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    CPI da Pandemia


    Diretor da Precisa tem sigilo quebrado após silenciar na CPI

    Na ocasião, senadores ameaçaram mandar prender o empresário por omitir informações primárias sobre a compra dos imunizantes Covaxin para o Ministério da Saúde

     

    | Foto: Divulgação


    Brasília - Sócio proprietário da empresa Primarcial Holding e Participações e diretor institucional da Precisa Medicamentos — empresa que representou a indiana Bharat Biotech no contrato para compra dos imunizantes Covaxin para o Ministério da Saúde — o empresário Danilo Trento, que não prestou compromisso de dizer a verdade, negou ter havido pedido de interferência do presidente da República, Jair Bolsonaro, ou do líder do governo da Câmara, deputado Ricardo Barrros (PP-PR) para a aquisição da vacina indiana. 

    Os senadores apresentaram fluxogramas de diversas empresas de Francisco Maximiano, dono da Precisa, e de Danilo Trento, que fariam transferências entre si, apontando possível esquema de lavagem de dinheiro.

      Garantindo-se de um habeas corpus para não responder a maior parte das perguntas a ele direcionadas, Trento calou-se sobre outras empresas em que teria atuação, se é remunerado ou tem ganhos societários, sobre sua participação na 6M Participações, assim como a Precisa, também de propriedade de Francisco Maximiano.  

    "Como diretor institucional da Precisa Medicamentos, não participo das negociações", limitou-se a responder o depoente ao negar saber que parcela em valores do contrato, na importação da vacina Covaxin para venda ao Ministério da Saúde, caberia à Precisa.

    Tensão

    Em meio à falta de respostas concretas pelo depoente, houve clima de desentendimento pelo colegiado. Na ocasião, alguns senadores chegaram a ameaçar a prisão do empresário por omitir informações primárias.

    “Peço que comece a avaliar a prisão do depoente. O habeas corpus não lhe permite negar informações básicas. Por favor, se aconselhe com os advogados”, disse o senador Alessandro Vieira. “Vamos parar de perder tempo, manda prender o depoente”, endossou o senador governista Jorginho Mello (PL-SC).

      O pedido de prisão não foi acolhido pela presidência do colegiado. Trento, então, solicitou uma reunião reservada com os advogados que o acompanham. A advogada pediu questão de ordem e alegou possível abuso de autoridade com “ameaça de prisão”. “Gostaria só de ressaltar os direitos do meu cliente”, enfatizou.  

    Em grande parte das perguntas, Trento usou o habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe dá o direito de ficar calado em questionamentos que possam incriminá-lo.

    Trento se recusou, por mais de uma vez, a informar informações avaliadas pelos senadores como básicas, incluindo a remuneração média que recebia da Precisa Medicamentos. Amparado no habeas corpus concedido pelo STF, o depoente optou pelo silêncio e não respondeu aos questionamentos.

    Em razão da dificuldade em fazê-lo contribuir com o interrogatório, a CPI da Covid decidiu, a pedido do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), pela quebra de sigilo fiscal e bancário de Trento.

    *Com informações da Agencia Senado

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