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    ELEIÇÕES 2020


    Com muitos candidatos, debates podem se tornar inviáveis em Manaus

    Para especialista eleitoral, um grande debate não atenderia a candidatos e eleitores de forma adequada

    Mesmos se dos 20 pré-candidatos, o número cair para 10, a quantidade ainda inviabiliza um debate eleitoral | Foto: Ilustração/Alexandre Sanches

    Manaus – A menos de quatro meses para as eleições municipais, o número de pré-candidatos a ocupar o cargo executivo na Prefeitura de Manaus tem chegado a marca de 20 postulantes. O alto número de candidatos pode ser prejudicial aos debates eleitorais previstos para começar a partir do dia 26 de setembro, com o início da propaganda eleitoral. Para especialistas, o grande quantitativo é inviável a logística dos debates.

    Uma das consequências do fim das coligações para vereadores e deputados foi o aumento do quantitativos das pré-candidaturas ao cargo de prefeito, neste ano. Com a recente alteração na legislação, as candidaturas majoritárias passam a ter o poder de puxar votos para as postulações proporcionais. No entanto, a mudança também apresenta supostos conflitos nos debates eleitorais, uma vez que não será possível todos os candidatos apresentarem suas propostas em tempo hábil.

    Hoje, na lista de pré-candidatos a prefeito de Manaus estão: David Almeida (Avante), José Ricardo (PT), Capitão Alberto (Republicanos), Marcos Rotta (DEM), Amazonino Mendes (Podemos), Ricardo Nicolau (PSD), Conceição Sampaio (PSDB), Caroline Braz (PSC) e Liliane Araújo (PSL). A lista segue com Hissa Abraão (PDT), Marcelo Amil (PCdoB) e Jonas Araújo (Psol), Delegado Péricles (PSL), Romero Reis (Novo), Alfredo Menezes (Patriotas), Chico Preto (DC), Delegado Pablo (PSL), Felipe Souza (Patriota) e Josué Neto (PRTB).

    Mesmo com a legislação eleitoral permitindo que os veículos de televisão e rádio convidem somente os candidatos com melhor colocação nas pesquisas eleitorais, um debate com o atual número de candidatos traria problemas durante as discussões. O advogado e cientista político Helso do Carmo analisa que todos os candidatos devem ter o direito de apresentar suas propostas, no entanto, as emissoras deveriam elaborar um sistema de rodizio aos representantes das siglas.

    “Todos os candidatos deveriam expor suas ideias no rádio e na televisão. Isso é necessário para que o eleitor conheça a trajetória de cada um. No entanto, em qualquer formato, um debate com 20 candidatos é inviável logisticamente. Ele será prejudicial aos participantes que não conseguiram exercer todas as funções que o momento permite devido ao número exagerado de participantes”, afirmou.

    O cientista político analisou ainda que o debate também não seria favorável ao eleitor, por ser impossível identificar de forma clara as propostas, trajetórias e discussões apresentado no espaço eleitoral. “Ninguém conseguiria identificar os elementos necessário que o debate oferece. O eleitor estaria sendo ludibriado pelos candidatos e emissora. O ideal seria realizar um debate com todos os candidatos, mas de forma fracionada onde todos poderiam ter seu direito a réplica, tréplica e demais formatos”, acrescentou Helso.

    Não é único caminho

    O deputado federal, Alberto Neto (Republicanos) acredita que os debates eleitorais são um grande instrumento de divulgação de ideias durante uma campanha eleitoral. No entanto, para ele o formato não é único e o candidato pode facilmente usar outros meios para apresentar as suas propostas.

    “Reconheço que o debate é o momento em que os candidatos podem se encontrar para discutir suas propostas de melhorias para a cidade. Porém, as redes sociais também são uma forma de manter contato direto com a população e é por meio delas que eu venho demonstrando o meu trabalho”, diz.

    Para Alberto Neto, existe outros métodos do candidato expor suas propostas
    Para Alberto Neto, existe outros métodos do candidato expor suas propostas | Foto: Divulgação

    Para o pré-candidato a prefeito, o número expressivo de pré-candidatos demonstra que a população deseja mais coerência, honestidade e retorno de seus representantes políticos, mas nem sempre as atitudes são demonstradas nos debates eleitorais.

    “Vejo os debates como algo positivo desde que sejam realizados de forma organizada e focada na discussão de ideias. O tempo em que os candidatos iam para televisão atacarem um ao outro já passou. O povo não quer isso e a população brasileira deixou claro nas urnas, em 2018, elegendo o nosso presidente Jair Bolsonaro e uma renovação de mais de 50% no Congresso Nacional”, lembra Neto.

    Fator tempo

    Já para a jornalista e pré-candidata à prefeitura Liliane Araújo (PSL), o debate com o grande número de candidatos seria inviável pelo fator tempo. No entanto, ela estaria disposta a apresentar suas propostas em um debate dentro do suposto cenário. “A princípio o partido que estou inserida concentra o segundo maior tempo de TV entre as siglas. Mas, acredito que toda plataforma ou ferramenta onde se possa expor propostas é válida, respeitadas as regras da propaganda eleitoral”, avalia a jornalista.

    Liliane considera os debates importantes, por isso estaria disposta a participar mesmo com mutos candidatos
    Liliane considera os debates importantes, por isso estaria disposta a participar mesmo com mutos candidatos | Foto: Lucas Silva

    A pré-candidata acredita ainda que o cenário de candidatos não irá corresponder aos números atuais de pré-candidaturas, fazendo com os formatos para debates consigam ser usados por todos.

    “O cenário que se apresenta hoje pode mudar e tenho certeza que o número de candidatos à prefeitura será menor. Uma candidatura majoritária viável, precisa congregar partidos para ter tempo de TV e assim poder participar do debate. Nem todos os pré-candidatos que se apresentaram estão inseridos em partidos que tenham tempo de TV e fundo partidário. Por isso, o cenário vai mudar e os números de candidatos ao cargo majoritário deve reduzir”, avalia Liliane Araújo.

    Espaço para todos

    Apesar de existir liberdade pelas emissoras de decidir sobre o número de candidatos nos debates, o deputado federal e pré-candidato a prefeito José Ricardo (PT) avalia que todos os candidatos devem ter seus espaços nos debates. Para ele, essa plataforma permite ao eleitor conhecer quem deseja está à frente do comando de sua cidade.

    José Ricardo diz que todos os candidatos devem participar dos debates, independente do quantitativo
    José Ricardo diz que todos os candidatos devem participar dos debates, independente do quantitativo | Foto: Divulgação

    “A legislação permite um grande número de candidatos e todos deveriam ter seu espaço para apresentação de proposta, claro que de forma organizada. Esse espaço é fundamental para que o eleitorado avalie os candidatos, conheça suas trajetórias para evitar os escândalos e firulas que o Amazonas vem sofrendo por má administração pública”, argumenta.

    Visibilidade eleitoral

    Outro ponto que aumenta o número de pré-candidatos a prefeito é a visibilidade que a corrida eleitoral viabiliza aos participantes. Mesmo que não seja eleito, o candidato conseguiu atingir uma parcela, mesmo que pequena da sociedade, como explica o cientista político, Breno Rodrigo.

    “A televisão ainda possui grande notoriedade e com esse momento que estávamos passando, ela voltou a ser um dos meios de comunicação com mais visibilidade. Durante a corrida eleitoral é preciso ser visto e ouvido. A televisão oferece isso tanto aos candidatos quanto aos eleitores e pode valer até mesmo para as eventuais próximas eleições, pois o candidato ganha espaço e a população passa a conhecê-lo”, explica.

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