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    Crimes Ambientais


    ‘Foi menos pior’, diz Mourão sobre desmatamento na Amazônia

    Na no início da semana o governo divulgou que o desmatamento da Amazônia teve uma alta de 9,5% no último ano

    | Foto: Divulgação

    Manaus - O vice-presidente Hamilton Mourão disse na terça-feira (1°) que os dados de desmatamento registrados na Amazônia foram "menos pior" do que o previsto neste ano. Em conversa com jornalistas pela manhã, Mourão afirmou que a estratégia do governo de combate a crimes ambientais está "dentro do programado" e que não há planos de uma reavaliação.

    "Estamos com uma tendência de queda (do desmatamento) desde maio quando a gente iniciou a Operação (Verde Brasil). A expectativa é que ia dar 20% acima do ano passado. Então, deu 9,6% e nós temos de continuar na pressão", disse.

    Na no início da semana o governo divulgou que o desmatamento da Amazônia teve uma alta de 9,5% no último ano, de acordo com estimativa do Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

    Entre agosto de 2019 e julho deste ano, a devastação da floresta alcançou 11.088 km², ante os 10.129 km² registrados nos 12 meses anteriores. "Vamos dizer o seguinte. Foi menos pior, essa é a realidade. Podia ser pior ainda", avaliou.

    Segundo o vice-presidente, há uma tendência de redução em 50% do desmatamento em novembro comparado com o mesmo período do ano passado. Ele destacou que objetivo do governo é que "só haja o desmatamento dentro da legislação, aquele que é os 20% dentro da propriedade", sem que isso ocorra em unidade de conservação, terras indígenas ou terras públicas.

    "O que estamos fazendo está dentro do programado. Tem coisas que eu não consegui resolver ainda. Regularização fundiária vocês já me viram falar aqui 500 vezes e eu não consegui avançar. Já falei, é minha responsabilidade e eu tenho eu dar um jeito nisso aí", argumentou Mourão.

    Ibama

    Mourão comentou ainda sobre a necessidade de aumento do efetivo do Ibama. Ele disse que o assunto é responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, que deve negociar com a área econômica do governo. Apesar da ressalva, opinou que uma alternativa seria a contratação de agentes temporários.

    "Isso é responsabilidade do Meio Ambiente, que tem de discutir com a Economia. Economia está vivendo as dificuldades relativas à questão fiscal, nós não temos nem Orçamento, então vamos ver como é que a gente resolve. A solução paliativa é contratação de gente temporária", declarou.

    Mourão comentou ainda que Ricardo Salles, do Meio Ambiente, foi convidado para estar na segunda-feira na divulgação dos dados do Inpe, mas por ter sido uma agenda "de última hora" ele não pôde comparecer.

    Visita a áreas desmatadas

    No início de novembro, Mourão esteve na Amazônia, onde visitou regiões da floresta com embaixadores da comunidade internacional. Na ocasião, o vice-presidente pretendia mostrar tanto partes afetadas pela ação humana quanto partes preservadas.

    A viagem foi organizada após oito países europeus enviarem uma carta ao vice-presidente afirmando que a alta do desmatamento poderia dificultar a importação de produtos brasileiros. A visita do governo foi organizada para dar uma resposta às críticas que o país sofre na área ambiental. Mourão preside o Conselho da Amazônia.

    "O grande objetivo da nossa viagem era mostrar que o governo brasileiro não tem o que esconder e que nós estamos abertos a todo e qualquer diálogo necessário para demonstrar à comunidade internacional os nossos compromissos", afirmou Mourão.

    No primeiro dia de viagem, Mourão sobrevoou áreas recém desmatadas, que enfrentam incêndios frequentes e áreas que apresentam as “cicatrizes” do fogo, junto ao ministro do meio ambiente, Ricardo Salles e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. O grupo sobrevoou ainda à parte da Amazônia que está preservada.

    Em Manaus, embaixadores e ministros participaram de atividades em organizações militares e no laboratório de investigação da Polícia Federal.

    Já em Iranduba, o grupo visitou um projeto de colonização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A comitiva também passou pelo local onde as águas dos rios Negro e Solimões se encontram para formar o Rio Amazonas.

    *Com informações da assessoria 

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