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    CPI da Pandemia


    CPI aprova condução coercitiva de lobista que faltou ao depoimento

    Segundo o colegiado, a Polícia do Senado está à procura de Marconny Faria e já estava determinada a escolta policial para que ele comparecesse ao Senado

     

    De acordo com o requerimento, Faria não poderá se deslocar da cidade onde mora sem prévia autorização da CPI e deve indicar à comissão telefone e endereço eletrônico para ser contatado.
    De acordo com o requerimento, Faria não poderá se deslocar da cidade onde mora sem prévia autorização da CPI e deve indicar à comissão telefone e endereço eletrônico para ser contatado. | Foto: Divulgação


    Brasília - A CPI da Pandemia aprovou um requerimento para a condução coercitiva do advogado Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria, que faltou ao depoimento marcado para esta quinta-feira (2). Os senadores também aprovaram um pedido para que a Justiça retenha o passaporte dele por 30 dias.

    De acordo com o requerimento, Faria não poderá se deslocar da cidade onde mora sem prévia autorização da CPI e deve indicar à comissão telefone e endereço eletrônico para ser contatado. A CPI vai comunicar o Ministério Público Federal sobre os fatos e adoção das providências cabíveis. Segundo o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM), o pedido será encaminhado à ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Marconny Faria apresentou um atestado para não comparecer ao depoimento. Na quarta-feira (1), de acordo com Omar Aziz, o médico que atendeu o advogado entrou em contato para informar ter desconfiado de que o paciente estivesse mentindo. Diante disso, o profissional de saúde iria avaliar com o departamento jurídico do Hospital Sírio-Libanês a possibilidade de cancelar o atestado.

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    O Marconny pode ter ido lá pedir um atestado sem citar a CPI. O médico disse que forneceu 20 dias só para fins laborais. Não quero aqui julgar o médico, mas um trabalhador comum pode estar morrendo que nunca vai ter 20 dias de folga. Queremos saber do doutor em que exame ele se baseou para dar 20 dias de folga para o cara. Espero que tenhamos uma resposta "

    , afirmou Omar.

     

    O vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que, desde quarta-feira, a Polícia do Senado está à procura da testemunha e já estava determinada a escolta policial para que ela comparecesse ao Senado. Randolfe e outros senadores da CPI apontam Marconny não só como lobista da Precisa Medicamentos, empresa que atuou como intermediária no contrato da vacina indiana Covaxin, mas de outros negócios irregulares no Ministério da Saúde.

    "Marconny não é o senhor do lobby da Precisa Medicamentos. Ele é o senhor de todos os lobbies. É dele a arquitetura ideal de como burlar um processo licitatório", afirmou Ranfolfe.

    Para o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), Marconny tinha ligação "com todas as vertentes dessa roubalheira toda". Segundo ele, a CPI cumpriu papel fundamental de investigação de uma quadrilha que tomava conta do Ministério da Saúde há anos, também em outros governos.

    "Eles não têm mais o que dizer. Diante do volume de informações que esta comissão tem, entraram na fase do cinismo e estão preferindo sumir, correr, se internar em hospital; mas vamos continuar esclarecendo tudo. Ele era operador da Precisa, mas não só. Desde junho de 2020 que setores da PF e do MP sabem do papel do Marconny e isso foi ocultado. Eles continuaram e, por isso, deu no que deu: nesse morticínio e nessa crise política", disse.

    Acusações

    A negociação para a compra da vacina indiana Covaxin não é o único fato a ser esclarecido pela CPI. Os parlamentares querem informações também sobre pelo menos dois outros assuntos: a participação de Marconny na venda de testes contra a covid-19 ao governo federal e suposta sua relação com integrantes da família do presidente da República, Jair Bolsonaro.

    *Com informações da Agência Brasil

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