Fonte: OpenWeather

    Isolamento Social


    Religiosos manterão templos fechados mesmo após liberação da Aleam

    Lideranças religiosas e fiéis reafirmam que defendem as medidas de isolamento em período de pico da pandemia

    Pastor presidente da Igreja Adventista e arcebispo da Igreja Católica defendem manutenção do distanciamento social | Foto: divulgação

    Manaus - Lideranças e membros de várias denominações religiosas se posicionam contrários ao Projeto de Lei (PL), aprovado nesta quarta-feira (6), pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que institui a reabertura de igrejas e templos religiosos e os considera essenciais. Para os religiosos, a medida não irá contribuir para o achatamento da curva de contaminação do novo coronavírus (Covid-19), no Amazonas, que enfrenta uma das piores curvas de contaminação e de óbitos do país.

    O arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Leonardo Steiner, afirmou em declaração que a “Igreja Católica sabe do seu serviço essencial para a sociedade, dos municípios que formam a Arquidiocese, pelo anúncio da palavra e pelas celebrações”. Contudo, o religioso observou que a Igreja tem consciência da necessidade de se manter firma quanto às medidas de isolamento social. “Ela (Igreja) será sempre cuidadora das pessoas, especialmente dos mais abandonados na sociedade, e da saúde psíquica, corporal e espiritual. Porém, na sua missão de anunciar a Jesus e o seu Reino, ela continuará a incentivar o distanciamento social como meio de preservar a saúde do nosso povo”, disse.

    O presidente da Igreja Adventista, do setor noroestes - Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima -, pastor Sérgio Alan Alves Caxeta, declarou que, mesmo com a aprovação desse projeto no Amazonas, todos os templos permanecerão fechados para cultos e reuniões públicas. “Alguns templos estão abertos apenas para recebimento de doações para serem levadas às famílias carentes. A avaliação da igreja deste momento, é que o vírus é altamente contagioso é muito agressivo. Diante deste fato apoiamos o isolamento social e a abertura apenas dos locais que são considerados essenciais, como supermercados e farmácias”, disse.

    A Fundação Allan Kardec (FAK), organização espírita do Amazonas, também reafirmou por meio das redes sociais o “compromisso de cooperar com o esforço social de combate ao COVID-19 e mantém, por tempo indeterminado, todas as suas atividades presenciais suspensas”. De acordo com a fundação, o eventual retorno dependerá das orientações das autoridades sanitárias. “Até esse momento, a FAK continuará realizando atividades à distância e usando os recursos tecnológicos de comunicação. Nesta semana, inclusive, anunciaremos novas atividades para a comunidade de trabalhadores, estudantes e assistidos”, informou.

    Momento de proteção

    O estudante universitário Arthur Amorim, que é católico, classificou o projeto aprovado na Aleam como uma “irresponsabilidade”. “Acredito que abertura das igrejas não ajudam na diminuição de contágio da Covid-19. Na verdade, vejo como uma irresponsabilidade do legislativo. Enquanto todo os estados estão pensando em lockdown, nossos parlamentares sugerem abrir as igrejas, uma medida que em nada ajuda nessa pandemia. Sobre a fé e a devoção, não se trata de estar presencialmente na igreja, mas acreditar e confiar em Deus”, disse Amorim.  

    A estudante de direito Kátia Silene, que segue uma congregação evangélica, também repudia a iniciativa do Parlamento estadual. “Estamos assistindo os noticiários todos os dias, acompanhando a superlotação dos leitos na saúde e os sepultamentos que crescem na cidade. Acredito que os deputados estejam em ‘outra dimensão’. Não adianta debater proposições em favor do reforço aos hospitais, ao mesmo tempo em que se aprova um relaxamento do isolamento dessa forma. Existem outras maneiras de exercitar a fé, e abrir igrejas no meio de uma pandemia, certamente não é uma delas”, avalia.

    A consultora de vendas Marcília Batista, que é espírita, também endossa o movimento contrário ao projeto aprovado pelos deputados do Amazonas. Ela acredita ser melhor aguardar o fim da pandemia para reabertura dos templos. “A vontade de estar participando das atividades pessoalmente é grande. Mas, a nossa responsabilidade social é preservar a vida, principalmente com membros idosos. Eu não iria frequentar as reuniões em meio à pandemia, mas sigo exercitando a fé e estou sempre acompanhando as atividades, fazendo doações e assistindo as iniciativas através do meio digital”, afirma.

    O deputado João Luiz (Republicanos), autor do projeto de lei, foi procurado pela equipe de reportagem, mas até o fechamento desta edição, não deu retorno aos questionamentos.