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    Representatividade Feminina


    Partidos políticos do AM já buscam os 30% de mulheres para as eleições

    Pré-candidatas de vários partidos e frentes diferentes devem lançar candidaturas visando ao eleitorado feminino de Manaus

    MandatA Coletiva”, um grupo composto por mulheres e para pautar um programa municipal feminista em Manaus. | Foto: Leonardo Mota

    MandatA Coletiva”, um grupo composto por mulheres e para pautar um programa municipal feminista em Manaus.
    MandatA Coletiva”, um grupo composto por mulheres e para pautar um programa municipal feminista em Manaus. | Foto: Leonardo Mota

    Manaus – A população brasileira é composta, em sua maioria, por 51,7% de mulheres, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contrastando com esses números, a representatividade feminina em cargos eletivos não atinge o percentual mínimo estabelecido por lei. Entre os desafios dos partidos nos últimos pleitos, está o de garantir a cota feminina obrigatória de 30%, estabelecida pela legislação eleitoral. Mas, em diretórios partidários do Amazonas, há pelo menos ensaios para cumprir com a cota com maior participação feminina.

    Diante da dificuldade notada desde a instituição da obrigatoriedade da cota, partidos como o Avante (antigo PTdoB) fundaram até núcleos de mulheres com o propósito de dar vez e voz ao segmento. Mais do que mulheres mais experientes na política, a aposta é em rostos novos, como a empreendedora Rayana Pinho, 28, pré-candidata a vereadora pelo Avante. “Todas as mulheres têm chances de vencer. Cada uma tece a sua história de um jeito diferente. Acredito que não esquecer suas raízes é o essencial para uma vereadora”, avalia Pinho.

    O empreendedorismo feminino, a bandeira defendida por Pinho, deriva das ações da pré-candidata, que trabalha com bazares há cinco anos. “A mulher empreendedora amazonense precisa de força. A mulher não tem voz e vez nesta pauta. Por meio dessa luta, várias mulheres podem se empoderar, ser donas do próprio negócio, gerir a vida e ser realmente donas de si”, completa.

    O empreendedorismo feminino, bandeira defendida pela empresária Rayana Pinho deriva das ações da própria ações da pré-candidata, que trabalha com bazares há cinco anos.
    O empreendedorismo feminino, bandeira defendida pela empresária Rayana Pinho deriva das ações da própria ações da pré-candidata, que trabalha com bazares há cinco anos. | Foto: Leonardo Mota

    A baixa representatividade também levou partidos como o Psol a reunir coletivos de mulheres em vários espaços de atuação. Essas ramificações são responsáveis por defender pautas comuns entre as candidatas. Para a disputa das vagas na Câmara Municipal de Manaus (CMM) do ano que vem, as candidatas propõem um “Mandata Coletiva”, composto por mulheres e para pautar um programa municipal feminista em Manaus.

     A diferenciação da campanha, segundo a assistente social Marklize Siqueira, concentra os votos, ao invés de criar dissipação entre as candidatas. “A campanha coletiva é diferente porque não serão várias candidatas, mas uma bancada de ativistas com um único número de votação. Nossa perspectiva é a melhor possível, pois teremos que enfrentar dois desafios: o coeficiente de pouco menos de 30 mil votos para eleger um mandato de vereadora e uma campanha com poucos recursos, explica Siqueira.

     

    A diferenciação da campanha, segundo a Assistente Social Marklize Siqueira concentra os votos, ao invés de criar dissipação entre as candidatas. “ A campanha coletiva é diferente porque não serão várias candidatas, mas uma bancada de ativistas com um único número de votação.
    A diferenciação da campanha, segundo a Assistente Social Marklize Siqueira concentra os votos, ao invés de criar dissipação entre as candidatas. “ A campanha coletiva é diferente porque não serão várias candidatas, mas uma bancada de ativistas com um único número de votação. | Foto: Leonardo Mota

    Uma das apostas para cargo proporcional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) - legenda do prefeito de Manaus Arthur Neto -, a servidora pública Maria Mariano, 33, conta que a sua motivação para participar da vida política surgiu enquanto era estudante de ensino médio em uma escola pública estadual. “Montamos um grupo misto por colegas de turmas diferentes para apresentar formas propositivas na melhoria dos espaços na escola”, explicou.

    A servidora Maria Mariano acredita na vivencia política como um exercício diário, não apenas em partidos ou durante manifestações.
    A servidora Maria Mariano acredita na vivencia política como um exercício diário, não apenas em partidos ou durante manifestações. | Foto: Divulgação

    A servidora acredita na vivência política como um exercício diário, não apenas em partidos ou durante manifestações. “A política exige uma necessidade de organização, para melhor se inserir no processo institucional e alcançar as mudanças necessárias. Para isso, as pessoas precisam de coalizão e contribuição como cidadãos, assim como os agentes políticos precisam para dar andamento às pautas legislativas”, ressaltou.

     Jornada Feminina

    O cientista político Helso do Carmo observa que a presença feminina na política é reduzida por fatores inerentes às recentes conquistas na sociedade civil. “As mulheres dentro da sociedade vivem sob tradições machistas, que as discriminam. Esse fenômeno ainda está presente na cultura social e política, assim como no Brasil e no mundo”, diz.

     A conquista do voto feminino em 1932, instituído ainda no Governo Vargas, deu início ao processo de participação da mulher no cenário político. “A mulher passou a votar em 1934 e, de forma tímida, pois, até antes, ela precisava de autorização do marido. Praticamente apenas com a nova constituição de 1988, de fato, garantiu-se uma igualdade de direito nos votos. Isso acabou se tornando uma herança, gerando uma cultura de afastamento das mulheres de decisões políticas”, conclui Carmo.

    Candidaturas laranjas

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou em 2016 dados que apontavam suspeitas de fraude em cerca de 16 mil candidaturas municipais em todo Brasil. Esses “candidatos” participaram dos pleitos sem receber nenhum voto, nem mesmo o próprio. Cerca de 14 mil candidaturas femininas estão envolvidas nestas fraudes, o número alarmante representa 88% no total.

    A reforma eleitoral alterou a disposição sobre o regime partidário, para facilitar e incentivar a participação feminina nas eleições. Essa alteração determina que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), originados do fundo eleitoral de cada partido, teriam de ser destinados a campanhas de mulheres. A decisão também designou o tempo destinado às mulheres de cada partido na propaganda gratuita no rádio e na TV seja igual a 30%.

    Levantamento

    Um levantamento do TSE apontou que, nas eleições municipais no Brasil, em 2016, foram eleitas 641 mulheres, um número equivalente a apenas 11,57% no cargo de prefeitas. O número apresentou queda, se comparado às eleições de 2012, quando elas somaram 659 prefeitas eleitas que, na época, correspondeu a 11,84% do total.