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    GOVERNADOR DO AMAZONAS


    'História vai cobrar oportunismo sobre os cadáveres', diz Wilson Lima

    Governador alerta para o real foco da gestão e critica atos que classificou como "politicagem", que envenena o combate à pandemia

    | Foto: Governador Wilson Lima

    Manaus - O enfrentamento à pandemia da Covid-19 parece não ser a prioridade de parte da classe política do Amazonas, segundo avaliam os críticos. Na avaliação geral, com a instauração do pedido de impeachment do governador Wilson Lima (PSC), o presidente da Assembleia Legislativa (Aleam), Josué Neto (PRTB), parece ignorar os esforços individuais do isolamento social da população e de iniciativas coletivas que buscam evitar perdas no Estado. O novo coronavírus, já atingiu quase 15 mil amazonenses e provocou a morte de 1.098 pessoas.

    Wilson Lima classifica o impeachment em meio à pandemia, um ato de politicagem contaminada pela eleição
    Wilson Lima classifica o impeachment em meio à pandemia, um ato de politicagem contaminada pela eleição | Foto: Alberto Araujo/Aleam

    Em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (12), Wilson Lima, disparou contra a oposição ao seu governo e disse que “estão fazendo palanque sobre cadáveres”. “A história vai cobrar isso. Há uma crise política, contaminada pela eleição deste ano, e à medida que se fala de outra coisa, que não seja o combate à Covid-19, atrapalha. Nada é mais importante, nesse momento, que salvar as vidas das pessoas”, salientou o governador.

    A vice-presidente da Aleam, Alessandra Campelo (MDB), classifica a tentativa de impedimento do governador e do vice, como uma possibilidade “desumana”. “Além de soar como oportunismo, chega a ser desumano deixar o Estado num vácuo administrativo no meio da pandemia, por conta de politicagem. Seria um caos ainda maior, porque a população é que vai sofrer os efeitos. É hora de deixar essa disputa por poder de lado e trabalhar para controlar o avanço da doença, pois só assim teremos condições de retomar a economia e dar dignidade às pessoas que pedem dos parlamentares uma solução”, reforçou.

    Deputada Alessandra Campelo diz que disputa por poder atrapalha o trabalho contra o avanço da doença
    Deputada Alessandra Campelo diz que disputa por poder atrapalha o trabalho contra o avanço da doença | Foto: Divulgação

    Sobre as ações voltadas à saúde, a líder do governo na Aleam, deputada Joana Darc (PL), voltou a frisar a importância de o Parlamento estadual em concentrar esforços sobre ações que priorizem salvar vidas nesse momento de pandemia. Ela esteve reunida com o governo, a fim de agilizar a liberação de recursos das emendas impositivas dos colegas, muitas das quais, para a saúde no interior.

    “Cuidei, pessoalmente, de cada uma das emendas. A gente vive um momento em que, quando tiramos o foco do que realmente importa, estamos colaborando com mais mortes. Estamos colocando mais gente dentro dos hospitais”, argumentou a parlamentar.

    A deputada Mayara Pinheiro (Progressistas) reforçou o histórico das discussões no plenário da Casa e sobre as diversas propostas em favor da contenção do vírus. “As autorizações ao Estado, para a compra direta de respiradores; construção de hospitais de campanha e o abastecimento de medicamentos na rede básica. Também destaco a realização dos testes rápidos aos profissionais da saúde toda a semana. Dessa forma, vamos protegê-los e verificar quais destes trabalhadores são potenciais vetores de contaminação. Vamos seguir cumprindo o isolamento social que ainda é a melhor formar de evitarmos o avanço do vírus”, destacou.

    Reforços e ações

    As iniciativas do governo acontecem por meio das secretarias de Estado, com o objetivo de diminuir o contágio da Covid-19, além de promover assistência social em áreas de periferia e comunidades com altos índices de vulnerabilidade, na capital e no interior.

    Como nova medida de enfrentamento à pandemia, o governador Wilson Lima prorrogou as medidas de isolamento social até o dia 31 de maio. O funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais, de recreação e lazer segue suspenso. Pelo novo decreto, ficou estabelecido o uso obrigatório de máscara e penalidades, como multa diária de R$ 50 mil, para pessoas jurídicas que não cumprirem as determinações.

    Outra medida adotada pelo governador é voltada à geração de renda e manutenção de empregos durante a pandemia. O projeto “Costurando a esperança, protegendo vidas”, vai garantir renda para pelo menos 200 costureiras desempregadas, além de distribuir mais de 1 milhão de máscaras para a população em situação de vulnerabilidade social em Manaus, e na Região Metropolitana.

    Por meio do programa “Merenda em Casa”, o governo enviou mais de 223 mil kits de alimentos que serão distribuídos para estudantes dos municípios do interior. Desse número, 137 mil kits serão destinados, inicialmente, a alunos do entorno de Manaus e das calhas dos rios Negro, Médio e Alto Solimões e Madeira. Ainda neste mês, a secretaria começa a atender as regiões do Baixo Amazonas e do Baixo Solimões. Ao todo, 32 municípios serão atendidos.

    Em articulação conjunta com o Governo Federal, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o Governo do Amazonas vai promover a construção de um hospital voltado ao atendimento de indígenas. A estrutura deve ser implantada como um anexo do Hospital Nilton Lins.

    Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para os profissionais de Saúde também são prioridade. Ao todo, o Estado já distribuiu em maio mais de 10,6 milhões de EPIs para unidades de saúde. Entre os itens entregues estão luvas, máscaras cirúrgicas, máscaras N95, viseiras de proteção, aventais, toucas descartáveis, óculos de proteção, botas, capuz e macacões.