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    DENÚNCIA


    Empresário acusa Ministério da Saúde de ter pedido propina por vacina

    Representante da empresa Davati Medical Supply afirmou à repórter Constança Rezende, da Folha, que diretor do MS pediu US$ 1 (dólar) por dose

    | Foto: Divulgação

    Em reportagem publicada na noite desta terça-feira, a repórter Constança Rezende, da Folha de São Paulo, revela um novo escândalo envolvendo a compra de vacinas pelo governo federal. Segundo a jornalista, o empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira afirmou que o Ministério da Saúde teria pedido US$ 1 (dólar) de propina por dose de vacina AstraZeneca. Ele é representante da empresa Davati Medical Supply. 

    A proposta de propina, segundo Dominguetti, teria sido feita por Roberto Dias, diretor do departamento de Logística do Ministério da Saúde. Ele é indicado do deputado federal Ricardo Barros (PP-RR), que já protagoniza outro caso de possível tentativa de corrupção na aquisição de vacinas.

    "Eu falei que nós  tínhamos a vacina [...] aí ele [Roberto Dias] me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo", afirmou o empresário Dominguetti, à Folha.

    A jornalista Constanza questionou o empresário sobre qual seria essa "forma" de operar do grupo dentro do Ministério da Saúde. "Acrescentar um dólar [por dose adquirida]", disse Dominguetti. 

    O encontro entre o empresário e o diretor de logística do Ministério da Saúde ocorreu em 25 de fevereiro, quando o Brasil somou 250 mil mortes por covid-19. Dominguetti diz que chegou a ser convidado ao prédio do MS. 

    "Aí ele [Roberto Dias, do Ministério da Saúde] me disse: 'Fica numa sala ali'. E me colocou numa sala do lado. Ele me falou que tinha uma reunião. Disso, eu recebi uma ligação perguntando se ia ter o acerto. Aí eu falei que não, que não tinha como", explicou o empresário à Folha.

    Após a reposta negativa sobre o pedido de propina, ele não voltou a ser chamado para novos negócios na aquisição de vacinas no Ministério da Saúde. A reportagem da Folha tentou contato com Roberto Dias, do MS, mas não houve retorno até a noite desta terça, quando a matéria foi publicada. 

    Após a reportagem, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciou que irá convocar o empresário Dominguetti para ser ouvido na comissão na próxima sexta-feira (2). 


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