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    Bolsonaro com o "Centrão"


    Mourão defende relação do governo com partidos de centro no Congresso

    Vice-presidente disse que Bolsonaro já entendeu a necessidade de ter uma base dentro da Câmara e do Senado

    Hamilton Mourão considera “sadia” a aproximação do governo Bolsonaro com os partidos do centro | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Brasília - O que todos os aliados mais fiéis defensores do combate a corrupção não esperavam ouvir do governo Bolsonaro, a aproximação com os parlamentares do “Centrão”, no Congresso Nacional, foi defendida nesta segunda-feira (13) pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Ele classificou como um avanço a aproximação recente do governo com o partidos de centro na Câmara e no Senado, que podem garantir a construção de uma base legislativa para aprovação de projetos de interesse do Executivo.

    "O presidente [Bolsonaro] já compreendeu, desde há algum tempo, que em qualquer presidencialismo você precisa ter uma base dentro do Congresso. Se não tiver uma base, você dificilmente consegue aprovar aquilo que são seus projetos mais importantes. A aproximação com os partidos de centro, que são, vamos dizer, a base do equilíbrio de poder dentro do Legislativo, é uma aproximação que eu considero sadia, correta e a partir daí começou-se a melhorar esse relacionamento, que tinha se deteriorado um pouco em meio à pandemia, que foi muito politizada", disse Mourão, durante um debate virtual transmitido pela Genial Investimentos nas redes sociais.

    O vice-presidente também defendeu a retomada do debate sobre a recriação de uma nova CPMF, que seria um imposto sobre transações financeiras. O tema enfrenta resistência do presidente Jair Bolsonaro. "Eu acho que tem que ser discutido. O presidente é contra, ele não quer jogar esse assunto na mesa por causa da memória antiga da CPMF, mas a gente sabe que o nosso sistema tributário é complicado. Mais cedo ou mais tarde, essa discussão vai ter que ser colocada na mesa", afirmou.

    Mourão também citou que a reforma administrativa está pronta para ser encaminhada ao Congresso, mas que só deve ser mesmo apresentada após a volta dos trabalhos presenciais no Legislativo. A medida, elaborada pelo Ministério da Economia, pretende alterar os direitos dos futuros servidores federais, e inclui a revisão dos salários iniciais, a redução no número de carreiras e o aumento no prazo para o servidor atingir a estabilidade.

    "O Congresso está se reunindo de forma virtual e ela é uma reforma que precisa de uma discussão bem encorpada. Acho que ela só deve ser reapresentada na hora que o Legislativo voltar a trabalhar de forma presencial", afirmou o vice-presidente.  

    Amazônia

    Mourão afirmou também nesta segunda (13) que o desmatamento na Amazônia está além do limite aceitável. "A gente não nega que houve desmatamento além daquilo que pode ser considerado como aceitável, ou seja, dentro dos 20% de cada propriedade rural e fora das unidades de conservação e terras indígenas", afirmou durante um debate virtual promovido pela Genial Investimentos nas redes sociais. 

    Mourão lembrou que o desflorestamento e as queimadas na região vêm sofrendo uma escalada desde 2012 e atingiu um pico no ano passado, o que motivou uma reação internacional. "De 2012 pra cá, nós entramos em uma ascensão do desmatamento, e consequentemente das queimadas, que se sucedem após a área desmatada, até que ano passado tivemos uma alta bem grande do desmatamento e que chamou a atenção do mundo a esse respeito", destacou.

    Para o vice-presidente, que desde fevereiro está à frente do Conselho da Amazônia, o governo federal herdou um problema de gestões anteriores com a falta de funcionários nos órgãos ambientais. "Isso vem ocorrendo porque as nossas agências ambientais foram perdendo a sua capacidade operacional. Nós recebemos, no nosso governo, tanto o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] como o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], com 50% do seu efetivo. E o efetivo que sobra não está destinado totalmente para a Amazônia, esse pessoal está espalhado em outras áreas do Brasil".

    Na semana passada, Mourão se reuniu com empresários brasileiros e investidores estrangeiros que cobraram ações mais efetivas para conter o desmatamento na Amazônia. Em junho, o governo federal chegou a receber uma carta de grupos empresariais internacionais com críticas à política ambiental e em que condicionavam os investimentos no país ao aumento, pelo governo, do controle do desmatamento e das queimadas na Amazônia.

    Um novo decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi publicado na última sexta-feira (10) no Diário Oficial da União, prorrogando a presença das Forças Armadas na Amazônia Legal até 6 de novembro para atuar em operações de fiscalização e repressão de atividades ilegais de desmatamento e queimadas.