Sub-representação


Candidaturas femininas crescem, mas ainda não representam o eleitorado

Das 11 candidaturas lançadas à prefeitura de Manaus, somente três possuem figuras femininas em sua composição

Apesar de as mulheres representarem 52,5% do eleitorado, elas representam apenas 33,3% do total de candidaturas
Apesar de as mulheres representarem 52,5% do eleitorado, elas representam apenas 33,3% do total de candidaturas | Foto: Divulgação

Manaus - A população feminina é a maior do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a representação das mulheres na política está longe de ser paritária como a dos homens. Das 11 candidaturas lançadas à prefeitura de Manaus, nenhuma é encabeçada por mulheres e somente três possuem figuras femininas em sua composição.

Apesar de as mulheres representarem 52,5% do eleitorado, elas representam apenas 33,3% do total de candidaturas para prefeita, vice-prefeita ou vereadora para o pleito municipal deste ano. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 522 mil pedidos de candidatura foram registrados no pais, sendo apenas 183 mil de mulheres.

Mesmo abaixo de uma real representação da população brasileira, esses dados são um recorde para as eleições municipais. Tendo em vista que em 2016, as candidaturas femininas conquistaram apenas 31,9% do total de candidaturas e, em 2012, 31,5%.

A coordenadora da Bancada Feminina na Câmara, deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM) avaliou que vários fatores influenciam para que a presença das mulheres não seja predominante na política.

“Nós entendemos que, além do efeito da pandemia, também tem toda uma questão de uma política contínua de formação, para que as mulheres possam despertar esse interesse, ter segurança em relação ao envolvimento na política, a questão do financiamento não é automática, ainda está sob controle dos líderes partidários”, explicou.

Cenário Local

No início da pré-campanha, três figuras femininas se lançaram como pré-candidatas ao poder executivo em Manaus; a ex-secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Caroline Braz (PSC), a ex-secretária municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), Conceição Sampaio (PSDB) e a jornalista ex-apresentadora e repórter da TV retransmissora da Globo, Liliane Araújo (PSL).

As três entraram na corrida eleitoral com propostas amplas, defendendo bandeiras femininas e com o desejo de libertar a capital amazonense do que as candidatas apontavam como “velha política”, que para elas apresentam grandes prejuízos à população.

Há 13 dias do início da campanha eleitoral apenas Conceição Sampaio teve o nome confirmado para seguir na disputa eleitoral pelo Executivo como vice da chapa do ex-prefeito Alfredo Nascimento (PL). Outras três mulheres, Marklise Siqueira (Psol), Dora Brasil (PCdoB) e Maria Auxiliadora (PSTU) também entraram na disputa durante a articulação de alianças, porém todas ocupam cargos de vice nas candidaturas de José Ricardo (PT), Marcelo Amil (PCdoB) e Gilberto Vasconcelos (PSTU). 

Segundo o analista político, Tiago Jacaúna o cenário politico é herança do patriarcalismo que se faz presente na sociedade até hoje. "O ideal é que haja sempre o equilíbrio entre homens e mulheres quando se refere a representação em cargos públicos . No entanto, na política isso ainda não é predominante uma vez que a profissão é liderada por homens há anos. E esse desiquilíbrio está ligado a sociedade machista que ainda é presente no Brasil, refletindo na barreira que é entrar na politica sendo mulher", avaliou. 

Já o cientista político, Carlos Santiago acredita que a baixa participação de mulheres nessa eleição contribui para a sub-representação de mulheres nos cargos eletivos. "Nós temos, hoje, uma anormalidade democrática, porque os poderes legislativos e executivos não refletem os interesses da população brasileira, uma vez que as mulheres continuam sub-representadas", afirmou. 

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