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    Alianças evangélicas


    Candidatos com apoio de igrejas podem ter vantagem no pleito 2020

    Dos 11 nomes que concorrem ao pleito, pelo menos quatro recebem apoio de representantes evangélicos nos bastidores

    As igrejas possuem grande poder de influência em votos religiosos
    As igrejas possuem grande poder de influência em votos religiosos | Foto: Divulgação

    Manaus - Desde o início da pré-campanha a busca por alianças políticas se tornou um desafio para os candidatos à Prefeitura de Manaus. No entanto, segundo especialista, os prefeituráveis que estão filiados a partidos que recebem apoio de igrejas evangélicas na capital podem ter vantagem no pleito. Nesse cenário, as chapas encabeçadas por Alberto Neto (Republicanos), Chico Preto (DC) e Coronel Menezes (Patriotas) conquistariam uma parcela considerável do eleitorado.

    Apesar do Brasil ser um estado laico, é comum ver políticos usando argumentos religiosos para justificar projetos de lei ou programas de governo. Em tempos de eleições, é fácil identificar líderes religiosos concorrendo a cargos ou defendendo os postulantes. Desde a campanha de 2018, quando o presidente Jair Bolsonaro encontrou um porto seguro no apoio das bancadas evangélicas do Congresso Nacional, o fenômeno se tornou ainda mais forte, tomando grande proporção nas eleições municipais de todo o país este ano.

    Em Manaus, dos 11 nomes que concorrem ao pleito, pelo menos quatro recebem apoio de representantes evangélicos nos bastidores. Entre os candidatos está o Coronel Menezes, Alberto Neto, Chico Preto e o candidato a vereador Amauri Colares (Republicanos), que desde o início da campanha buscam conquistar o eleitorado com discursos religiosos.

    Para o cientista político Carlos Santiago, as igrejas evangélicas possuem grande poder de influência em votos religiosos, no entanto o eleitor não deve utilizar religião para impor seus valores, uma vez que os representantes devem ser eleitos por suas propostas de melhoria para a população.

    “As igrejas detêm força para eleger. Em um pleito bem disputado e em uma sociedade religiosa como Manaus, a fé religiosa estará presente nas campanhas de 2020. Mas, é preciso que o eleitor entenda que vamos eleger vereadores e prefeitos que irão cuidar de toda a cidade. Em candidaturas para o executivo e legislativo, o eleitor precisa pensar no bem-estar de todos, sendo crentes ou não”, analisou.

    Mesmo tendo uma forte identificação entre a sigla filiada e a Igreja Batista, Chico Preto acredita que a instituição religiosa é de grande importância e pode vir a ajudar na eleição, mas os temas não devem ser confundidos pelo eleitorado.

    “Não misturo as coisas. Igreja, na minha avaliação, não é lugar de política, é lugar de falar sobre o reino de Deus. É fato que muitos pastores me apoiam, mas não há imposição a nenhum fiel. O apoio é por identificação com os valores que eu defendo”, declarou.

    Até o fechamento desta matéria, Alberto Neto e Coronel Menezes não se posicionaram sobre as alianças com igrejas evangélicas.

    Voto de Altar

    Utilizado por partidos religiosos, o voto de altar é referente a mensagens políticas em locais evangélicos ou campanhas e tem como objetivo conquistar o maior número de eleitores. Para a cristã Nayara Silva, os costumes ideológicos precisam ser levados em conta na hora de eleger os representantes da cidade. A eleitora garante que essa será um dos pontos que levará para as urnas.

    “Todos dizem para analisar propostas e escolher o candidato com quem o eleitor se identificar. Eu votarei naquele que defender as coisas de Deus acima dos homens, acredito sim que, com as doutrinas passadas pela igreja, teremos uma sociedade que valorize a família e os costumes”, considerou.

    Já a eleitora Gisele Batista considera que os apoios de igrejas aos candidatos não deveriam afetar diretamente no eleitor, por entender que um político não deve defender apenas um grupo, mas toda a sociedade. “Muitas pessoas dentro da igreja tomam o que é dito ali pelas autoridades religiosas como verdade absoluta e esquecem que são seres humanos e podem fazer escolhas erradas. Eu prefiro seguir o que acho que será melhor não só para mim, mas para a sociedade no geral”, disse.

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