COM A PALAVRA


'Quero mostrar minha capacidade de governar Manaus', diz Alberto Neto

Mesmo declarando apoio aberto a Bolsonaro, o pré-candidato diz que o apoio do presidente só virá no segundo turno

Alberto Neto diz que ainda está avaliando alianças para a sua campanha | Foto: Lucas Silva

Manaus - Formado em Direito, com especialização em segurança pública, o deputado federal Alberto Neto (Republicanos) ingressou como capitão da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM), em Manaus, ainda em 2008, onde atuou por dez anos frente às companhias interativas comunitárias da capital. Para mostrar a realidade do trabalho policial, Neto passou a usar suas redes sociais e assim se aproximou da população.

Com olhos voltados para a política, Neto deixou a carreira policial e foi eleito deputado federal em 2018. Desde o início de sua atuação na Câmara dos Deputados, Alberto declarou abertamente seu apoio ao presidente Bolsonaro, afirmando que ambos partilham dos meus ideais conversadores e patriotas.

A pouco mais de dois anos de mandato parlamentar, o deputado estadual lançou sua pré-candidatura a prefeito de Manaus, onde afirma que irá exercer a nova política da qual faz parte para mudar a capital. 

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Quero resgatar valores na educação, trazer para o município as escolas militares onde o aluno vai respeitar o professor, aprender a amar a sua bandeira e seu país "

Alberto Neto, deputado federal e pré-candidato a prefeito, sobre as mudanças que pretende realizar em Manaus

EM TEMPO - O senhor era capital da polícia militar, o que fez com que desistisse da profissão para ingressar na política?

Alberto Neto - Eu recebi um convite das associações e da tropa para ser um representante na Câmara Federal, pois havia um sentimento de que era necessário ter alguém que não enxugasse mais gelo frente a nossa legislação, que estava ultrapassada por termos um código penal era da década de 40. Como eu desenvolvi um grande trabalho como policial frente a 2° Cicom e 26°Cicom, a sociedade passou a reconhecer o meu exercício e incentivar que eu entrasse para o meio político e eu entendi que de fato dentro da política eu poderia fazer muito mais, afinal a nossa vida passa por decisões políticas e eu decidi que levaria a mesma dedicação que eu tinha na minha profissão para defender o estado do Amazonas como deputado federal.  

EM TEMPO – O senhor é favorável a uma nova política para o país. Quais novidades pretende aplicar em Manaus caso seja eleito?

Alberto Neto - A nova política da qual eu faço parte é uma política de transparência. Nós fazemos essa política transparente com menos burocracia e utilizando a tecnologia. Então, se a população quiser saber quanto a Prefeitura de Manaus está gastando com gasolina para as viaturas policiais, ela terá esse acesso. Nós faremos uma política de austeridade e mostrar que com pouco nós podemos fazer muito. A utilização da tecnologia é fundamental nessa nova política, pois quando você dá transparência aos seus atos você mata qualquer tentativa de corrupção e é assim que nós vamos continuar trabalhando em Manaus.

Com carreira iniciada como capitão na PM, Alberto Neto ganhou visibilidade mostrando a vida policial nas redes sociais
Com carreira iniciada como capitão na PM, Alberto Neto ganhou visibilidade mostrando a vida policial nas redes sociais | Foto: Lucas Silva

EM TEMPO - O senhor ingressou como deputado federal em 2018 e mesmo com uma trajetória política curta decidiu entrar na disputa para Prefeitura de Manaus. O senhor acredita que está preparado para assumir esse cargo?

Alberto Neto - Eu me preparei no banco escolar, através de muitos estudos com formação em direito e especialização em gestão pública, afinal, o oficial da polícia já é treinado e preparado na academia para ser um gestor na Policia Militar. Então, a minha atuação como policial e a experiência como deputado federal se complementaram e resultaram no meu destaque. Eu acredito que não é questão de ser novo ou velho na política, eu preencho os pré-requisitos para atuar como prefeito e por isso me sinto preparado para cuidar da minha cidade.

EM TEMPO - O senhor é aliado do presidente Bolsonaro, inclusive já afirmou que em algumas situações vota contra o seu partido para manter esse apoio. Por essa fidelidade, o presidente deve apoiar a sua candidatura?

Alberto Neto - Quando eu entrei no Republicanos foi por meio de um acordo, que era apoiar o presidente Bolsonaro. Esse acordo foi construído e aprovado, em Brasília, e desde o início do meu mandato esteve muito claro para o partido essa relação. Por muitas vezes eu precisei sim, ir contra o partido, para manter o meu apoio ao presidente. Hoje isso não é mais necessário, pois o Republicados faz parte da base bolsonarista e a população já sabe que eu sou Bolsonaro. Disso eu não tenho dúvida, pois a minha bandeira é clara. O que eu preciso mostrar agora é a minha capacidade de governar a cidade com feitos positivos. Quando lancei a minha candidatura, eu conversei com o presidente e ele foi muito claro de que como o número de apoiadores dele é grande, ficaria muito complicado apoiar apenas um candidato, pois correria o risco de desagradar outros. Então, ele entraria com seu apoio durante o segundo turno, contra algum candidato que não fosse compatível com o seu governo. 

EM TEMPO - Apesar de lançar a pré-candidatura há alguns meses atrás, o Republicanos afirmou que ainda está avaliando outros nomes. Essa avaliação está sendo feita ou o senhor já é a aposta do partido? 

Alberto Neto - Não. Eu tenho um acordo na nacional. Desde que lançamos a minha pré-candidatura já era algo certo pelo partido que eu seria o nome para candidatura majoritária. Não há a possibilidade de ser escolhido outro candidato para essa disputa se não o meu nome. Já está definido.

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Eu já estava há quase cinco anos como capitão da polícia e quando aconteceu a promoção eu ainda não tinha sido nomeado deputado federal, me tornei major em dezembro e assumi deputado em fevereiro. Inclusive quem me promoveu foi o Amazonino Mendes, mesmo eu indo contra o governo dele durante a campanha "

Alberto Neto, deputado federal e pré-candidato a prefeito, sobre a promoção de capitão para major

EM TEMPO - Às vésperas de se tornar deputado federal, o senhor saiu de capitão da PM para major, o que até hoje gera desconfiança por membros do meio político e policial. Como essa mudança ocorreu com tanta rapidez?

Alberto Neto - Eu já estava há quase cinco anos como capitão da polícia e quando aconteceu a promoção eu ainda não tinha sido nomeado deputado federal, me tornei major em dezembro e assumi deputado em fevereiro. Inclusive quem me promoveu foi o Amazonino Mendes, mesmo eu indo contra o governo dele durante a campanha. Então, não foi uma decisão minha e não tive participação nessa escolha, apenas preenchia os pré-requisitos legais para assumir a promoção devido o meu trabalho. Estava nas ruas trocando tiro com bandidos, arriscando a minha vida e cumprindo o meu dever, por isso a promoção foi legal.

EM TEMPO - Em 2019 o senhor lançou histórias em quadrinhos onde se autopromoveu como o “policial militar herói, que estava em todos os lugares na hora certa para combater o crime”. A ação foi interpretada nos bastidores como “apelativa” visando sua promoção política. Foi essa a intenção dos HQ’s?

Alberto Neto - Eu sou um candidato que veio da internet. Foi nesse ambiente que fiquei conhecido, então é natural usarmos uma linguagem diferente para atingir novos públicos e a minha intenção era alcançar o público infantil. Eu passei a perceber que os pais passam uma imagem negativa do policial para os filhos quando dizem “se você não se comportar eu vou chamar o policial”. Eu quis mostrar, através dos HQ’s , que o policial não é repressor e sim um herói, que cuida dia e noite da cidade para tirar os bandidos de circulação. Queríamos virar o jogo e mostrar que é uma profissão positiva, mas como a criação foi minha e seriam contadas histórias que eu criei, decidimos manter meu nome, algo natural. Houve muitas críticas sim, por acharem que eu estava me promovendo, porém, o importante para mim foi criar algo que valorizasse o policial que sai de casa sem saber que vai voltar.

Alberto Neto diz que criminosos abriram muitos processo contra ele para interromper a sua carreira policial
Alberto Neto diz que criminosos abriram muitos processo contra ele para interromper a sua carreira policial | Foto: Lucas Silva

EM TEMPO - O senhor possui alguns processos na Justiça. Um deles o senhor é acusado de extorquir R$ 5 mil de um motorista da Uber, em dezembro de 2017, durante uma abordagem policial considerada “forjada” pela Justiça. Essas acusações podem ser prejudiciais à sua campanha?

Alberto Neto – Em uma carreira policial como a minha, que estava na linha de frente para prender os traficantes mais perigosos de Manaus, eu sempre desagradava muitas pessoas, na verdade muitos bandidos, e eles fizeram de tudo para interromper o meu trabalho e me colocar em posições para responder inúmeros processos como respondi durante toda a minha profissão. Inclusive nessa denúncia, o Ministério Público confirmou que não havia objetos que me incriminassem. Era apenas o bandido influenciando o motorista de Uber para me incriminar, tanto que nessa ação eu realizei a prisão do chefe do tráfico naquele local e apreendemos mais de oito quilos de drogas, foi um excelente trabalho do qual eu me orgulho muito.

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Tenho conversado com candidatos do PSL, Patriotas, como o coronel Menezes, Chico Preto e Josué Neto, que são pessoas que já declararam esse apoio e estão mantendo a coerência. Pensamos que se a gente não se unir, será uma eleição muito pulverizada "

Alberto Neto, deputado federal e pré-candidato a prefeito, sobre possíveis alianças

EM TEMPO - Em relação as suas alianças, o senhor pretende se unir com aqueles que também apoiam Bolsonaro ou aos nomes mais fortes nas pesquisas?

Alberto Neto - Vou manter minha coerência e me unir com aqueles que partilham da mesma política que a minha, de apoio ao presidente e assim buscamos construir uma frente ampla com esses apoiadores. Tenho conversado com candidatos do PSL, Patriotas, como o coronel Menezes, Chico Preto, Josué Neto que são pessoas que já declararam esse apoio e estão mantendo a coerência. Pensamos que se a gente não se unir, será uma eleição muito pulverizada e isso pode favorecer um candidato da esquerda para que ele chegue no segundo turno. É um cenário perigoso e não podemos deixar que o PT volte ao poder, afinal já sabemos o desastre que é um governo petista e precisamos representar as famílias conversadoras com um governo de direita, para que elas tenham voz, após tantos anos sendo caladas.

EM TEMPO - O senhor já afirmou que, somente com uma renovação política é que a capital amazonense poderá ser contemplada com mudanças. O que precisa mudar em Manaus na sua visão?

Alberto Neto - Manaus tem apenas 36,9% de atenção básica, muitos interiores se saíram melhor em atenção básica do que a capital. Precisamos mudar esse cenário. Precisamos aumentar o número de agentes comunitários de saúde para aumentar o cadastro, pois com isso será possível atrair mais recursos federais para a saúde e conseguimos criar hospitais, aumentar os postos de saúde para os locais que ainda não foram contemplados. Teremos agentes de saúde batendo na porta do cidadão mais carente, porque a prevenção salva vidas e é mais econômica. Só temos 14% de saneamento básico na cidade, queremos atrair mais empresas para cuidar dessa área. Uma cidade sem saneamento tem um índice maior de mortalidade infantil. Além disso quero resgatar valores na educação, trazer para o município as escolas militares onde o aluno vai respeitar o professor, aprender a amar a sua bandeira, seu país e o professor será cobrado pelo conteúdo. Vamos aumentar a carga horária da educação, pois eu quero dá oportunidade para o povo pobre crescer na vida e esse caminho é uma educação de qualidade.

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