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    EFEITO COVID-19


    Arthur diz que é prematuro falar em fim da pandemia em Manaus

    Prefeito disse que o país não teve um isolamento convincente devido o comportamento do presidente Bolsonaro

    Arthur Virgílio Neto, que cumpre seu segundo mandato consecutivo como prefeito de Manaus, voltou a dizer que é contra a prorrogação de mandatos
    Arthur Virgílio Neto, que cumpre seu segundo mandato consecutivo como prefeito de Manaus, voltou a dizer que é contra a prorrogação de mandatos | Foto: Mário Oliveira/Semcom


    Manaus - O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), disse nesta terça-feira (23) que é cedo para se falar em fim da pandemia na cidade, bem como em novo pico no mês de julho. A afirmação foi feita durante entrevista do quadro “Jogo do Poder”, da rede Meio Norte, que inclui canais de rádio, TV, portal de notícias e canais na internet do Estado do Piauí.  O programa, apresentado por Amadeu Campos, contou com os jornalistas Efrein Ribeiro, que já atuou como correspondente da “Folha de S. Paulo”, em Manaus, Ari Carvalho e Sávia Barreto.

    Ao falar da retomada das atividades econômicas, autorizada pelo governo estadual, Arthur disse que não foi favorável e que, hoje a cidade passa por uma fase favorável, com a redução da letalidade e de registro dos casos. “Eu só sei dizer que a reabertura foi desorganizada, com as etapas confundidas. Tem muita gente na rua e sinto que é prematuro dizer que vai ter um novo pico e também abrir, do jeito que se abriu”, afirmou o prefeito.

    Segundo Arthur, os casos que estão sendo registrados atualmente na cidade têm apresentado quadros mais amenos que no início da pandemia e o número de mortes caiu significativamente.

    Ele disse, ainda, que não se pode fazer, no Brasil, um isolamento social convincente, principalmente em função do comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou a pandemia e incentivou a ida das pessoas às ruas. Ele cita, também, que foram feitos poucos testes em Manaus para que se pudesse ter um quadro real da situação, culminando com a reabertura precipitada.

    “Eu considero que o melhor remédio para combater a Covid-19 é o isolamento social, o diagnóstico precoce e o tratamento imediato”, afirmou.

    O prefeito foi questionado sobre a ajuda prestada ao município durante a pandemia, para fazer o diagnóstico e fazer o atendimento aos doentes.

    “O papel da prefeitura é fazer a Atenção Primária em Saúde, mas nós fomos além e entramos com o hospital de campanha, que deu bons resultados, com mais de 600 pessoas restabelecidas em, aproximadamente, dois meses. O governo federal auxiliou o governo do Estado que, com isso, saiu do sufoco que estava com o colapso dos hospitais”, disse o prefeito Arthur Neto. “Ajuda específica a Manaus foi tipo - para não dizer que não falei de flores - para não dizer que não fez nada”, ironizou.

    Amazônia

    “O Brasil é um país que não respeita seus indígenas, é visto no exterior como um país que estimula garimpagem e agronegócios na Amazônia, o que é uma temeridade, com efeitos catastróficos para a floresta e para os nossos rios”, afirmou Virgílio. “Minha ideia é trabalhar com dois doutores: o formado pela academia e o doutor índio, que conhece nossas florestas e biogenética como ninguém. Essa parceria é a chave para que possamos explorar nossas riquezas com lucidez e encontrar novos caminhos para a nossa economia”, continuou. “Isso a gente não vê. O que se vê é o registro de mortes de índios por Covid-19. Ontem foram mais de 300. A morte de cada um deles é a morte de nossa história”, lamentou.

    Arthur voltou a falar sobre a necessidade de fazer chegar ao Conselho da Amazônia, coordenado pelo vice-presidente general Hamilton Mourão, a voz de representantes da região e de cientistas que levem conhecimento real da situação. O prefeito de Manaus ainda aguarda resposta do Ministério do Meio Ambiente quanto a sua participação no conselho.

    Eleições 2020

    Ainda na entrevista, Arthur Virgílio Neto, que cumpre seu segundo mandato consecutivo como prefeito de Manaus, voltou a dizer que é contra a prorrogação de mandatos.

    “Meu último dia como prefeito é dia 31 de dezembro de 2020 e não abro mão disso”, defendeu. Ele ponderou, no entanto, que se houver mudança do calendário eleitoral, com o primeiro turno previsto para o dia 15 de novembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deveria rever os prazos de desincompatibilização de cargos públicos e o ajuste de todos os prazos do calendário à nova data.

    *Com informações da assessoria