Fonte: OpenWeather

    ELEIÇÕES 2020


    Campanha subliminar nas redes sociais elimina os mais desatentos

    Proibido na "pré-campanha", o pedido de voto pode estar em muitas expressões da internet como o "tamo junto"

    | Foto: Reprodução

    Manaus - Com a "pré-campanha" aberta neste ano aos pretensos candidatos aos cargos públicos de vereador e prefeito, eles podem expor as suas posições políticas e propostas. No entanto, o pedido de voto ainda não é permitido durante esse período. Além do pedido explicito de voto, a Justiça Eleitoral também tem levado em consideração a campanha subliminar que tem ocorrido, principalmente na linguagem das redes sociais. Um "vote em mim" pode estar em expressões de internet como "conto com você" ou até no famoso "tamo junto", segundo especialistas, o que pode inviabilizar as suas candidaturas.

    Com a aprovação da Emenda Constitucional 107, neste ano, a campanha eleitoral que começaria na segunda quinzena de agosto iniciará a partir de 27 de setembro. Até a prevista data, os pré-candidatos já estão autorizados pela legislação eleitoral a realizarem a pré-campanha dentro das diligências permitidas, para que não seja realizado o pedido explicito de voto.

    Campanha eleitoral iniciará no dia 27 de setembro, de acordo com novo calendário
    Campanha eleitoral iniciará no dia 27 de setembro, de acordo com novo calendário | Foto: Reprodução

    De acordo com o advogado especialista em direito eleitoral, Felipe Peixoto a população e os pré-candidatos devem ter conhecimento sobre os disfarces de pedidos de voto nesse período. “É muito comum identificar ações que configuram campanha antecipada nesse período, principalmente nas redes sociais. As principais formas de pedir voto subliminarmente estão nas falas desses candidatos, não é permitido usar termos como 'conto com você' ou 'estamos juntos', 'preciso do seu apoio', entre outras formas que induzem as pessoas a votarem nesse candidato por meio de um suposto pedido”, explica o advogado.

    Também fica proibido neste período a distribuição de adesivos e panfletos, assim como a implantação outdoors e jingles com nome ou número do pré-candidato. De acordo com o especialista, os pré-candidatos devem se manter ativos nas permissões previstas em lei durante esse período.

    “A proibição do pedido de voto nesse período não significa que o pré-candidato não pode exercer nenhuma atividade. É permitido divulgar as ações políticas desenvolvidas, ações políticas que pretende desenvolver, assim como informar a pré-candidatura e as qualidades pessoais”, destacou Peixoto.

    Pré-candidato que abusa do poder econômico pode perder o registro de candidatura
    Pré-candidato que abusa do poder econômico pode perder o registro de candidatura | Foto: Lucas Silva

    Punição

    A pré-candidatura é importante e exige cautela devido as punições que cercam esse momento. Se identificado que o pré-candidato realizou o pedido de voto durante esse período, a punição é aplicada por meio de multa que varia entre R$ 5 mil a R$ 25 mil, de acordo com a gravidade da ação. Segundo a advogada especializada em direito eleitoral Raiane Pimentel, o candidato também corre o risco de perder o registro de candidatura caso seja identificado abuso de poder durante a pré-campanha.

    “A excussão de serviços de divulgação pública é um os fatores principais que impedem os pré-candidatos a continuarem na disputa. Isso acontece quando é identificado que o candidato usou de seus recursos para realizar esses serviços ou incentivou seus apoiadores a realizarem tais atividades, caracterizando abuso de poder por parte do suposto parlamentar”, analisou.

    Preparação

    Buscando seguir as regras da pré-campanha, sem realizar pedidos de voto, os pré-candidatos amazonenses já começam a se movimentar politicamente para expor suas propostas iniciais. Com a pandemia, a pré-campanha se tornou totalmente virtual. O pré-candidato a prefeito e delegado Marcelo Amil (PCdoB) destacou como as redes sociais tem sido fundamental nesse momento.

    “Eu tenho grupos de trabalho por onde estudamos os eixos de melhorias da capital. Tenho feito lives diárias e conteúdos midiáticos para discutir com especialistas esses pontos e por meio disso desenvolver o plano de governo. Não precisamos pedir voto para que a população faça o que acha certo nas urnas. É necessário conversar com as pessoas e entender o que precisa de mudança”, avalia.

    A delegada e pré-candidata a vereadora Débora Mafra (PSC) avalia que o trabalho feito frente à Delegacia Especializada em Crimes contra Mulher (DECM) é o que permite a população a identificá-la como uma boa parlamentar. “Acredito que nesse momento o pedido de voto não é o mais importante. A população me conhece pelo que eu já fiz na minha profissão e esse tem sido o meu feito durante a pré-campanha, visitando pessoas, participando de eventos virtuais e continuo afirmando que eu tenho de continuar expondo a minha vontade de interagir com o povo, como sempre fiz”, diz.

    Já o deputado federal e pré-candidato a prefeito de Manaus José Ricardo (PT) informou que nesse momento tem tratado das temáticas que pretende incluir na campanha eleitoral e defender as propostas já existem em seu mandato. “Estamos ouvindo a população sem pedir voto. Acredito que esse é o momento mais rico que existe dentro da campanha eleitoral, pois é onde o contato com a população é ainda maior visando sempre melhorar e não se igualar aos demais”, analisa.

    Já o jornalista e pré-candidato a vereador Thiago Botelho (DC) diz que tem investido nos espaços virtuais para expor suas ideias e posicionamento político. Para ele, o mais importante é ser eleito por suas ações."Sou ativista político e sempre usei minhas redes sociais para expor meus posicionamentos sobre a política amazonense. Não quero ser conhecido como o parlamentar que dedicou seu tempo pedindo voto antes do permitido. Não quero está associado a isso. Prefiro que me conheçam pelo meu histórico e saibam que eu estou disposto a realizar todos os feitos dentro da lei”, afirma.

    Leia Mais: 

    PEC que adia eleições municipais para novembro é aprovada na Câmara

    Pré-candidato que faz doação durante pandemia pode ser punido

    Excesso de impulsionamento nas redes sociais pode gerar cassação