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    Movimento Antifascistas


    Manifestação pró-democracia em Manaus pede afastamento de Bolsonaro

    Sem estimativas oficiais participantes estimaram cerca de 2 mil manifestantes presentes no pico da passeata na Djalma Batista

    Participantes estimaram, aproximadamente, 2 mil manifestantes presentes no pico da passeata | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Pela democracia, contra o fascismo, o racismo e atitudes do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de seus aliados contra os poderes constituídos, estudantes de Manaus se uniram para uma caminhada pacífica, na avenida Djalma Batista, na tarde desta terça-feira (2). Realizada por manifestantes do movimento “Amazonas pela Democracia”, em meio a gritos e palavras de ordem, a manifestação pediu o afastamento de Bolsonaro.

    Sem estimativas oficiais da Polícia Militar nem dos organizadores, participantes estimaram participação de, aproximadamente, 2 mil pessoas. Um dos líderes do movimento, o estudante Matheus Castro, 20 anos, disse que o protesto articulado pelas redes sociais, tomou a avenida de forma espontânea. Ele avaliou que é possível dizer que hoje se vive um momento histórico, em que há por parte do presidente da República e aliados, tentativas claras de golpe contra os poderes que constituem a democracia

    "Fora Bolsonaro" foi uma das principais pautas da manifestação em Manaus
    "Fora Bolsonaro" foi uma das principais pautas da manifestação em Manaus | Foto: Lucas Silva

    “Presidente e aliados tem atentado constantemente contra a democracia. Por conta disso, estamos vivendo um momento conturbado no país. Mas atos como esse (de ontem) são essenciais para que a nossa democracia seja protegida. Vamos continuar dialogando por meio das redes sociais para definir o futuro do movimento. De antemão, os estudantes estarão em defesa da democracia como sempre estiveram”, explicou Castro.

    A manifestante Maria Luíza, de 23 anos, disse que os excessos do presidente Bolsonaro não podem ser tolerados pelos brasileiros. “Bolsonaro tem falado como se representasse a maioria da população. Eu não tenho dúvidas de que muitos que votaram nele, estão arrependidos. A democracia tem que ser preservada, independente do que ele (presidente) acha adequado. As pessoas estão cansando desse tipo de comportamento, por isso estamos nas ruas”, comentou.

    Manifestação lembrou de atos racistas pelo Brasil e pelo mundo
    Manifestação lembrou de atos racistas pelo Brasil e pelo mundo | Foto: Lucas Silva

    Legitimidade política

    Um grupo de advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) também esteve presente na manifestação para garantir que não houvesse qualquer tipo de excesso em caso de intervenção policial. Segundo o advogado Marcelo Amil, ligado ao PCdoB, o ato possui legitimidade política, e não fere qualquer lei ou representa ameaça à sociedade.

    “Independente de ser político ou não (em referência a ele), eu estaria participando desse ato pela democracia. Temos advogados, estudantes, professores, desempregados e todo mundo que acha que deveria acontecer algumas coisas diferentes do que vem acontecendo no Brasil agora. Estou como cidadão e advogado para dar suporte a essa manifestação legitima que está acontecendo e garantir a paz”, afirmou Amil.

    O delegado João Victor Tayah, filiado ao PT, observou que provocações de grupos contrários ao movimento, que divulgaram informações para intimidar o manifesto, não foram bem-sucedidas. “Sabem quantos responderam às provocações? Ninguém! Não conseguiram atribuir a nós nenhuma das acusações injustas que vinham promovendo ao longo da semana. Para a infelicidade dos fascistas, foi um ato lindo, organizado, legítimo e pacífico, que contou com milhares de pessoas. Sabem por quê? Porque a violência vem do fascismo, não de nós. Violência contra negros, mulheres, índios, LGBTs, trabalhadores e pobres. Os antifascistas não promovem a violência. Pelo contrário, frequentemente são vítimas dela”, disse.

    Pelo Twitter, o deputado federal Marcelo Ramos (PL), que tem criticado a postura do governo Bolsonaro, se manifestou favorável a manifestação em Manaus. “Hoje milhares de jovens tomaram as ruas de Manaus em defesa da Democracia e contra o racismo. A grande maioria do povo brasileiro abomina o autoritarismo e o preconceito. Parabéns a juventude manauara pela bela e pacífica manifestação democrática e cidadã”, disse.

    Antifascistas

    Estudantes se manifestaram também contra a ideologia de ódio
    Estudantes se manifestaram também contra a ideologia de ódio | Foto: Lucas Silva

    Durante a manifestação, várias pessoas carregavam cartazes com frases de protesto contra o racismo, como faixas de “Vidas negras importam” e “Não consigo respirar, em alusão à Floyd George, jovem negro morto durante uma ação truculenta da polícia americana. Segurando uma delas, estava um dos jovens que integra o movimento antifascista, que preferiu não se identificar, afirma que o grupo participou de maneira pacífica, no entanto ressalta que não admitiria ataques de infiltrados.

    “O movimento antifascista tem ganhado mais força, mas isso não quer dizer que queremos acabar com o Brasil, ou nada do tipo, essas coisas são ditas por oposicionistas, que feito de tudo para nos criminalizar. Queremos mostrar à sociedade que, se negros, brancos e pardos juntos, são capazes de combater o racismo, a xenofobia e o autoritarismo que o presidente tem incitado. Nós não vamos causar baderna, mas iremos reagir à violência se for necessário. O Brasil é maior que o Bolsonaro”, completa.