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    Demissão de Moro ‘implode’ governo e Bolsonaro perde força

    Políticos, presidentes de entidades e analistas ponderam sobre a indisposição entre Bolsonaro e Moro, foi ao limite, gerando a demissão do ministro

    Diante da imprensa nacional Moro e Bolsonaro trocaram farpas e suposições | Foto: Palácio do Planalto

    Manaus – Após a controversa demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça (MJ), anunciada por ele na manhã de ontem (24), parlamentares, analistas e representantes dos poderes, analisam o impacto das declarações bombásticas de Moro. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revogou à “carta branca” que havia cedido ao ex-ministro, após a publicar da exoneração “a pedido” de Maurício Leite Valeixo, ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF).

    No discuso, Moro lamentou a crise política gerada pela demissão e também citou o combate à corrupção com a Lava Jato. Ele chegou a comparou a postura de Bolsonaro, em relação aos governos petistas. “Os governos da época (Lula e Dilma), tinham inúmeros defeitos, mas mantiveram a autonomia da Polícia Federal. Falei ao presidente que seria uma interferência política. Ele disse ‘seria mesmo. Ele ainda disse, que queria ter uma pessoa da confiança dele, que ele pudesse ligar, obter informações. E esse não é o papel da Polícia Federal. As investigações têm que ser preservadas”, afirmou.

    Perda de poderes

    O cientista político Carlos Santiago destaca que com a saída de Moro, Bolsonaro perdeu força em duas, das três grandes frentes populares de sustentação eleitoral em 2018. “O combate à corrupção e a parceria com a operação Lava-jato; o liberalismo econômico, com a diminuição do papel do Estado na economia e priorização da classe empresarial; sendo o terceiro, o compromisso com a pauta defesa da família tradicional, medidas contra o aborto, contra a comunidade LGBT e outras minorias”, comentou.

    “Depois de quinze meses, a proposta econômica foi enterrada, pois o País precisa de um Estado forte e atuante no combater à Covid-19 e também para promover investimento econômico; a moralização da administração pública não foi a tônica do governo, inclusive com enfraquecimento de órgãos de controles de fiscalização da administração federal, e agora a saída do Sérgio Moro do Ministério da Justiça revelando interesses políticos nas investigações da Polícia Federal”, explicou.

    Segundo Santiago, a linha governamental de Bolsonaro agora vai se pautar ao negacionismo das minorias e a sustentação do mandato se tornará mais inviável, sendo passível até mesmo de impeachment. “Com o liberalismo econômico e o combate à corrupção. Sobrou ao presidente a pauta dos costumes liderada por grupos religioso extremistas e por pessoas que negam a contribuição do negro, dos povos indígenas e das mulheres na vida pública.  Quando um governo não tem sustentação política no Congresso Nacional, nem apoio popular e ainda tem um ex-ministro da justiça denunciando interferência do presidente nas investigações, torna-se refém de um pedido de impeachment”, finalizou.

    Autoridades se posicionam

    Felipe Santa Cruz presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), afirmou que entidade vai investigar os indícios de crimes, que foram citados por Moro na coletiva. “A OAB irá analisar os indícios de crimes, apontados por Moro. Mas preciso registrar meu lamento e minha indignação com as crises que o Presidente nos impõe, por motivos extremamente suspeitos, em meio a uma crise pandêmica que, de tão grave, deveria ao menos ser a única”, esclareceu.

    Jeff David Mac Donald presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de Carreira do Estado do Amazonas (Sindpol-AM), afirma que a autonomia defendida por Moro, serve para dar mais condições a investigações em níveis federais e até mesmo estaduais. “O fundamento utilizado por ele para declarar a saída, demonstra a importância que ele dava a ordem da Polícia Judiciária. Apesar da autonomia não existe formalmente, ele como gestor da pasta entendia que deveria sim, existir autonomia investigativa, financeira e funcional. Como efeito disso, o governo federal vai enviar uma PEC para alterar a Constituição, par dar autonomia total da polícia federal, como consequência, os governadores pode fazer o mesmo”, declarou.

    Deputados ponderam

    O deputado federal delegado Pablo (PSL) divulgou vídeo onde lamenta a saída do ex-ministro e elogia a carreira de Moro. “Como um verdadeiro maestro, combateu a criminalidade e a corrupção no Brasil. Mantenho o meu compromisso com a autonomia e a independência da Polícia Federal nas investigações que resgataram o orgulho dos brasileiros”, pontuou.

    José Ricardo (PT) deputado federal, citou a inércia de Moro enquanto ministro à frente de investigações importantes e a omissão do ministro às manifestações antidemocráticas. “O governo do Bolsonaro está desmoronando, com a saída de Mandetta e Moro. O mesmo havia ganho este cargo como um prêmio, após ter impedido Lula de ser candidato e com isso, ajudou Bolsonaro ser eleito. Ele pouco entendia de segurança pública, não investigou as quadrilhas e esquemas conhecidos; tão pouco não concluiu o ‘caso Queiroz’ e ‘caso Marielle’. Ele também se calou quando a democracia e as instituições como o STF e Congresso Nacional foram atacadas. Até na questão da Amazônia, não teve coibiu as invasões de terras indígenas e os desmatamentos ilegais. Agora, está saindo do governo que deveria permanecer na luta contra a Pandemia, mas assim não fez”, comentou.

    No twitter, o deputado federal Marcelo Ramos (PL), ponderou a questão considerada como “grave” e que os esforços contra o Covid-19 não sejam dispersados. “Das declarações do Ministro Moro é muito grave a informação de que o Presidente muda o Diretor Geral da PF por interesses em inquéritos. O Chefe do Executivo obstruir e interferir em inquéritos é crime. Saída do Moro gerará uma crise política e institucional que precisa ser rapidamente superada para que não dispersemos os esforços do combate ao coronavírus e preservação da vida dos brasileiros”, declarou.

    O delegado e deputado estadual Péricles (PSL), também se manifestou. "No momento digo que é inegável toda a contribuição do ministro Sérgio Moro, não só para o governo Bolsonaro, mas para todo o nosso país. Ele seguirá sendo personagem emblemático no combate à corrupção do nosso país. Creio de igual forma que novo nome a ser apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro corresponderá ao cargo e missão. Precisaremos aguardar e de igual modo acompanhá-lo, cobrá-lo e apoiá-lo em ações e medidas que beneficiem a população do nosso país", conclui.