Fonte: OpenWeather

    CPI da pandemia


    Após controvérsias, Dominguetti confirma propina em compra de vacinas

    Segundo ele, a oferta resultaria no lucro de U$1 por dose de imunizante.

     

    Dominguetti afirmou que ofereceu ao governo, em nome da Davati, ao preço de U$3,5 a dose, 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca
    Dominguetti afirmou que ofereceu ao governo, em nome da Davati, ao preço de U$3,5 a dose, 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca | Foto: Divulgação


    Brasília - Entre muitas controvérsias e reviravoltas, o representante da Davati Medical Supply,  Luiz Paulo Dominguetti Pereira, denunciou à CPI da Pandemia, nesta quinta-feira (1º) que recebeu pedido de propina caso assinasse contrato da venda de vacinas Astrazeneca ao Ministério da Saúde. Segundo ele, a oferta resultaria no lucro de U$1 por dose de imunizante.

    O representante, também policial militar, foi chamado a depor à Comissão Parlamentar de Inquérito após uma entrevista concedida ao jornal "Folha de S.Paulo", publicada nesta terça (29). Na ocasião, Dominguetti afirmou que, em fevereiro deste ano, o então diretor de Logística do ministério, Roberto Ferreira Dias, seria o responsável pelo pedido de propina.

    Curiosamente, o depoente afirmou não ser um representante oficial da empresa americana que distribui remédios. Segundo ele, um "acordo de cavalheiros" teria sido feito entre ele e Cristiano Alberto Carvalho, representante da Davati no Brasil.

    Dominguetti afirmou que ofereceu ao governo, em nome da Davati, ao preço de U$3,5 a dose, 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. Segundo ele, com a negociação, receberia cerca de 3 centavos de dólar por dose como comissão pela venda, totalizando uma comissão de 12 milhões de dólares.

      "Na conversa, ele disse: 'nós temos de melhorar esse valor'. Eu disse que teria de tentar um desconto, mas aí ele falou que seria melhorar para mais, para aumentar em US$ 1. Eu disse que não seria possível. Ele disse para eu pensar direitinho, que no dia seguinte seria chamado ao ministério", relatou Dominguetti.  

    O representante afirmou, além disso, que o pedido de propina foi feito no dia 25 de fevereiro deste ano durante um jantar em Brasília, onde também estiveram presentes o coronel Blanco e Dias, acompanhado de um empresário não nomeado. 

    Tumulto

    Durante o questionamento do colegiado, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) inquiriu Dominguetti sobre o porquê de não ter dado voz de prisão a Dias, diante do flagrante pedido de propina, visto que ele é um policial militar.

      "Para mim tudo era novo, senadora", respondeu o vendedor, que acrescentou ter chegado a relatar o caso a um superior na Polícia Militar em Minas Gerais. A senadora rebateu:“novo é um policial não saber o que está na lei”.  

    Dominguetti, em seguida, apresentou um áudio em que, supostamente, o deputado federal Luis Miranda (DEM-MG) teria relação com a negociação irregular do contrato de compra de vacinas. Após a apresentação do áudio, houve tumulto entre os presentes do colegiado.

    Em dado momento, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM) se reuniu com membros do colegiado e com o deputado federal Luis Miranda, presente na ocasião. Em seguida, Aziz afirmou que o áudio em questão seria de 2020, e que não apresentava relação alguma com as vacinas. Posteriormente, o colegiado decidiu pela apreensão do aparelho celular de Dominguetti para as devidas investigações.

    O presidente da CPI, então, confirmou reconvocação do parlamentar para terça-feira (6). Miranda já havia pedido para ser ouvido em reunião secreta, o que não foi concedido.

    Articulação da oposição

    Nesta quarta-feira (30), 45 parlamentares assinaram um "super pedido" de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Reunindo outros 123 pedidos semelhantes, o documento conta com o apoio de figuras de esquerda, direita e centro - incluindo ex-apoiadores de Bolsonaro, como é o caso dos deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP), Joyce Hasselmann (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP).

    A movimentação ganhou mais forças logo após o grave testemunho dos irmãos Luis Ricardo e Luis Cláudio Miranda na última sexta-feira (28), que denunciaram negociações controversas na compra das vacinas e possível superfaturamento na compra dos imunizantes. Servidor de carreira no Ministério da Saúde, Luis Ricardo afirmou, durante depoimento na CPI, que sofreu pressão incomum para assinar o contrato, ainda em abril deste ano.

    Em seguida, os irmãos teriam entrado em contato com o presidente para relatar a situação. Segundo os irmãos, Bolsonaro teria se comprometido a acionar a Polícia Federal para as devidas investigações. Meses depois do ocorrido, as medidas, no entanto, nunca foram tomadas pelo Planalto.

    Após horas de depoimento, Luis Ricardo Miranda cedeu à pressão do colegiado e confessou o nome do personagem supostamente envolvido na compra das vacinas: Ricardo Barros, líder do Governo na Câmara. 

    Leia mais:

    ONGs do AM pedem promoção de direitos fundamentais aos vulneráveis

    Comunidade LGBTQIA+ reivindica atenção das casas legislativas do AM

    Aleam pede celeridade nas ações de pensão alimentícia