Com a palavra


'O povo quer um prefeito que cuide e que trabalhe', diz José Ricardo

O candidato explicou que a capital amazonense precisa de uma gestão participativa, com um secretariado dedicado e pronto para atender as demandas da população

José Ricardo afirmou que sua experiência como vereador e deputado o preparou para a gestão do Executivo municipal
José Ricardo afirmou que sua experiência como vereador e deputado o preparou para a gestão do Executivo municipal | Foto: Deborah Arruda

Manaus - José Ricardo (PT) é um dos 11 candidatos à Prefeitura de Manaus com notória carreira política, que se iniciou em atividades dentro do partido ao qual é filiado há 25 anos. Em 1996 se candidatou pela primeira vez a vereador, mas só chegou a ser eleito ao cargo nas eleições de 2004. Em 2010, venceu a eleição para deputado estadual e, em 2018, foi destaque nas eleições ao conquistar o cargo de deputado federal com maior quantidade de votos no Amazonas.

Durante entrevista à Rede Em Tempo de Comunicação, o candidato destacou a modernização dos sistemas da Segurança e da Educação, com o programa 5G e a criação de uma agência de desenvolvimento municipal. Além disso, o candidato afirmou que tem planos de valorização e melhorias para a Guarda Municipal, mas negou qualquer intenção de armá-la. 

EM TEMPO: Quais as propostas da chapa para a segurança de Manaus?

José Ricardo: A segurança, hoje, é uma das grandes preocupações da população. Queremos fortalecer primeiro a Guarda Municipal, para que possa estar presente nas instituições públicas, como as escolas. Precisamos garantir segurança nas escolas, não só nos dias de aula, mas nos finais de semana e em outros momentos fundamentais. Queremos levar a Guarda para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), para as praças, terminais de ônibus e vários outros espaços, para ela contribuir com a prevenção. Como a iluminação pública, em primeiro lugar. Não é possível, em um bairro, ter ruas sem iluminação quando a própria população paga, através da taxa de iluminação pública. Também a manutenção das ruas, para criar um ambiente melhor que favoreça a segurança. Além disso, ações sociais, de lazer e esporte, porque não é possível nós falarmos de cidadania e segurança, se não tiver uma atenção maior aos adolescentes e aos jovens.

EM TEMPO: Sobre a Guarda Municipal, o senhor pretende ampliar, fazer novas contratações, além de armá-la ou não?

José Ricardo: Precisamos sim fazer concurso público, ampliar o contingente, modernizar, valorizar os profissionais, mas não necessariamente ter que armar. Embora a legislação permita que uma cidade grande como Manaus possa armar os guardas, eu não vejo necessidade. Quem precisa estar preparado, armado, pronto para qualquer ocorrência é a polícia. Por isso, que o papel da Prefeitura, da própria Guarda Municipal, é trabalhar em sintonia total com os órgãos. As parcerias que queremos fazer é entre a Prefeitura, Governo do Estado do Amazonas e Governo Federal com as várias ações coordenadas na linha da prevenção e do combate à criminalidade.

EM TEMPO: Há alguma proposta que possa ajudar a diminuir o número de assaltos aos coletivos?

José Ricardo: Primeiro, nos terminais de ônibus queremos colocar a Guarda. A segurança eletrônica é o caminho, em qualquer lugar, e precisa ser ampliado na cidade. Na medida que se tem esses dispositivos melhor colocados, sendo utilizados, a própria criminalidade diminui porque se sabe que ali haverá monitoramento adequado. Há muito tempo era para ter um monitoramento eletrônico em relação aos veículos. Uma sintonia do setor da Prefeitura ligado ao transporte com a segurança, hoje, quase não tem. Precisamos também ter internet nos abrigos de ônibus que facilite a comunicação. Parte do projeto Manaus 5G, busca levar internet a todos os bairros, se tornando um instrumento que contribua para a segurança eletrônica e, portanto, para a segurança pública.

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Precisamos fazer concurso público, ampliar o contingente, modernizar, valorizar os profissionais, mas não necessariamente ter que armar "

Candidato a prefeito, José Ricardo,, sobre a Guarda Municipal

EM TEMPO: Outro desafio em Manaus é a mobilidade urbana. Quais as propostas para solucionar os problemas de mobilidade da capital?

José Ricardo:Temos que rever esse contrato que existe entre a prefeitura e o setor empresarial de transporte. O contrato prevê ônibus novos todo ano, ter uma quantidade mínima de 200 ônibus novos por ano deveriam entrar no sistema e as empresas não estão cumprindo, nem a Prefeitura está fiscalizando. Tem que haver uma intervenção. Queremos criar em várias áreas da cidade os corredores exclusivos para a circulação dos ônibus, para dar mais agilidade, diminuir o tempo e o custo das viagens. Também pretendemos ajudar os estudantes com a redução da tarifa de ônibus para R$1 e implantar, gradativamente, o passe livre estudantil, a exemplo de outras cidades do Brasil. É uma forma de trabalhar para garantir que nenhum estudante desista da escola ou faculdade por não ter dinheiro para pagar passagem. É mais barato garantirmos o transporte para o estudante, para ele não ter motivo para não ir à escola, do que ter que, no futuro, remediar com outras ações, muitas vezes ligadas à criminalidade.

EM TEMPO: Sobre a questão de infraestrutura, quais as propostas para a melhoria do saneamento básico e da distribuição de água?

José Ricardo:Para água e esgoto há um contrato com uma empresa privada, que já tem 20 anos, e ainda temos bairros em que falta água. Vamos começar a rever esse contrato, as metas estabelecidas que não estão sendo cumpridas. No esgoto é pior ainda, segundo a própria empresa admite, é menos de 12% o total de esgoto tratado em Manaus. Mais de 80% do esgoto vai para os igarapés e de lá, para o Rio Negro. Pretendemos trabalhar fortemente em relação a isso, cobrar os investimentos para a área de esgoto. Também temos um projeto de revitalização dos igarapés, os que não fazem parte do projeto Prosamim. Um projeto também que envolve cuidar das nascentes e todo um trabalho ligado ao saneamento e educação ambiental nas escolas. Quanto ao lixo, queremos implantar, imediatamente, a coleta seletiva. Que já deveria ter sido implantada na cidade, porque é parte da Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Nós vamos ter um plano municipal de resíduos e a coleta seletiva.

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Se quiser ter, como temos hoje, não há nenhum problema, mas esse não é o caminho "

Candidato a prefeito, José Ricardo,, sobre a implementação do modelo cívico-militar

EM TEMPO: Quais as propostas para a Educação em Manaus, candidato?

José Ricardo:Nos últimos 12 anos, principalmente, quase não se constrói escolas municipais. A Prefeitura, a atual gestão que termina dois mandatos e o prefeito anterior, mantiveram e até ampliaram os aluguéis de imóveis. Muitos estão sem estrutura adequada para funcionar como escolas, então a prefeitura gasta muito dinheiro com esses aluguéis. No nosso plano de gestão teremos um programa de construção de escolas novas, em quatro anos. Certamente não vamos conseguir substituir todas as escolas alugadas porque são um terço do total. Também temos um programa forte de construção de quadras nas escolas. Na escola, queremos valorizar os profissionais, o plano de cargos e carreiras dos professores. Temos que valorizar aquele professor que se capacita, faz especialização, mestrado, que quando retorna não é valorizado, não tem uma melhoria salarial efetiva. Queremos também colocar nas escolas, psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas.

EM TEMPO: Sobre o formato cívico-militar, já implementado em algumas escolas da rede estadual, o senhor pretende levar esse modelo ao município?

José Ricardo:Na verdade, temos que melhorar todas as escolas. Ás vezes os pais matriculam seus filhos em uma escola particular, porque tem toda a equipe que citei anteriormente, que deveria ter no municipal. Tem segurança, toda uma preocupação com o estudante. Se quiser ter, como temos hoje, não há nenhum problema, mas esse não é o caminho. Se é para dizer que a escola tem que ser boa e de qualidade, todas tem que ser, nós temos que trabalhar para isso, para que ao todo tenhamos melhoria na qualidade da educação. Quero dar atenção para aqueles que não concluíram o ensino fundamental e médio. Temos um programa para focar nisso, inclusive com bolsas. Não adianta querermos fazer uma coisa que não é a responsabilidade do município.

| Foto: Deborah Arruda

EM TEMPO: Sabemos que o número de creches é insuficiente. Quais os planos para melhoria desse problema?

José Ricardo:No total temos pouco mais de 20 creches na cidade, é muito pouco. A nossa intenção, que está no plano de governo, é, ao longo desses quatro anos, dobrar o número de vagas que o município oferece. Isso é perfeitamente possível. Mas, de imediato, eu pretendo finalizar as obras inacabadas de quase 10 creches em Manaus. Nós teremos com isso, de imediato, milhares de vagas de creches para as mães que precisam trabalhar. Eu não faço promessas quantitativas, 500, 200, 300. As pessoas querem coisa prática, que você vai fazer, vai poder ofertar mais vagas. Tem que olhar o orçamento, ir atrás de recursos. Vou criar uma agência de desenvolvimento municipal que irá ter duas funções: uma é elaborar projetos em busca de recursos para investimentos na cidade. Outra é elaborar projetos para atrair empresas para se instalar em Manaus. 

EM TEMPO: Nós tivemos um ano atípico e desafiador na Saúde. Quais as propostas que a chapa traz para a população em relação à melhoria da Saúde?

José Ricardo:A Prefeitura deve fazer um trabalho muito forte de prevenção, as campanhas publicitárias, a orientação da população, o acompanhamento e a fiscalização das atividades, quanto aos procedimentos relacionados ao distanciamento social e ao uso de máscaras. Na Atenção Básica temos pouco mais de 50% da população sendo atendida, ou seja, quase a metade da população tem dificuldade para falar com um médico. Vamos ampliar UBS que já temos e construir novas, para tentar chegar aos 80% da população que utiliza a saúde pública. Além disso, vamos construir centros de referência, no caso da saúde das mulheres, também uma central de exames e diagnósticos, e construir os Centros de Atendimento Psicossocial. Temos a preocupação quanto à saúde indígena, saúde idosa. Manaus tem a necessidade de uma gestão participativa. O povo quer um prefeito que cuide, que trabalhe, que tenha um secretariado que se dedique.

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