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    Críticas


    Bolsonaro sobre discurso na ONU: 'Queria alguém para falar abobrinha?'

    "Queriam alguém lá que fosse para falar abobrinha, enxugar gelo e passar o pano?", questionou.

     O presidente Jair Bolsonaro demonstrou incômodo com as críticas que recebeu por seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas
    O presidente Jair Bolsonaro demonstrou incômodo com as críticas que recebeu por seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas | Foto: Divulgação

    BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro demonstrou incômodo com as críticas que recebeu por seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça, 24. Ele afirmou ter assistido a própria fala novamente e que não considerou suas posições agressivas.

    "Queriam alguém lá que fosse para falar abobrinha, enxugar gelo e passar o pano?", questionou. "Não fui ofensivo com ninguém. Assisti ao que eu falei, seria muito mais cômodo eu fazer um discurso para ser aplaudido, mas não teria coragem de olhar para a cara de vocês aqui", disse a apoiadores no Palácio da Alvorada nesta quinta, 26.

    Amazônia

    Em sua estreia na Assembleia-Geral da ONU, Bolsonaro fez um discurso no qual classificou como "falácia" a tese de que a Amazônia "é patrimônio da humanidade" e criticou o que chamou de "espírito colonialista" de países que recentemente questionaram o compromisso do País com a preservação ambiental.

    Socialismo

    Durante sua fala de 32 minutos, recheada de referências religiosas, Bolsonaro surpreendeu ao não adotar uma retórica conciliatória. Ele reforçou na tribuna internacional o discurso mais ideológico ao afirmar que o Brasil esteve "à beira do socialismo" e atacar adversários políticos e países como Cuba e Venezuela.

    Presidente Jair Bolsonaro durante discurso na Assembleia nas Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta terça-feira (24)Foto: Carlo Allegri / Reuters

    "Foi um discurso patriótico, diferente de outros presidentes que me antecederam, que iam lá para ser aplaudidos e nada além disso", afirmou Bolsonaro nesta quinta.

    Raoni

    Bolsonaro também voltou a questionar a posição de liderança do indígena cacique Raoni, nesta quinta-feira, 26, e afirmou que ele "não fala a nossa língua".

    Congresso

    O presidente admitiu que o governo tem enfrentado algumas derrotas no Congresso, mas disse considerar "normal na democracia", pois "não pode impor sua vontade em tudo".

    "Muitas pautas que nos interessam estão avançando no parlamento e outras não, o que é normal da democracia. Não posso impor a minha vontade em tudo, até porque se um dia alguém com sentimento de ditador chegar no meu lugar vai querer impor sua vontade também. O parlamento tem um freio necessário, às vezes a gente não concorda, mas tem que respeitar", disse Bolsonaro.

    Ele ressaltou, ainda, que os poderes são independentes, mas que mantém diálogo com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. "Cada chefe é responsável por conduzir o seu poder, e eu converso com todos. Estou tranquilo com a minha consciência que estou buscando fazer o melhor para o meu País", acrescentou.

    Exames

    Antes de seguir para compromissos no Palácio do Planalto, o presidente passou por exames no Hospital da Força Aérea de Brasília (HFAB). Ele não quis responder perguntas de jornalistas.

    Ontem, o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, havia informado que o presidente faria nesta quinta-feira uma ecografia e exame de sangue, mas no Palácio do Planalto. No entanto, Bolsonaro realizou os exames no hospital. O presidente se recupera de cirurgia feita no último dia 8, em São Paulo, para correção de uma hérnia incisional.

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