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    Coronavírus


    “Na crise que surgem as soluções”, diz David Almeida sobre Covid-19

    O ex-governador observa que a proposta do governo federal é de investir 4% do PIB brasileiro para tentar evitar uma crise sem precedentes, porém é pouco diante do que enfrenta o país

    Em live o ex-governador fala dos desafios do Amazonas, em razão da pandemia | Foto: Divulgação

    Manaus - O ex-governador do Amazonas, David Almeida, presidente do Avante, disse na noite desta quarta-feira (24), por meio de live na rede social, que é hora de os governantes se unirem contra a expansão do novo coronavírus (Covid-19). Para ele, é necessário que as questões políticas partidárias e ideológicas fiquem de lado e que o governo federal, estadual e municipal mexa com urgências nas suas reservas financeiras, para fomentar a economia e assegurar os empregos, sem se esquecer de priorizar as estratégias de segurança da saúde.

    Para o ex-governador, os executivos e os parlamentares brasileiros não podem tomar decisões radicais, no momento em que os números de infectados e mortos pelo Covid-19 crescem no mundo e, o vírus já alcançou todo o território brasileiro. “Enquanto nós olhamos somente o lado da economia, acabamos sendo muito racional e perdemos de vista as pessoas que nós amamos. Uma pessoa que morre ela é muito importante para outras pessoas. Talvez quando atacamos muito apenas por um lado, nós estamos cometendo alguma injustiça”, disse David.

    Diante das previsões de evolução da curva da pandemia no Brasil e no Amazonas - com 67 casos confirmados -, e as medidas de isolamento social determinadas pelo decreto de calamidade pública do governo brasileiro, bem como do governo amazonense, David observou que a economia já caminha para um colapso. A fim de minimizar, disse que é preciso agir rápido. “Nós não sabemos o que vai ser daqui para frente. Um mês, dois meses sem trabalho. O governo precisa mexer nas reservas para que possa fomentar a economia. Nós temos como fazer isso”, ponderou.

    David explicou que neste momento, o governo dos Estados Unidos da América (EUA) vai injetar na economia norte-americana US$ 2 trilhões (em real R$ 10 trilhões, aproximadamente) e, o da Alemanha também vai investir recursos do seu orçamento para proteger os empregos dos seus trabalhadores e minimizar a crise pelos próximos três ou quatro meses. “Como medida de contensão do vírus, o trabalhador alemão, por exemplo, vai ficar em casa e o governo vai subsidiar parte do salário dele”, explica o ex-governador.

    O ex-governador observou que o orçamento do Brasil, para o ano de 2020, será de R$ 3,3 trilhões. E até o momento, a proposta do governo federal é de investir 4% do PIB brasileiro para tentar evitar uma crise sem precedentes. Mas, David disse que, na sua avaliação e na de economistas com quem tem conversado a proposta ainda é muito tímida. “Como no Brasil temos uma reserva muito pequena, o nosso governo brasileiro está investindo 4% do seu PIB. E isso é pouco e pode causar um colapso na economia do país”, avaliou.

    Ele lembrou que o Brasil, tem muitas amarras no orçamento, mas que elas podem ser desatadas com diálogo e superação de divergências políticas e ideológicas. “Eu entendo que esse é o momento de todos sentarem. Não radicalizar de forma nenhuma. Nós vivemos num sistema executivo. Então, que o presidente chame os congressistas, a indústria, o comércio e que todos possam discutir as soluções para o Brasil. Da mesma forma o governador do Amazonas e o prefeito de Manaus, que chamem todos os atores envolvidos nessa questão”.

    Diante do dilema, de manter os empregos ou a vida, que os debates políticos e ideológicos colocaram para os brasileiros, David se lembrou de um momento particular que viveu há quase quatro meses, quando perdeu a sua esposa. “Eu ficaria sem emprego, iria para rua, iria vender o que fosse preciso para salvar a vida da minha esposa. Sem a vida, sem a saúde não adianta ter emprego. O seu emprego é importante? É... Ele é fundamental, mas os governos têm reservas para ajudar a mantê-los nesse momento muito difícil para o país”, finaliza.