Investimentos Eleitoral


Na primeira quinzena, candidatos já gastam R$ 570 mil com campanha

Apesar de ser pouco provável que ultrapassem o teto de gastos para campanha, os candidatos ainda devem desembolsar milhões até o fim da campanha

Os recursos gastos com campanha podem ser determinantes no processo eleitoral
Os recursos gastos com campanha podem ser determinantes no processo eleitoral | Foto: Edilson Rodrigues

Manaus - Há 16 dias do início oficial da campanha eleitoral, oito dos 11 candidatos à Prefeitura de Manaus já gastaram pouco mais de R$ 570 mil com serviços de publicidade e produções de programas eleitorais, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O investimento em campanha, influencia na interação dos candidatos com o eleitorado e pode ser um fator determinante no resultado das eleições. Apenas os candidatos, Chico Preto (DC), Marcelo Amil (PCdoB) e David Almeida (Avante) ainda não registraram os recursos gastos na campanha até agora. 

 Em Manaus, o limite autorizado aos postulantes para gastos em campanha, de acordo com o TSE, é de pouco mais de R$ 10 milhões, para o primeiro turno, e cerca de R$ 4 milhões para o segundo. Ao todo, os oito candidatos somam mais de R$ 8,4 milhões de receita para gastos durante o período de campanha eleitoral, valores recebidos através de doações dos respectivos partidos, de pessoas físicas, em que se incluem os próprios, além de vaquinhas online e outros meios de arrecadação.

Para o cientista político Helso Ribeiro, os gastos com campanha, que podem chegar a milhões, são necessários para atender a população manauara. Um dos fatores que podem aumentar os gastos é que parte da população ainda tenta se beneficiar do período, e entende a campanha eleitoral como um momento de se cobrar algo, em troca de votos.  

"É necessário investir milhões em campanha, o dinheiro é determinante. Ao mesmo tempo, parte da população está viciada, acha que a campanha é um momento de ganhar dinheiro, de pedir aos candidatos. Isso acaba encarecendo a campanha, mesmo com a pandemia, que não fez com que os gastos com campanha diminuíssem. O discurso dos políticos é sempre de poucos gastos, mas por debaixo dos panos a gastança é grande", explicou. 

Com a pandemia, muitos recursos estão sendo destinados à campanha na internet
Com a pandemia, muitos recursos estão sendo destinados à campanha na internet | Foto: Marcio Melo

O candidato com maior receita disponível é Alfredo Nascimento (PL), com o valor de R$ 6 milhões, oriundos de uma doação do diretório nacional do Partido Liberal. Deste valor, o candidato já teve um total de R$ 143 mil em despesas contratadas, divididas entre serviços como publicidade por materiais impressos e impulsionamento de conteúdo nas redes sociais.

Seguido dele está José Ricardo (PT), com receita de mais de R$ 1,2 milhão. A maior parte deste valor foi arrecadada através de uma doação do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores e o restante através de doações de pessoas físicas e recursos próprios. Zé Ricardo já gastou R$ 344 mil em despesas pagas e R$ 661 mil em despesas contratadas, principalmente com produção de programas de rádio e televisão.

Gastos milionários

Carlos Santiago, sociólogo e cientista político, explicou que a realização da campanha ainda é algo que pode gerar grandes gastos. As receitas garantidas com recursos próprios e vaquinhas, por exemplo, ainda representam valores pequenos para o desafio de se realizar uma campanha que alcance a todos os tipos de eleitores. Além disso, o cientista destacou que para contornar a dificuldade de se trabalhar com poucos recursos, a internet é um dos melhores investimentos.

"O instrumento mais democrático, que poderia ser usado pelos candidatos que estão abrindo mão dos recursos do fundo eleitoral ou que não possuem direito a esses recursos, e que não possuem horários televisivos e de rádio para apresentar suas propostas, é a internet. Ela é abrangente, barata, tem uma capacidade de interação com o eleitor muito boa e uma facilidade enorme de produção", relatou o cientista.

O postulante, Ricardo Nicolau (PSD) é o terceiro nome com maior receita, sendo R$500 mil recebidos por uma doação de seu irmão, Luis Alberto Saldanha Nicolau. Do montante, os gastos pagos somam R$ 148 mil e os contratados R$ 280 mil. Despesas com publicidade por adesivos e impulsionamento de conteúdo totalizam R$ 104 mil. O ranking segue com o candidato Amazonino Mendes (Podemos), que recebeu uma doação do diretório estadual do Partido Social Liberal (PSL) no valor de R$ 410 mil e outra do diretório municipal do Podemos, de R$ 60 mil, totalizando R$ 470 mil disponíveis para a campanha. De acordo com os registros, R$ 50 mil  foram gastos em despesas pagas e R$1,5 milhão em contratadas. 

Os candidatos com menores receita são Gilberto Vasconcelos (PSTU), com R$ 7 mil, Romero Reis (NOVO), com R$ 50 mil, Coronel Menezes (Patriota), com R$ 56 mil e Capitão Alberto Neto (Republicanos), com R$ 76 mil. Romero Reis foi um dos candidatos que não receberam recursos do fundo eleitoral e resolveu lançar uma vaquinha virtual para apoiadores da chapa. Até o fechamento desta edição não foi informado o valor recebido com a vaquinha.

"É fato que mesmo depois do fim do financiamento empresarial nas campanhas políticas, elas continuam milionárias, caríssimas. Excludente, porque a maioria dos candidatos não possuem recursos para fazer uma grande campanha, abrangente, profissional. É também um processo eleitoral elitista, porque quem define para onde serão destinados os recursos públicos das campanhas são os dirigentes dos partidos políticos. É preciso uma nova reforma política para que as campanhas fiquem mais baratas e acessíveis a todos", finalizou Santiago. 

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