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    OPERAÇÃO


    Esquema na prefeitura de Coari movimentou R$ 100 milhões, diz MPE-AM

    A procuradora-geral do Amazonas, Leda Albuquerque, afirmou que o esquema criminoso tenha movimentado uma estimativa aproximada de R$ 100 milhões, durante os anos de 2017 e 2018

    Estima-se que o esquema criminoso tenha movimentado,aproximadamente R$ 100 milhões durante os anos de 2017 e 2018 | Foto: Izaías Godinho

    Manaus - Em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (26), a procuradora-geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Albuquerque falou sobre a  "Operação Patrinus"  deflagrada pela justiça, após pedido do Ministério Público do Estado. A ação decretou a prisão do prefeito de Coari, Adail Pinheiro Filho , do empresário Alexsuel Rodrigues, responsável pela empresa AMS Rodrigues, do sargento da Polícia Militar Fernando Lima, e do presidente da câmara de Coari, Keitton Batista, suspeitos de fazerem parte de uma organização criminosa.  Os presos  serão interrogados  para contribuir com as investigações que ainda estão em curso. 

    Durante coletiva de imprensa, que ocorreu na sede do MPE-AM, localizada no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, Leda Albuquerque explicou que a  "Operação Patrinus” investiga um esquema da organização, criado para fraudar licitações, lavar dinheiro e corromper a estrutura de poder de município.  

    Além das prisões temporárias 70 mandados de busca pessoal e e apreensão, foram cumpridos em domicílios
    Além das prisões temporárias 70 mandados de busca pessoal e e apreensão, foram cumpridos em domicílios | Foto: Lucas Silva

    Investigações

    A procuradora-geral afirmou que após um levantamento feito em contratos licitatórios realizados pela prefeitura de Coari, estima-se que o esquema criminoso tenha movimentado,aproximadamente  R$ 100 milhões durante os anos de 2017 e 2018.

    Leda Albuquerque esclareceu ainda que as investigações iniciaram há cerca de 18 meses, período em que o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) do MP-AM, constatou dispensas indevidas de licitações.

    “Verificamos que algumas empresas que participaram do processo eleitoral, e contribuíram para campanha do prefeito, estavam sendo beneficiadas por meio de processos licitatórios e essas empresas eram beneficiadas. Fizemos um levantamento em todos os contratos, que culminaram no valor de R$ 100 milhões”,  explicou. 

    Cláudio Tanajura disse que houve desvio de verbas públicas em diferentes frentes de obras
    Cláudio Tanajura disse que houve desvio de verbas públicas em diferentes frentes de obras | Foto: Lucas Silva

    Mandados de busca e apreensão

    Além das prisões temporárias 70 mandados de busca pessoal e e apreensão, foram cumpridos em domicílios, órgãos públicos e em sedes de empresas, na cidade de Manaus e Coari ao mesmo tempo. Durante o procedimento, foram apreendidos documentações e uma elevada quantia em dinheiro na residência do sargento da Polícia Militar, Fernando Lima, que trabalhava como assessor de Adail Pinheiro.

     “A quantidade de dinheiro apreendido em espécie ainda não foi contabilizada. Esse material vai ser levado para análises e perícias necessárias. Todo o processo de investigação passa por uma série de diligências que são submetidas ao crivo do judiciário. Vamos dar continuidade para obter novos elementos”, frisou a procuradora-geral.

    Deputada Mayara Pinheiro 

    Em relação às buscas na residência da deputada estadual Mayara Pinheiro, Leda Albuquerque afirmou que a deputada foi vice-prefeita de Coari, e atuou em conjunto com o atual prefeito do município em determinado período do mandato dele. “Temos investigações voltadas para o período em que ela foi vice-prefeita e por essa razão foram realizadas as apreensões de documentos na casa dela”, disse a procuradora-geral.

    A superintende da Controladoria Geral da União (CGU), Monalisa Prado, salientou que a  CGU firmou um acordo de cooperação técnica
    A superintende da Controladoria Geral da União (CGU), Monalisa Prado, salientou que a CGU firmou um acordo de cooperação técnica | Foto: Lucas Silva

    Desvio de Verbas

    O promotor de justiça Cláudio Tanajura, coordenador de operação do GAECO, disse que houve desvio de verbas públicas em diferentes frentes de obras, como saúde e educação. Ele frisou, ainda, que somente as empresas que auxiliaram o prefeito em campanha, venciam as licitações.

    “Quando alguma outra empresa que concorria e vencia o processo licitatório, por estar correta, tomava o que nós chamamos de “sufoco”, ou seja, a empresa fornecia, mas não recebia o pagamento. Havia uma tentativa de levar empresários à falência“, explicou o promotor, acrescentando que a empresa AMS Rodrigues capitalizava valores de propina dos contratos, e repassava para a prefeitura. Após a captação do dinheiro, cerca de 10 a 30% do valor dos contratos eram entregues para os agentes políticos, envolvidos no esquema.  

    Controladoria

    A superintende da Controladoria Geral da União (CGU), Monalisa Prado, salientou que a  CGU firmou um acordo de cooperação técnica em que analisa os processos licitatórios. “A CGU vai fazer análise de todos os crimes que são afetos à lei de licitações. Vamos analisar os processos que foram colhidos na prefeitura de Coari, do ano de 2017 até o dia de hoje”, concluiu a superintendente.

    Outro lado:

    Em nota, o prefeito Adail Filho declarou que considera as acusações graves e prestará todos os esclarecimentos desejados pela justiça, e afirma que as acusações do MPE-AM são infundadas

    “O prefeito tomou conhecimento de que estas investigações estavam ocorrendo há seis meses, como amplamente foi noticiada pela própria imprensa e desde lá tem se colocado a disposição para responder e atender qualquer pedido de informação, inclusive pessoalmente. Desta forma, a medida de prisão temporária se mostra desnecessária, já que nunca se privou de prestar tanto ao MP, quanto aos órgãos de controle, as provas plenas de sua probidade diante da administração”, afirmou Adail em trecho da nota.

    De acordo com o MPE, na tarde desta sexta-feira, o destino dos presos será o seguinte: 

    Prefeito de Coari, Adail José Figueiredo Pinheiro: quartel do Batalhão de Choque (PM), km 17 da rodovia AM-010, próximo à barreira. 

    Empresário Alexsuel Rodrigues (sócio da empresa AMS Rodrigues): Centro de Detenção Provisória de Manaus I – (CDPM I).

    Sargento PM Fernando Lima (assessor do prefeito): encaminhado ao Comando-Geral da PM para devida providência.

    Vereador Kleiton Batista (presidente da Câmara Municipal de Coari): deve ser recolhido também para um quartel de polícia, como preceitua o art. 295 (inciso 2º) do CPP – Código de Processo Penal.

    Video:

    Acompanhe o pronunciamento da procuradora-geral, Leda Mara Albuquerque, na página oficial do MPE-AM: