Eleições 2020


David e Amazonino disputam eleitores de candidatos derrotados

Ainda na corrida para eleger o próximo prefeito de Manaus, os postulantes não parecem estar preocupados com a falta de apoio

Apoios podem ser importantes para definir conquista de eleitores e resultados das urnas
Apoios podem ser importantes para definir conquista de eleitores e resultados das urnas | Foto: Alexandre Sanches

Manaus - Uma das grandes expectativas após a consolidação do segundo turno para definir o próximo prefeito de Manaus é a formação de alianças partidárias. O apoio dos candidatos que perderam no primeiro turno e de figuras políticas, como o próprio governador do Estado ou o atual prefeito, podem influenciar o decorrer da campanha eleitoral e o resultado das urnas, beneficiando ou prejudicando os candidatos.

Disputando o poder Executivo, David Almeida (Avante) e Amazonino Mendes (Podemos) seguem tentando conquistar o eleitorado dos candidatos derrotados na votação do último domingo. No entanto, o deputado federal José Ricardo (PT), terceiro candidato mais votado no primeiro turno, e os ex-candidatos Coronel Menezes (Patriota) e Romero Reis (Novo) já afirmaram publicamente que não apoiarão nenhum dos dois postulantes.

Em nota, José Ricardo explicou que não dará seu apoio por ser contra a eleição de políticos que seguem no poder há muito tempo. Já Romero Reis destacou que, após conhecer as mazelas da população, não pode se unir a pessoas que não seriam capazes de trazer melhorias à cidade. "Óleo não se mistura com água. Venho declarando isso desde que iniciei esta caminhada. Não posso me unir com pessoas que não estão bem intencionadas com a cidade", declarou.

Ricardo Nicolau (PSD), Marcelo Amil (PCdoB) e Alfredo Nascimento (PL) ainda não se pronunciaram sobre o assunto, assim como o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto e o governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima.

Aliança com população

Um dia após a confirmação do seu nome no segundo turno, David Almeida declarou que não pretende formar aliança com os políticos que possuem extenso histórico na política em Manaus e descartou até mesmo uma aliança com o atual prefeito de Manaus e o atual governador do Amazonas.

"Eu já estou articulado com o povo. Não penso em apoio de nenhuma das máquinas, nem do prefeito, nem do governador. Meu apoio é do povo, eu sou do povo e cheguei até aqui sem o apoio dos caciques políticos e nós vamos conquistar a Prefeitura de Manaus com o apoio do povo", destacou.

Amazonino Mendes disse que sempre foi receptivo a todos que tenham boas propostas para a cidade e que queiram discutir projetos com esse foco. Mas, ressaltou, que sempre deixou bem claro, desde o primeiro turno da eleição, que sua candidatura não passa por acordos e troca de favores. Destacou também que sua candidatura segue de forma correta, sem financiamento da máquina pública. 

“Aqui, não tem ninguém segurando no meu pulso. Quem resolver apoiar os projetos que temos para Manaus, deverá saber que faz isso por convicção, por considerar minha candidatura a melhor para conduzir esse momento especialmente difícil da cidade, com alto índice de desemprego e com as pessoas precisando do auxílio do município”, disse. 

Nenhum dos dois candidatos comentaram as estratégias a serem seguidas durante os 11 dias de campanha eleitoral até o dia da eleição, no último domingo deste mês. Amazonino, que se tornou alvo de críticas após não comparecer em nenhum dos debates no primeiro turno, afirmou apenas que sua campanha irá apresentar o que já fez e que a programação inclui sua ida a todas as zonas da cidade.

Primeiro Apoio

Alberto Neto (Republicanos) foi o primeiro dos candidatos a declarar apoio a um dos postulante, David Almeida. O deputado federal afirmou que é preciso que se unam forças para combater os desafios impostos pela pandemia.

"Nessa reta final do pleito, vamos apoiar o ex-governador interino David Almeida (Avante), pois acredito que para vencermos a grave crise na saúde pública e na economia, causados pela pandemia da Covid-19, precisamos unir forças em prol da nossa cidade e da nossa população", declarou. 

Desgaste na política

O cientista político Helso Ribeiro destacou que a falta de apoio entre os ex-candidatos e os que seguem para o segundo turno configura um desgaste da democracia, especialmente após alguns terem afirmado, durante campanha, que iriam fazer o contrário.

"Há a confirmação do desgaste da democracia representativa face a esses discursos desconectados. Antes do primeiro turno, todos eles diziam que buscariam governar com todos, que iriam procurar aqueles que perderam para tentar harmonizar ações. A contradição maior não é apenas essa. Em estados aonde os partidos desses candidatos estão no segundo turno, eles estão buscando apoio. Eu acredito que todos os dois candidatos gostariam sim de receber apoio", analisou.

Além disso, Ribeiro explicou que a escolha dos eleitores no segundo turno independe do apoio declarado. "Independente desse apoio de candidatos, vejo que o eleitorado nem sempre se silencia face às escolhas dos seus candidatos do primeiro turno".

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