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    Coronavírus


    Especialistas analisam ‘panorama Bolsonaro’ de combate ao Covid-19

    Os cientistas políticos fazem um balanço das atuações da presidência da república no combate a transmissão do coronavírus

    Mesmo com a incidência de 621 casos de coronavírus no Brasil e 6 mortes ocasionadas pela doença, Bolsonaro endossou críticas aos governadores dos Estados. Durante uma Live transmitida nas redes oficiais, Jair afirmou que as ações determinadas, podem ‘atrapalhar’ o andamento da economia, mesmo que possuam o objetivo principal de conter a disseminação do vírus. | Foto: Divulgação

    Manaus – Principais especialistas em ciência política do Amazonas, a exemplo do Carlos Santiago e Helso do Carmo Ribeiro, analisam as medidas adotadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido) e, a postura do chefe do executivo, no combate a transmissão do Covid-19 no Brasil.

    Mesmo com a incidência de 621 casos de coronavírus no país e 6 mortes ocasionadas pela doença, Bolsonaro, endossou críticas aos governadores dos Estados. Durante uma Live transmitida nas redes oficiais, o Presidente do Brasil, afirmou que as ações determinadas podem ‘atrapalhar’ o andamento da economia, mesmo que possuam o objetivo principal de conter a disseminação do vírus.

    “Algumas autoridades estaduais têm tomado medidas, recebem também reclamação e elogio, mas deixo claro que o remédio, quando em excesso, pode não fazer bem ao paciente. Uns fecharam supermercados, outros querendo fechar aeroportos, alguns querendo colocar barreira entre os estados, fechando academias. A economia tem que funcionar, caso contrário as pessoas vão ficar em casa sem ter com o que se alimentar”, declarou o Presidente.

    Helso do Carmo, comparou a postura e atitudes de Bolsonaro, certificando que divergem dos demais estadistas nacionais e internacionais. O cientista ainda mencionou o episódio, em que o Presidente contrariou a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre o isolamento de casos suspeitos. “Enquanto observamos líderes mundiais tratando a pandemia como assunto de urgência, o Presidente do Brasil vem contrariando esse movimento. Bolsonaro foi às redes de televisão, pedir aos cidadãos que se mantenham em casa. No entanto, no domingo estimula por meio das redes sociais, apoio a manifestações do último dia 15. Fora isso, boa parte da comitiva mais próxima dele, foi diagnosticada com coronavirus, tornando ele um possível caso suspeito”, ressaltou o cientista político.

    “As pessoas não escolhem ser infectadas, mas estão vulneráveis e devem se preservar. Através da atitude presidencial, de participar de uma aglomeração em frente ao Palácio, demonstra o contrário do que é o recomendado. Agora, todos devem agir em favor do Estado, incluindo o Presidente da República. A representação maior do homem de Estado. Dessa forma, ele não pode se comportar com uma propaganda de si próprio, em meio a pandemia. Esse foco pessoal, da perseguição que ele diz sofrer, deve ser deixado de lado. Precisa encerrar com o discurso sobre o vírus ser “histeria” ou de uma intriga da imprensa alarmista”, completou Helso.

    Iniciativas locais

    Carlos Santiago, também especialista, reforça o papel dos poderes executivos estaduais e municipais, que decretaram estado de emergência e instituíram medidas preventivas. Para ele, Arthur Neto (PSDB) e Wilson Lima (PSC), acertadamente seguiram as recomendações da OMS, para não sobrecarregar o sistema de saúde público. “As decisões dos chefes do Executivo estadual e municipal, que decretaram estado de emergência na área da saúde são louváveis. Eles seguem recomendações da área médica, tanto do estado e do mundo. Isso acontece devido a nossa frágil cobertura na área da saúde. Alguns municípios não possuem equipamentos de UTIs suficientes. Por essa razão, o decreto de emergência, objetiva complementar o que já existe”, ponderou Santiago.

    “Essa medida, inclusive dispensa: licitações, contratações de pessoas físicas e jurídicas, sem necessidade dos tramites licitatórios. Contudo, essa medida deve ser acompanhada pela sociedade, o parlamento e órgãos de controle, para saber se de fato, esses recursos estejam sendo aplicados para o bem-estar da sociedade. Nada pode ser desviado neste momento, o povo tem que ter muita atenção e muito e vigilância. Mas esperamos que estas ações atendam aos interesses coletivos”, alertou o especialista.  

    Sobre a atuação presidencial, Carlos Santiago, ressaltou que a dissonância entre o ministro da saúde é visível. Ainda defende que Bolsonaro adote a parceria e, a união entre os poderes como chave para melhor enfrentamento da epidemia no país. “Com relação ao governo federal, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, tem feito um trabalho de parcerias com os governos dos estados e órgãos de saúde de modo satisfatório. No entanto, essa sintonia, não encontra eco com a postura da presidência. Em um momento de ‘medo social’ e de fragilidade econômica que o país atravessa. O presidente, como comandante da nação, eleito para isso, não tem dado bons exemplos, no sentido de propor a União Nacional, entre os poderes e instituições de controle. Quem vivem nas cidades e estados é o povo brasileiro, então manter a parceria, compartilhamento de recursos humanos, financeiros e de ações é algo que Bolsonaro precisa tratar deixar de tratar como algo secundário em sua agenda”, finaliza Santiago.