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    Política


    PL facilita enteado ter o nome do padrasto ou madrasta no documento

    Amazonenses, que vivem de perto essa realidade, discutem a medida e manifestam opiniões

    Manaus - Hoje, a Lei exige que exista uma autorização judicial para que o (a) enteado (a) adote o nome de família do padrasto ou da madrasta. Contudo, o deputado Fernando Rodolf (PL-PE) acredita ser válido que esse processo ocorra sem a necessidade de chancela jurisdicional e, para isso, criou um Projeto de Lei. Confira a seguir o que pensam os amazonenses sobre essa medida.

    Pela medida (Projeto de Lei 6583/19), também deve haver expressa concordância do padrasto e da madrasta para adotar o nome da família.

    O deputado Fernando Rodolf (PL-PE) acredita que o processo ocorra sem a necessidade de autorização judicial
    O deputado Fernando Rodolf (PL-PE) acredita que o processo ocorra sem a necessidade de autorização judicial | Foto: Divulgação

    “Entendemos ser necessário poupar o Poder Judiciário, sabidamente assoberbado de processos, do acréscimo de atribuições e, ao mesmo tempo, o cidadão da morosidade do sistema judicial”, afirmou Rodolf.

    Interpretações

    Yann Bahia, 18 anos, é universitário e convive diariamente com o padrasto Lázaro Juvêncio. Ele vê a proposta positivamente e acredita que a decisão e os motivos que levam a ela são pessoais e íntimos, portanto parece desnecessário que exista um trâmite legal para receber essa autorização.

    Ao ser perguntado sobre a relação com o padrasto, o estudante de direito deixou claro que, entre os dois, existe uma amizade muito forte. ‘’Meu relacionamento com meu padrasto é muito amigável. Ele mora comigo e minha mãe há sete anos e toda a mudança aconteceu com muita naturalidade. Para mim, significou ganhar outra família e nosso vínculo é muito forte,’’ relatou Yann.

    Yann Bahia, sua mãe Margareth Bahia e seu padrasto Lázaro Juvêncio
    Yann Bahia, sua mãe Margareth Bahia e seu padrasto Lázaro Juvêncio | Foto: Divulgação

    Ele revelou também que a mãe adotou o nome da família do padrasto há um ano, quando os dois se casaram e que, nesse momento, ele consideraria sim adotar o nome da família de Lázaro, sem problemas.

    O estudante de jornalismo Renzo Luiggi Soares, pensa um pouco diferente. Apesar de ser a favor do projeto, ele expressou que, em sua opinião, a medida depende de uma série de fatores que podem torná-la um pouco perigosa. ‘’Apesar de ser maior de idade, nem sempre uma pessoa tem autonomia para tomar esse tipo de decisão. E se o padrasto ou madrasta não mantém uma boa relação com o indivíduo e o coagir a adotar o nome?’’, questionou.

    O universitário revelou que a relação com o padrasto sempre foi muito distante, mas que mesmo assim sempre se respeitaram. ‘’Ele me considera um filho e eu entendo isso, mas eu não o considero um pai. Tenho respeito por ele ter tratado bem minha mãe e por ter sustentado a casa por anos, mas já tenho a figura do meu pai biológico muito forte em minha vida’’, confessou Renzo.

    A estudante Gabriella Simone Cardoso, 19 anos, acredita que a medida é bem interessante, porque muitas pessoas têm o padrasto ou a madrasta como verdadeiros pais em sua vida. Inclusive, ela mesma vê a relação com a madrasta como de mãe e filha. ‘’O que mais mudou em minha vida foi que passei a ter ao meu lado uma figura feminina e nela pude me inspirar. Ela cuida de mim como uma filha’’, confessou.

    Gabriella Simone e sua madrasta Taise Cardoso
    Gabriella Simone e sua madrasta Taise Cardoso | Foto: Divulgação

    A madrasta, Taise Cardoso, 37 anos, declarou que a proposta é relevante e dá ênfase na parte mais importante dessa relação: a socioafetiva. Ela ainda contou um pouco mais sobre sua história com a enteada e como se sentiria se ela optasse por seu nome.

    ‘’Minha enteada veio morar comigo aos 7 anos, portanto tive participação integral na vida dela, desde a infância até a fase adulta. Com a chegada de Gabi, minhas prioridades e responsabilidades mudaram, me tornei uma mãe para ela, mas o nome não é uma necessidade, pois a mãe biológica é muito presente em sua vida’’, explicou Taise.

    *Estagiária sob supervisão do editor Isac Sharlon