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    Projeção 2020


    'Bolsonaro continua forte no Amazonas', diz especialista político

    Na primeira semana eleitoral de 2020, o cientista político Helso do Carmo Ribeiro revela que candidatos deverão pegar 'carona' na popularidade do presidente para se eleger

    EM TEMPO – Com início do ano eleitoral que trata novos nomes para Prefeitura de Manaus e Câmara Municipal, podemos esperar surpresas?

    Helson Ribeiro –Primeiramente, houve uma pequena reforma política que impede coligações para cargos proporcionais. Para entendermos isso é necessário compreender que o sistema brasileiro é composto pelas modalidades majoritário (que elege presidentes, governadores, senadores e prefeitos) e o proporcional (que elege vereadores e deputados estaduais). Com essas mudanças, foi proibida a composição de coligações para cargos proporcionais, nas eleições do ano que vem.

    E, isso nos leva a crer que teremos recorde para estes cargos, porque serão eles que irão atrair votos para prefeito, apesar de ainda poderem se coligar. Nossa política representativa está engatinhando e ainda vemos pessoas com ideologias antagônicas se juntarem em alianças só para fim eleitoral. No final, o eleitor não entende nada. Você votava na uva e elegia banana.

    Então essa construção cai por terra. Na prática, irá ter coligação para prefeito, mas vai ter recorde de postulantes a vereador. Isso porque, cada partido tem direito a lançar determinado número de vagas e mais 50%, que dará uma média 62 candidatos.  

    EM TEMPO – Sem essa mudança, o senhor considera que o sistema era injusto?

     HR – Agora, além do quociente eleitoral, há ainda a mudança com respeito a cláusula de desempenho, em que uma postulante que conquistou muitos votos, como o ex-deputado federal Clodovil, o deputado federal Tiririca, acabavam ‘arrastando’ outros candidatos com desempenho inferior. Com esta modificação, nenhum candidato será eleito se não atingir 10% do quociente eleitoral.

    Esse sistema proporcional que foi adotado no Brasil até a última eleição tinha a intenção de despersonificar o indivíduo e criar uma ideia positiva. Hoje, temos 33 partidos regularizados, no Brasil. Neste ano, poderemos ter 74 partidos, todos com direito a Fundo Partidário e Fundo eleitoral. Este dinheiro é composto de multas que pagamos, quando não vamos votar. No momento, o país conta com 33 legendas regularizadas.

    EM TEMPO –Como especialista político, como o senhor avalia que presidente Jair Bolsonaro pode favorecer candidaturas, no Estado?

    HR – No Amazonas, o presidente Jair Bolsonaro só ganhou em três lugares, Manaus, Guajará e Tapauá e é natural que postulantes a cargos públicos este ano, queiram pegar carona, na aceitação dele, na capital, que rendeu a ele 66% de votos.

    O presidente Bolsonaro continua forte, no Amazonas. Mesmo tendo a pior avaliação do primeiro ano de mandato, se comparado a atuação dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso.

    A prova disso é que nenhum postulante como o empresário, Romero Reis; o deputado federal, Silas Câmara; o superintendente da Suframa, coronel Alfredo Menezes; o vereador Chico Preto e o ex-governador interino David Almeida, falam mal dele.

    EM TEMPO –Novos nomes ainda podem surgir até o prazo final das convenções, que encerram dia 5 de agosto?

    HR-O deputado federal Marcelo Ramos disse numa conversa comigo, que o PL teria três nomes fortes; o dele, o da líder do governo Wilson Lima, a deputada estadual Joana Darc e do ex-deputado federal Alfredo Nascimento. Acredito que o governador do Amazonas será um forte cabo eleitoral de quem ele apoiar. Considero o vice-governador, Carlos Almeida, de uma extrema inteligência à frente da Casa Civil, já que possui total domínio jurídico.

    E, para entendermos um pouco do cenário que já se movimenta desde o ano passado, devemos lembrar que Almeida se elegeu pelo PRTB, uma sigla nanica se comparada a outras. No entanto, nos bastidores comenta-se que poderia estar trocando a legenda pelo PTB, comandado pelo ex-deputado Roberto Jefferson.

    Numa perspectiva regional, devemos lembrar que no ano passado exoneraram a irmã do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), a secretaria executiva de desburocratização da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Holanda de Souza; para dar lugar a Ronaldo Monteiro Francisco, irmão de Roberto Jefferson. Isso afasta o PTB das mãos de Josué Neto, que pretende sair do PSD para concorrer a prefeitura de Manaus e coloca o PTB dentro do governo Wilson Lima.

    EM TEMPO –Então, muitas modificações podem acontecer até o dia da convenção?

    HR –Até o dia 5 de agosto, ainda teremos muito jogo de bastidor e até lá tudo pode mudar, até mesmo após as convenções. Já houve mudanças na hora de formalizar as chapa, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Mas não podemos esquecer de nomes como o do senador Omar Aziz (PSD), considerado umas das 100 cabeças do Congresso Nacional; do prefeito Arthur Neto (PSDB) que ainda não revelou ter candidato, mas que será um bom cabo eleitoral; além do representante do governo do Amazonas, no Estado de São Paulo, o ex-deputado federal, Pauderney Avelino e da ex-vice candidata ao governo Rebecca Garcia. Não se pode negar, ainda, a influencia do ex-governador Amazonino Mendes (PDT), que já foi quatro vezes governador, prefeito e senador.

    Há ainda, o potencial feminino que poderá ser representado por Joana Darc, a deputada estadual Alesssandra Campelo (MDB), a ex-candidata ao governo Liliane Araujo (PPS) e da ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB).

    EM TEMPO –O clamor público, ainda pede ‘ o novo’?

    HR - O eleitorado ainda clama pelo novo. Mas, sendo honesto não vejo espaço no segundo turno para representantes de partidos bem ideológicos com Psol, PSTU. Acredito que o petista José Ricardo pode incomodar, mas o PT no Amazonas tem muitas brigas internas, que podem atrapalhar o desempenho do partido.