Com a Palavra


'Fomos os primeiros a executar o serviço de teletrabalho',

O presidente do Tjam, o desembargador Yedo Simões, comemora a finalização do ano de 2019 com a execução de projetos, que se estenderam pelo interior do Estado e adianta que, em 2020, continuará implantando plataformas tecnológicas


EM TEMPO - Quais são as principais mudanças que podem ser observadas na sua gestão?

Yedo Simões - O meu foco de gestão todo é voltado para inovação. Quando fui corregedor em 2012, levei o Projudi (Processo Eletrônico do Judiciário do Amazonas) para o interior. Além disso, fomos o primeiro tribunal que digitalizou todo acervo. Eu me ofereci para este desafio, que tirou o interior do Amazonas do isolamento secular e avançamos bastante. Na presidência desde julho do ano passado, trouxe mais colaboração na área tecnológica, para viabilizar ainda mais celeridade e eficiência na resolução dos processos. Com mais recursos tecnológicos, conseguimos eliminar os gargalos da justiça, que vai se acumulando ano a ano. Isso porque a justiça é, cada vez mais, procurada. Muitas demandas que nunca chegaram ao poder judiciário, tem chegado e há, inclusive, abertura de novos juizados. 

 

EM TEMPO – As parcerias com as prefeituras são realmente eficazes para melhorar o desempenho da justiça no Estado?

YS - Essas parcerias foram essenciais. Neste ano, assinamos 28 Termos de Cooperação com as prefeituras do interior do Estado, tanto para resolver a infraestrutura, quanto para ajudar os prefeitos. No município de Itacoatiara, por exemplo, implantamos um datacenter, já que nosso principal problema é comunicação e distribuição de energia elétrica, que dá seguridade às informações. Adquirimos seis plataformas com baterias com durabilidade de seis horas e aumentamos o link satelital. Com isso, atualizamos nosso sistema processual. Em termos de inovação, estamos bem à frente de muitos tribunais do país, se somarmos todas essas ações, que fazemos com o uso de inteligência artificial. Temos, ainda, servidores que trabalham à distância em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande de Sul e até no exterior


EM TEMPO – Qual sentimento de 2019, após alcançar metas nacionais importantes?

YS - Quando assumi como presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, em julho do ano passado, em cinco meses, atingimos todas a metas nacionais. Em outubro deste ano, alcançamos novas metas. Isso foi possível, por conta do nosso sistema processual, que é virtual.  Sem esses recursos, tínhamos dificuldade. Para termos um exemplo de como funcionava o judiciário antes da modernização, uma parte ou um advogado solicitava um processo físico, em comarcas do interior e o documento simplesmente se perdia, por falta de controle e fiscalização. Em vista desse comportamento, treinamos nossos servidores, que digitalizaram todos os processos, por meio de mutirões. Isso aconteceu até no município de Guajará, perto do Estado do Acre. Lá, instalamos o Projudi e deu certo, o link funcionou e ainda conseguimos uma parceria com o delegado, que recebeu doações de equipamentos, para flexibilizar o trabalho dele. Além disso, fizemos interligação com fibra ótima, com interlocução com nosso sistema. Concluímos que, se do outro lado tivesse a capacidade tecnológica, conseguiríamos em todos o Estado. Hoje, o Estado possui uma boa qualidade tecnológica, mesmo não sendo todo interior que possui ligação com o poder judiciário. 

 

EM TEMPO – E essa modernização se reflete como na celeridade de resolução dos processos?

YS - Eliminamos processos centenários e inserimos tudo dentro do sistema. Fizemos uma assepsia dentro do programa. Demos baixa em 30 mil processos. Fomos os primeiros a executar o serviço de teletrabalho.


EM TEMPO – Qual balanço dos mutirões de conciliação ?

YS - Hoje, nós temos um quadro de experiência desses projetos que iniciamos e, em 2020, vamos entrar com pé direito para dar continuidade. Tivemos muitos resultados positivos com conciliação em situações de feminicídio e tribunal do júri. Em julho, quero que meu sucessor receba o Tjam com orgulho.  Temos muitas ideais acontecendo e vamos implementar. Mas, o Tribunal de Justiça não é o mesmo que recebi quando fui empossado. Agora, teremos novas atividades e projetos.

 

EM TEMPO – E quais projetos já serão implantados em 2020?  

YS - Em janeiro, vamos iniciar a implantação do projeto Manaós, que pretende quadruplicar a produtividade dos nossos servidores, que aprenderam informalmente a utilizar o sistema. Com o projeto Manaos, vamos aumentar a capacidade em torno de 40%. Vamos precisar de um quadro grande de servidores do tribunal. 

 

EM TEMPO – Paralelo a sua carreira jurídica, quais são suas obras culturais?

YS - Eu gosto muito de escrever e, com o tempo, conheci o compositor Paulo Onça e passamos a transformar minhas poesias em músicas. Tenho inúmeras canções. Também tenho obras em parceria com Marquinho e Leonardo Lessa, ambos do Rio de Janeiro.Escrevo muito sobre a Amazônia. Sou um apaixonado pela nossa Região. Neste ano, tenho até cinco toadas concorrendo para o CD do Garantido. Para o futuro, desejo retratar a história da minha família, que veio de Portugal fugindo da crise econômica e fixou residência no Amazonas