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    Política


    Mesmo sob denúncias, Calheiros é eleito presidente do Senado

    O peemedebista recebeu 56 votos e o ‘apoio moral’ de Eduardo Braga – foto: Antonio Cruz/ABr
     
     
     
    No primeiro discurso após a eleição, o presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu aos pares uma gestão do Legislativo independente em relação ao Palácio do Planalto. Entre as medidas anunciadas, ele disse que pretende trabalhar pela mudança do rito das medidas provisórias.
    Calheiros afirmou que na próxima semana vai procurar o novo presidente da Câmara dos Deputados, cuja eleição está marcada para a segunda-feira (4), para pedir a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a tramitação das MPs.
    Assim como no seu pronunciamento antes da votação, na qual recebeu 56 votos contra 18 recebidos pelo adversário, o senador Pedro Taques (PDT-MT), o peemedebista não fez menção às acusações que o levaram a renunciar ao comando do Senado em 2007 para evitar a cassação do seu mandato e, tampouco à denúncia feita há uma semana, pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de notas fiscais falsas.
    Limitou-se a dizer que a “a ética é obrigação de todos”. Antes da eleição, ao ser abordado por jornalistas sobre as denúncias que pesam sobre ele, Calheiros disse apenas que estava confiante.
    Ainda na votação, ocorreram dois votos em branco e outros dois nulos. Dos 81 senadores, três senadores faltaram à sessão: Humberto Costa (PT-PE), Luiz Henrique (PMDB-SC) e João Ribeiro (PR-TO). Calheiros vai presidir o Senado no biênio 2013-2014.
    Entre os 17 discursos antes da eleição, o correligionário de Renan Calheiros o gaúcho Pedro Simon foi o único a pedir que o colega de partido desistisse da candidatura. “Vamos repetir o filme que já aconteceu?”, questionou Simon, ao dizer que é possível que Calheiros responda a um novo processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro.
    Em resposta a Simon, o senador Lobão Filho (PMDB-MA) disse que nenhum senador tem autoridade para “levantar o dedo para o senador Renan Calheiros”. “Não é de surpreender, nenhum de nós senadores, que há cinco dias o procurador faça uma denúncia depois de sete anos. Aqui nesta casa não há nenhuma vestal, a última vestal foi desossado pela imprensa, o senador Demóstenes Torres, acredito que injustamente. Não tem ninguém para levantar o dedo para o senador Renan Calheiros”, afirmou.
    O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), não só declarou o voto ao correligionário, como foi à tribuna defender a candidatura de Calheiros e criticou o “pré-julgamento” do peemedebista. “Ele somente poderá ter algum problema se vier a ser condenado”, afirmou. “A própria casa já o julgou e o inocentou das denúncias em 2007”, relembrou.
    Em 2007, Renan tornou-se suspeito de pagar despesas pessoais com dinheiro de Cláudio Gontijo, que trabalha para a empreiteira Mendes Júnior. Para justificar que tinha renda para fazer os pagamentos, ele apresentou documentos e afirmou que tinha ganhos com a venda de gado. O senador pagava uma pensão mensal à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.