 56 deputados. Na corrida às prefeituras e às Assembleias Legislativas, por exemplo, lançou cerca de 1,6 mil candidaturas. 

    Atrás da legenda petista estão o PSDB e o PP, com aproximadamente 1,3 milhões eleitores filiados; seguido do DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que conta com 1 milhão de brasileiros associados que irão às urnas. 

    Aumento no PSL

    A ex-sigla do presidente Jair Bolsonaro, que concorreu às eleições de 2018, ocupa a 12ª posição. Contudo, o número de eleitores filiados praticamente dobrou em quatro anos: de 225.094 associados em 2016, passou para 435.377. O aumento, contudo, não foi majoritário entre as legendas.

    Segundo o cientista político Humberto Dantas, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), após o fim das coligações para candidatos a vereador, aprovado na reforma eleitoral de 2017, a tendência é a desidratação dos partidos. Ou seja, o candidato só pode participar de uma chapa única dentro da legenda. 

    "Apostaria que a diferença pequena entre os números de 2016 e 2020 se dá devido ao fim das coligações. Os partidos encolheram nas cidades, porque diminuiu o espaço para concorrerem às urnas, apostar em novos nomes", afirmou. "Isso mostra uma democracia fragilizada ou uma espécie de ?artificialização? da lógica de filiação", completou. 

    Dantas chama a atenção ainda para a "estratégia" dos partidos de fazer um "mutirão" em busca de candidatos para ter mais acesso a aliados, principalmente durante as votações internas das siglas. 

    "Filiados de partidos não necessariamente votam na legenda. Mas, no período pré eleitoral, visam não apenas indicações políticas, mas também cargos nas estruturas partidárias", explicou. "É uma estratégia antiga que infla de maneira significativa o número de filiados. Há também quem se filia no calor dos fatos, e se esquece disso".  

    Baixa captação

    Para o cientista político e doutor pela Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, a queda no número de filiados também mostra a falta de interesse das siglas em investir no processo de captação de associados. Há, ainda, o baixo interesse das pessoas em participarem ativamente da vida de alguma legenda. 

    "A estabilidade do número entre 2016 e 2020, mesmo tendo havido crescimento na população neste período, mostra que os partidos não investiram em programas de captação. Se você não tem um aumento significativo ou qualquer aumento da base de eleitores filiados, significa que não estão indo atrás de possíveis associados", justificou.

    "Os partidos não investem nesse processo, enquanto os eleitores valorizam uma sigla só quando precisam de uma credencial, seja para competir, seja para ocupar um cargo público, que é indicação de algum partido".