Primeiro turno


Número de abstenções pode ser maior neste pleito

A pandemia e a possibilidade de justificativa de voto via aplicativo de celular, deve influenciar no índice de faltosos nas eleições municipais deste ano

Segundo o cientista político, Helso do Carmo, é difícil fazer previsão do número de abstenção para o primeiro turno.
Segundo o cientista político, Helso do Carmo, é difícil fazer previsão do número de abstenção para o primeiro turno. | Foto: Divulgação/Agência Brasil

Manaus – Com a possibilidade de justificativa de voto via aplicativo de celular e os riscos de contágio devido a pandemia da Covid-19, o eleitorado do Amazonas deve enfrentar uma eleição atípica neste domingo (15). E apesar dos cuidados sanitários nos locais de votação promovidos pela Justiça Eleitoral e autoridades municipais e estaduais, o pleito municipais podem registrar um marco com o maior índice de abstenções da história.

Os idosos devem ser o principal grupo a representar os faltosos neste pleito, pois muitos estão inseridos no grupo de risco da doença, com é o caso do casal Maria das Graças Abud, 70, e do Oswaldo Colares,74. Segundo a neta Anna Souza,27, os avós sempre gostaram de votar e, inclusive, iriam se não fosse a pandemia.

“Neste ano, meus avós e eu não iremos às urnas no dia da votação. O motivo é o medo da contaminação pela exposição, já que meus avós não saem de casa desde março e eu saio somente para o essencial, apenas vou ao supermercado e ao trabalho, mas como todo o cuidado”, contou.

Apesar de não haver uma previsão das abstenções de domingo, o cientista político Helso do Carmo afirmou que, além do receio do contágio, os eleitores também acabam justificando o voto ou deixando em branco por não conseguirem visualizar nos candidatos, indivíduos que realmente lutem pelos interesses populares.

“Geralmente, a abstenção é menor para prefeito e vereador, pois o eleitor conhece várias pessoas como candidatos, então, esse contato acaba aumentando a motivação dele para ir às urnas. Mas há um desgaste muito forte, não só no Amazonas, mas mundialmente da democracia representativa. Os eleitores não se sentem representados pelos políticos de carreira, principalmente. Por conta desse desencanto dos políticos, acabam não indo votar”, analisou.

Abstenção em anos anteriores

Em 2016, nas últimas eleições municipais, Manaus teve o menor número de abstenção de voto a nível nacional, em comparação com outras capitais. O percentual ficou em 8,59%, com 108.023 de desistências no primeiro turno, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE). Em 2012, o índice foi maior, chegando a 14,59%, ou seja, 171.936 pessoas não cumpriram o direito de votar. 

Falta de candidatos com representatividade popular, que conheça os desafios do povo, é uma das explicações para os votos nulos e brancos
Falta de candidatos com representatividade popular, que conheça os desafios do povo, é uma das explicações para os votos nulos e brancos | Foto: Lucas Silva

Para o cientista político Carlos Santiago, a democracia é um sistema que permite essa livre expressão, no entanto, tem consequências. “É normal pessoas indecisas, votos nulos e brancos. Porém, quem anula o seu voto, perde a oportunidade de tentar acertar. O modelo de democracia e a melhora da qualidade dos políticos são sempre buscas de aperfeiçoamentos das decisões dos eleitores. Cabe ao eleitor ditar os rumos da democracia e da classe política”, enfatizou.

Ao distanciar o contato com os candidatos, a ausência nas urnas ainda é maior, segundo Carmo. “No Brasil, já tivemos grandes porcentagens de abstenção, ainda maior quando o cargo é mais distante, como na escolha de um presidente. A abstenção acaba gerando a legitimidade quando àquele que foi eleito com uma larga vantagem de votos. Por exemplo, a menor diferença entre o vencedor e o vencido foi nas eleições presidenciais Dilma Rousseff e Aécio Neves. Foram 3 milhões de diferença e a ex-presidente sofreu um impeachment, porque fica carente de legitimidade, ou seja, legalidade acrescida de uma concordância da população”, explicou o cientista. 

Relevância do dever cívico

Segundo Santiago, além do desafio de cada candidato em realizar uma campanha em plena pandemia, ainda existe o obstáculo de conquistar a confiança dos eleitores em querer ir às urnas para cumprir seu dever cívico, somados ao voto facultativo para o jovem menor de 18 anos e para o idoso com mais de 70 anos, e o medo da contaminação da Covid-19.

“Todos esses fatores fortalecem as abstenções, mas tem a esperança de um número expressivo de votantes, como aconteceu nas eleições americanas, que mostraram a grande participação dos eleitores, mesmo com a Covid-19 e sem obrigação de votar do sistema eleitoral nos EUA”, prevê o cientista político.

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