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'Serei bem franco: eu não me alio aos corruptos', diz Alfredo Menezes

Coronel reformado e ex-superintendente da Suframa, Alfredo acredita que está preparado para ser prefeito de Manaus

Coronel Alfredo Menezes diz pela primeira vez que sua saída da Suframa "teve muita pressão política" | Foto: Divulgação

Manaus – Estudante de Arma de Engenharia na Academia Militar das Agulhas Negras (Amam), na adolescência, o hoje coronel reformado do Exército Brasileiro e ex-superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Alfredo Menezes, é pré-candidato à prefeitura de Manaus pelo partido Patriota. Confiante, ele se inspira no presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) e acredita que a experiência na gestão da Suframa pode ser a chave para o sucesso de seu governo, se escolhido.

Menezes também foi professor da Amam, por quatro anos, e chegou a servir na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA). Ele migrou para a iniciativa privada em 2010 e passou a gerenciar uma instituição financeira antes de chegar à Suframa.

Apesar de não ter propriamente um histórico na política, Menezes conhece Bolsonaro há 40 anos e afirma que o mesmo sempre demonstrou confiança em sua figura, além de reconhecer suas qualidades como gestor público ao indica-lo para ocupar o cargo de superintendente da Suframa. Leia mais na entrevista exclusiva ao EM TEMPO.

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Tenho falado que o castigo dos bons, que não gostam de política, é ser governado pelos maus. Muitas pessoas têm boas ideias, a capacidade necessária, mas não querem se envolver na política. No meu caso, sempre me achei preparado com todos os ingredientes e capacidade técnica da gestão pública "

Alfredo Menezes, pré-candidato a prefeito de Manaus, sobre a decisão de lançar sua candidatura

EM TEMPO - Ao tomar posse como superintendente da Suframa, o senhor afirmou que uma de suas missões era resgatar o protagonismo decisório que a ZFM tinha no período da redemocratização. Acredita que alcançou esse objetivo?

Alfredo Menezes - Com certeza. Fizemos uma gestão eficiente que projetou o nome da Suframa e isso foi fruto da confiança depositada em mim pelo ministro Paulo Guedes e por Bolsonaro. A Suframa atua em cinco estados brasileiros e em três segmentos: comércio, industrial e agropecuário. Entretanto, por muitos anos, por questões políticas, estava travada e focada apenas em Manaus e no segmento industrial. Para resgatar este protagonismo, iniciamos uma série de visitas aos governadores, entidades de classe, federações e os centros das indústrias.

Esfacelada administrativamente, ela não cumpria sua missão no todo, mas após tiramos das mãos de um grupo político local, mudamos essa realidade e resgatamos o elo entre a autarquia e o Governo Federal.

EM TEMPO - Após deixar seu cargo como superintendente, o senhor lançou sua pré-candidatura para prefeito de Manaus. O que o fez tomar essa decisão?   

Alfredo Menezes - Muitas vezes a política má é corrupta e as pessoas não querem emprestar sua credibilidade para não serem chamados de corruptos. No meu caso, sempre me achei preparado com todos os ingredientes e capacidade técnica da gestão pública. E neste contexto, quando saí da Suframa e fui convidado para administrar uma Secretaria Nacional, decidi não aceitar. Por amar a minha cidade e acreditar que este é o momento de construir e não mais permitir que figuras públicas do passado se apresentem como soluções.

"Por amar a minha cidade e acreditar que este é o momento de construir", afirma Menezes
"Por amar a minha cidade e acreditar que este é o momento de construir", afirma Menezes | Foto: Hércules Andrade

EM TEMPO - Você acredita que sua experiência de um ano e quatro meses na Suframa poderá o auxiliar em sua empreitada política?

Alfredo Menezes - Não tenho dúvida nenhuma. Fiz uma gestão austera e participativa, em que ouvi a sociedade e o segmento do setor produtivo. Além disso, busquei caminhar em sintonia com o Governo do Estado, a Prefeitura e as entidades de classe. Serei bem franco: não meu alio aos corruptos, de uma maneira geral. Então, os únicos incomodados com a minha gestão são os corruptos envolvidos na Polícia Federal, operações Maus Caminhos e Lava Jato, e os que compram notícias na surdina.

EM TEMPO - Qual o motivo de sua saída da superintendência da ZFM? Ela foi ocasionada por pressão política de parte da bancada federal do Amazonas, comandada pelo senador Omar Aziz (PSD)?

Alfredo Menezes - Os interesses dessas pessoas foram feridos, queriam que fossem mantido o status quo. Este cidadão usa o nome da bancada, por ser coordenador, para agir e não tem coragem moral de dizer o que o incomoda e usa bancada. Minha saída da Suframa teve muita pressão política, mas isso não me incomodou. Muito pelo contrário, saí fortalecido. Então, é exatamente isso: um misto de pressão política deste senhor com outras pessoas envolvidas com a operação Lava Jato, clientes da Polícia Federal.

EM TEMPO - O que você gostaria que os eleitores entendessem quando, no lançamento de sua pré-candidatura, utilizou um banner com uma imagem sua e do presidente Jair Bolsonaro? Qual sua relação com Bolsonaro?

Alfredo Menezes - Nosso objetivo é fazer com que todas as pessoas da cidade saibam dessa proximidade. Quero deixar claro para a sociedade que conheci Bolsonaro há 40 anos, por conta da relação próxima entre a minha esposa e a família do presidente. Nossa relação é de amizade, lealdade e baseada em valores militares, éticos e morais. Ele sempre foi uma inspiração para mim, pois era atleta, paraquedista e tinha os cursos que, tempo depois, também os tive.

Menezes quer deixar clara para o eleitorado a sua proximidade com o presidente Jair Bolsonaro
Menezes quer deixar clara para o eleitorado a sua proximidade com o presidente Jair Bolsonaro | Foto: Divulgação

EM TEMPO - Você irá disputar a eleição pelo Patriota, criado em junho de 2012 e afirmou que não pretende se aliar a “velhos políticos”. O que o senhor considera como velha política?

Alfredo Menezes - Não digo velha política, mas a má política. O Amazonas vem de uma linhagem comandada sempre por quatro pessoas, mas quero dizer à população que esses caciques precisam ser mudados. Eles não construíram lideranças e não tiveram a capacidade de formar novos líderes. Já a boa política é feita de pessoas experientes com boas ideias e a sociedade que que essas pessoas se apresentem, por isso estamos nos colocando à disposição.

EM TEMPO - Existe alguma figura que irá concorrer nas eleições municipais de 2020 que você acredita que represente essa velha política? Quem?

Alfredo Menezes - Vou deixar a população falar, mas deixo uma mensagem subliminar: que observem cada pré-candidato que está querendo concorrer à Prefeitura, sua história de vida, onde nasceram, com quem estiveram ao longo da carreira. Temos muito lobo com pele de cordeiro. Inclusive, como temos pessoas envolvidas em operações da Polícia Federal, como Lava Jato e Maus Caminhos, as pessoas estão pulando desses barcos, porém a população tem que ser crítica.

EM TEMPO - A oposição afirma que diversas políticas de partidos de direita são antidemocráticas, mas durante o lançamento de sua pré-candidatura você afirmou que seu partido é “extremamente democrático” internamente. Isso também valerá em seu governo para o povo?

Alfredo Menezes - O Brasil, como qualquer outro país do mundo, conta com esquerda e direita e ambas fazem parte da democracia. Falar que a direita é antidemocrática não é democrático, pois a grandeza da democracia está em entender e ouvir as diferenças. Não importa se você é de direita ou esquerda. Cabe a você, estando no poder, ouvir à sociedade como um todo, dar a cada parcela à atenção que merece, é assim que penso.

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A onda contrária, da esquerda, não queria que Bolsonaro chegasse onde chegou, às vezes omitiam o nome do presidente nas pesquisas, não computavam os percentuais reais. Mas ele tinha plena convicção que a população estava respondendo ao processo de mudança e eu também estou. "

Alfredo Menezes, pré-candidato a prefeito de Manaus, sobre as pesquisas eleitorais

EM TEMPO - Você acredita que existe um cenário propenso para que seja eleito como prefeito, uma vez que - em pesquisa feita pelo Direto ao Ponto - o senhor aparece com menos de 1% das intenções de voto?

Alfredo Menezes – Nesse sentido, tenho muito respeito ao Direto ao Ponto pela pesquisa, mas quero passar uma mensagem a população: quando o presidente foi eleito, ele não tinha muito tempo de televisão e as pesquisas não deram em nada. A onda contrária, da esquerda, não queria que Bolsonaro chegasse onde chegou, às vezes omitiam o nome do presidente nas pesquisas, não computavam os percentuais reais. Mas ele tinha plena convicção que a população estava respondendo ao processo de mudança e eu também estou.

EM TEMPO - Quais são os maiores desafios do próximo prefeito de Manaus? O senhor está pronto para vencê-los?

Alfredo Menezes – Estou pronto sim, por isso me candidatei. No meu entendimento, avançamos em algumas áreas e outras precisam ser melhoradas. A população, até o momento, está clamando por melhorias na saúde, mobilidade urbana, transporte coletivo e segurança. Estamos estudando exatamente isso.

Quero assumir o compromisso que a população vai me ver nas ruas, verificando cada secretaria. Sou um homem pratico, objetivo, de campo. Por isso meu conhecimento técnico me dá a segurança que preciso, aliado ao nosso planejamento e a equipe que estamos formando, iremos melhorar muito a cidade com o nosso plano de governo.

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