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    Pré-candidaturas


    'Palhaços' pré-candidatos querem vencer eleição em Manaus

    Faltando apenas seis meses para as eleições municipais, pré-candidatos a vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que têm a palhaçaria como profissão, mostram posicionamentos e desafios para enfrentarem as campanhas

    | Foto: Carol Givone

    Manaus – Faltando apenas seis meses para as eleições municipais, pré-candidatos a vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que tem a palhaçaria como profissão, mostram posicionamentos e desafios para enfrentarem as campanhas eleitorais. A esperança  é mostrar que têm credibilidade para vencerem o pleito.

    Palhaço Caroço

    O palhaço ‘Caroço’ é um dos personagens de Alexandre Tufi (Patriota), que na “vida real” é capelão e juiz de paz. O pré-candidato pelo Patriota, disputará uma das 41 vagas na CMM. Será a primeira vez que o palhaço vai concorrer a um pleito. “Desde criança sempre tive inclinação para causas sociais. No bairro da Redenção, onde nasci e fui criado, saiamos de porta em porta, coletando alimentos para doação às famílias vulneráveis. Chegamos a criar a iniciativa ‘futuro sem fome’, que auxiliava pessoas por meio do evangelho e da assistência alimentar e social”, disse Alexandre.

    O palhaço 'dentro dele' surgiu 2016, em meio a festividades na igreja que frequenta. “Quando fazemos ações sociais infantis, é importante ter um personagem que as crianças aceitem e se divirtam. Mas além da diversão, fazemos palestras sobre violência doméstica, meio ambiente, pautas importantes e voltadas para proteção da criança e adolescente”, explicou o pré-candidato.

    Sobre uma possível desconfiança do “papel de palhaço” durante a campanha e, caso se eleja à CMM, Alexandre diz que não vê preconceito e problema ao ser associado à figura de ‘Caroço’. “Não vejo preconceito, pois o trabalho que faço como palhaço é extremamente social. O Caroço é um complemento do meu trabalho com capelão, instrutor e educador social. Acredito em uma real mudança para o bem, com projetos que alcancem pessoas à margem da sociedade. É possível construir um mundo melhor em conjunto. E com um mandato eletivo, podemos transformar por meio da igualdade social, uma Manaus com educação melhor, mais transparência e trabalho duro. Não podemos perder esperança”, completa.

    Lero Lero

    Raimundo Nonato Andrade (PSB), também será pré-candidato a vereador, e iniciou a carreira em 1993 como o palhaço “Lero Lero”, no bairro Alvorada. “Eu já atuava como cantor e após a morte da minha mãe, congreguei em uma igreja católica e encontrei meu propósito. E assim com as ações paroquiais, levava alegria às crianças. Minha pauta principal como pré-candidato é a cultura, que possui pouca representatividade de projetos que promovam políticas públicas de educação e transformação social”, comentou.

    “Meu projeto é retirar as crianças das ruas, por meio da criação de espaços culturais, onde a pratica das artes possam salvar essas pessoas da marginalidade. Existem muitas crianças e adolescentes com talentos artísticos e que não possuem oportunidade de seguir carreira ou mudar a realidade das suas vidas e famílias”, ponderou Andrade.

    “Costumo falar sempre que estou de passagem e, quero plantar sementes positivas para a sociedade. Moro há mais de 49 anos no bairro Alvorada, e por vezes vejo que as pessoas da comunidade elegem pessoas de fora da sua realidade, não podem representa-las. Então temos a chance de fazer a diferença. Por trás da máscara do palhaço, há um homem sério que tem família, amigos e pretende estender as boas ações para todos”, finaliza.

    Discurso de mudança

    O sociólogo Luiz Carlos, analisa os discursos de mudança, fortemente utilizados durante o período eleitoral. Para ele, frases como “não reeleja ninguém”, “político é tudo igual”, “vamos fazer a diferença” e o voto de “protesto”, são sofismas e contradições, constantemente reforçadas por eleitores e candidatos.  

    “O ser humano por natureza, é um ser político e não há diferença de candidatos estreantes que dizem ‘políticos são todos iguais’, daqueles que são políticos profissionais, que já vivem da política. Isso é um contrassenso, uma falta de coerência no discurso, pois isso não se sustenta após as eleições, é apenas uma falácia eleitoreira”, iniciou.

    “Veja bem, dizer que ele vai ser diferente é fácil, ser diferente é a grande questão. Por muitas vezes esse recurso é apenas usado, para atender à necessidade naquele momento. Supondo que essa pessoa seja eleita, ela estará na mesma condição daqueles que a criticaram anteriormente. Esse tipo de postura, acaba não representando nenhuma proposta politicamente honesta”, pondera o sociólogo.

    “Ainda é possível que parte da população, principalmente, as pessoas que não tem clareza do seu papel político, possam votar por ‘palhaçada’ em candidatos frutos de produtos midiáticos, que não defendem pautas importantes e mantem o status quo. O Voto de ‘protesto’ é como uma revolução e não como revolta. O protesto muda, a revolta não”, conclui o especialista.