Fonte: OpenWeather

    Com a Palavra


    'Tenho a confiança de bolsonaristas, oposição e centro'

    Marcelo Ramos (PL) se esquiva de falar sobre os planos políticos em Manaus, mas argumenta que os pré-candidatos já apresentados, possuem apenas desejos e vaidades

    Marcelo Ramis argumenta que não irá permitir que os interesses eleitorais , contaminem as missões dele, em Brasília
    Marcelo Ramis argumenta que não irá permitir que os interesses eleitorais , contaminem as missões dele, em Brasília | Foto: Divulgação


    EM TEMPO - Como o senhor administra sua ascensão meteórica no Câmara dos Deputados?

    MR - O que aconteceu comigo em 2019 foi meteórico ter o poder de articular e ocupar espaço com meu partido. Ao chegar na casa, identifiquei líderes de partidos que tinham relevância na , fui conhecer o funcionamento da casa e isso acabou fazendo que as coisas nível. De uma bancada que só tem 8 representantes contra um conjunto de 513 deputados, é dificil ocupar espaço. Hoje, meu nome é citado como nomes mais influentes. Isso acabou fazendo que novos deputados, cogitasse a ser presidente da casa. Mas, tratao esse assunto com prudência, porque sei que há parlamentares com maior tempo na casa e preciso respeitar esta fila. Tenho a confiança de bolsonaristas, oposição e centro. As pancadas no caminho foram me ensinaram a como agir. Hoje, a imprensa nacional se surpreende com a minha trajetória. 

    EM TEMPO - Lhe causa vaidade, saber  que é um dos preferidos para assumir a presidência da Câmara dos Deputados?

    MR -Para mim, o simples fato de ser citado por vários colegas deputados e pela imprensa nacional como um dos nomes cogitados para presidir a Câmara é motivo de orgulho. Sou um deputado de primeiro mandato e o Amazonas tem apenas 8 deputados entre 513, portanto, vejo isso como um gesto de confiança dos deputados de várias partes do Brasil e reconhecimento pelo trabalho que fiz na condução da Reforma da Previdência, quando procurei ser democrático e transparente.  O presidente da Camara dos Deputados é o terceiro na hierarquia do país e ter o nome citado, tenho certeza,orgulha todos os amazonenses. Mas ainda está muito distante da eleição e é importante respeitar a trajetória de vários deputados que já estão lá faz mais tempo. Importante é seguir trabalhando com dedicação pelo Brasil e pelo Amazonas e é o que seguirei fazendo.

    EM TEMPO - Qual a sensação da aprovação da proposta, que restabelece o regime especial de tributação para imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida?

    MR -Foi um momento muito especial da minha vida pública por três motivos.Primeiro porque foi meu primeiro projeto transformado em lei e isso é muito difícil de acontecer no primeiro ano de mandato. Segundo pelo conteúdo da matéria, que vai melhorar o ambiente de negócios e a segurança jurídica para que empresários da construção civil voltem a investir, abrindo com isso novos postos de trabalho para operários da construção civil e criando novas moradias para pessoas de baixa renda. Terceiro pela forma como foi aprovado. A derrubada do veto do Presidente na Camara por 343 a 3 e no Senado por 63 a 0 foi uma demonstração de força na articulação política, capacidade de diálogo e respeito ao meu trabalho pelos colegas deputados e senadores.

    EM TEMPO - De que forma as eleições podem contaminar a aprovação das reformas, na casa?

    MR -Acabam sempre contaminando. O quórum fica baixo porque deputados candidatos acabam se ausentando mais. Fica mais difícil aprovar medidas necessárias, mas impopulares, porque alguns passam a pensar mais nas eleições e menos no país.Além disso, as disputas locais acabam acirrando as disputas partidárias e prejudicando a construção de acordos necessários para as votações. De minha parte, farei todo o esforço juntos aos deputados para que o Brasil siga maior que as disputas eleitorais.

    EM TEMPO - Por que há confiança de que a aprovação da PEC 199 (da 2ª instancia) será aprovada, no primeiro semestre?

    MR - A proposta que construímos na PEC 199 de mudar o momento do trânsito em julgado no processo Judiciário brasileiro para a segunda instância em todos os tipos de ações (criminais, cíveis, tributárias) unifica bastante a Câmara dos Deputados, porque não ofende cláusulas pétreas e cria um sistema simétrico. Com a PEC 199 combateremos a impunidade de alguém que comente um crime e a execução da pena de prisão demora tanto que quando vai ser executada ou crime já prescreveu. Mas combateremos também a injustiça de um trabalhador que morre antes de satisfazer de crédito trabalhista ou um empresário que vai à falência antes de conseguir reaver um tributo cobrado indevidamente pelo governo. Aprovamos essa proposta na CCJ por 50 a 12 e sem obstrução da oposição. Tenho certeza que entregaremos ao povo brasileiro um Judiciário mais célere, efetivo e que resgate a confiança do nosso povo nas instituições.

    EM TEMPO - Qual sentimento de observar à distancia, as composições políticas para o pleito municipal? Acha que haverá surpresas?

    MR -Desde 2000 quando fui candidato a vereador a primeira vez, participo dos processos eleitorais como candidato a vereador (2000, 2004 e 2008), vice-prefeito (2012) e prefeito (2016). Agora, em 2020, resolvi não permitir que interesses eleitorais contaminem as missões que tenho em Brasília para a ajudar o Brasil e o Amazonas. Meu sentimento é de quem espera que os pré-candidatos passem a debater os problemas da cidade e apresentar soluções. Infelizmente, até aqui, não há ninguém fazendo isso. São pré-candidatos dos seus desejos e vaidades mas que não apresentam a cidade um plano de enfrentamento dos problemas.De alguma forma, participarei do processo eleitoral de 2020 até pela responsabilidade de quem foi depositário da confiança de quase a metade dos eleitores em 2016. A surpresa que espero é a surpresa dos pré-candidatos passarem a abordar os problemas da cidade e discutirem soluções com a população. Não vejo surpresa de novos nomes fora dos que já estão sendo especulados.

    EM TEMPO - Lhe incomoda o título de ex-comunista? Por que?

    MR- Não. De forma alguma. Tenho orgulho da minha trajetória. Hoje, ideologicamente, estou muito distante do PCdoB porque sou um liberal, defendo a econômica de mercado, a livre iniciativa e a intervenção apenas necessária do Estado na vida dos negócios e das pessoas, mas guardei os valores de combate às desigualdades, respeito às minorias e compromisso inafastável com a liberdade e a democracia, do meu tempo de militância na juventude